Avaliação do 1º Semestre

É importante reavaliar a carteira de investimentos periodicamente, pois com o passar do tempo as variáveis mudam. Novos objetivos tomam o lugar de objetivos já realizados. Guardamos mais dinheiro ou passamos a gastar mais. Nossa percepção de risco evolui e, assim, nos tornamos mais agressivos ou mais conservadores. No mercado, os preços sobem e descem e taxas são elevadas ou reduzidas. Estas mudanças impactam nossas decisões e nossas escolhas.

A revisão periódica é recomendada para que ajustes sejam feitos. É preciso rebalancear a carteira para diminuir a exposição em algumas classes de ativos e aumentar em outras, com a finalidade de limitar o risco e maximizar o retorno. Só assim conseguiremos realizar sonhos e aumentar o patrimônio para que o futuro seja o mais confortável possível.

Abaixo seguem os principais fatores que afetaram os resultados dos nossos investimentos no primeiro semestre deste ano:

Juros reais
A taxa Selic, que começou o ano em 11%, perdeu 3 pontos percentuais e pode cair ainda mais. A inflação não está pressionada como no ano passado, quando fechou o ano a 6,5%, e vem convergindo para o centro da meta de 4,5%, resultando em juros reais de 2,5% a 3% ao ano.
Este novo patamar é um fator que afeta todos os investimentos, mas principalmente as reservas para emergências e os investimentos conservadores, aplicados em fundos com liquidez diária.
As altas taxas de administração cobradas na maioria dos fundos de curto prazo, referenciados DI e de renda fixa vão passar a incomodar, pois diminuem ainda mais a rentabilidade que já está baixa.

Bolsa
Quando os juros reais são baixos, os investidores buscam maiores retornos em ativos de risco como as ações. É por isso que mais de 50% dos americanos investem em ações, diretamente ou através de fundos. Lá as taxas de juros são muito baixas.
Com a crise que se desenrola desde 2007-2008, e todas as incertezas que pairam no ar sobre as economias globais, os investidores estão com mais medo, evitando o mercado acionário. Mas lembre-se que são nestes momentos que aparecem as boas oportunidades.
O Índice de referência para os investimentos em ações, o Ibovespa, fechou o primeiro semestre do ano em território negativo. Ainda assim foi possível ganhar investindo neste mercado. Muitas ações subiram, como as ações de empresas small caps do setor de consumo, energia elétrica e utilidades pública. Muitos fundos de ações tiveram desempenho notável, alguns subindo mais de 10%.

Câmbio
Variável de preocupação para quem tem dívida ou algum objetivo em moeda estrangeira.
É um mercado onde os fundos multimercado estão operando e conseguindo bons retornos. Comprando e vendendo moedas além de reais, dólares e euros.

A crise
O estouro da bolha imobiliária que começou nos Estados Unidos afetou o lado real da economia, impactando renda e emprego e se alastrou para todo o mundo. O colapso da economia mundial em 2008 obrigou os países a tomarem medidas de estímulo levando à explosão das dívidas dos governos, que aumentaram déficits orçamentários e dívidas em relação ao PIB a níveis insustentáveis.
Com medo, o dinheiro procurou investimentos seguros como ouro e dólar. Mas já sabemos que os ovos não podem ficar todos na mesma cesta. A vida segue, mudando, mas vai em frente. Precisamos pensar no futuro e investir.

Para ajudar na tarefa de reavaliar os objetivos e investimentos, preparei um check list com 10 pontos:

1. Os seus objetivos continuam os mesmos? O que mudou?
2. Seus investimentos estão diversificados de maneira que a relação risco-retorno seja a mais eficiente possível? Se não tem certeza, procure por ajuda.
3. Você está protegido contra altas de inflação de longo prazo, seja através de títulos ou fundos? Ponto importante para os investimentos de longo prazo.
4. Como estão aplicadas suas reservas para as emergências ou os recursos que você pode precisar no curtíssimo prazo?
5. Há recursos aplicados em fundos de curto prazo, referenciado DI ou renda fixa? Qual a taxa de administração destes fundos? Se estiver acima de 0,5% ao ano, sugiro migrar para um fundo com taxa menor.
6. Você investe em CDB ou tem alguma operação compromissada com seu banco? Qual o percentual do CDI está recebendo? Se estiver abaixo de 90%, há produtos mais rentáveis de mesmo nível de risco.
7. Qual a parcela dos seus investimentos está em renda variável? Será que não está na hora de aumentar a exposição para aproveitar a baixa? Ou diminuir a participação, pois está correndo risco demais?
8. Você investe em ações diretamente ou através de fundos? Se investe diretamente, como estão seus lucros/prejuízos? Se aplica em fundos de ações, está ganhando ou perdendo? Investir em fundos com gestores profissionais e experientes tem sido mais eficiente.
9. Você aplica em fundos que investem em mercado de câmbio? Para proteção ou para aumentar a rentabilidade? Os resultados são satisfatórios?
10. Você aplica em fundos que investem no mercado internacional? Estão conseguindo aproveitar as oportunidades da crise?

Já pode começar a tarefa. Boa revisão!

Se tiver alguma dúvida ou precisar de ajuda, mande email para falecomasandra@orama.com.br.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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