Fundos de bancos ou de gestores independentes?

Dentre as muitas dúvidas na hora de investir em fundos, esta questão é muito comum e foi
mais uma vez levantada por um de nossos leitores.

Nesse texto vou apresentar as semelhanças e diferenças entre os fundos de bancos e os
de gestores independentes e deixar uma sugestão de como você pode investir melhor o seu
dinheiro.

Os fundos são regulamentados pela Instrução CVM 409 de 2004 e também são aderentes ao
Código de Regulação e Melhores Práticas de Fundos de Investimentos da Anbima, portanto,
em termos de funcionamento e divulgação de informações, são semelhantes.

A diferença principal é que nos bancos, os fundos são apenas mais um produto que divide
espaço na prateleira com tantos outros como CDBs, LCIs, Títulos de Capitalização, Seguros e
Empréstimos e nos gestores independentes, os fundos são o negócio principal.

Como consequência dessa diferença e dos custos mais baixos, devido à sua estrutura mais
enxuta, a rentabilidade dos fundos dos gestores independentes costuma ser mais elevada.

Os gestores independentes têm histórias a contar; onde trabalharam, como adquiriram
experiência e se tornaram especialistas, onde estudaram. Começam com o dinheiro de
amigos e parentes e, principalmente, com dinheiro próprio. Seus interesses estão alinhados
com os interesses dos investidores. Existe um comprometimento pessoal.

Conforme dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados), no Brasil
aproximadamente 80% do valor total da Indústria de Fundos está investido nos fundos das
gestoras dos 5 maiores bancos. Comparando com os dados nos EUA, onde a indústria é
mais madura e investir é uma tarefa rotineira, os gestores independentes ficam com a maior
parte, 85%. Lá, são mais de 90 milhões de indivíduos investindo em fundos. Aqui, estima-se 5
milhões.

Essa grande diferença nos números se dá principalmente porque os fundos das gestoras
ligadas aos grandes bancos se beneficiam da sua rede de distribuição. Além disso, os
investidores que preferem os fundos dos bancos atribuem as suas preferências à segurança,
solidez dos conglomerados e comodidade; o que confirma que nosso mercado ainda tem
muito a aprender.

Os Fundos dos gestores independentes são distribuídos pela figura do distribuidor, agentes
autônomos e family offices e as aplicações iniciais exigidas costumam ser altas, ultrapassando R$ 1 milhão. Alguns também são distribuídos pelos grandes bancos, em
geral, para os clientes private. Por isso, são mais conhecidos por profissionais e investidores
experientes, que buscam fundos de gestão ativa, nas categorias multimercado ou de ações.

Diante desse panorama, deixar as reservas para as emergências e os recursos que serão
utilizados em menos de dois anos aplicados em fundos de bancos, desde que as taxas sejam
justas, isto é, não mais de 0,5% para as categorias de curto prazo e renda fixa, tudo bem. Mas
ainda assim, é preciso pesquisar e comparar taxas e histórico de rentabilidade.

Para a aposentadoria ou quaisquer outros objetivos de médio e longo prazos, acima de dois
anos, aplique em multimercados ou fundos de ações de gestores independentes. Mesmo que
você seja muito conservador, há multimercado de baixo risco.

Para finalizar, sugiro olhar o comparativo que a Órama preparou. https://www.orama.com.br/
rentabilidade_orama_bancos/

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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