Investidores Mais Seletivos

Nos últimos tempos, muito tem se falado sobre a importância da seleção dos investimentos, todavia não é uma estratégia nova. Seletividade sempre esteve presente na aquisição e gestão de ativos e é a base das finanças tradicionais, escola de pensamento que, segundo a cronologia apresentada por Robert Haugen (2000), começou em 1930. Em períodos de mercados favoráveis à criação de riqueza, quando a maioria dos ativos se valoriza, a seleção é colocada em segundo plano, mas em períodos de baixo crescimento e crise financeira, como o momento atual, seu valor é reconhecido.

Os investidores estrangeiros estão mais seletivos desde maio deste ano, quando começaram as especulações sobre quando o Fed (Banco Central dos EUA) começará a retirar os estímulos da economia americana. O fluxo de capitais que beneficiou os mercados emergentes nos últimos anos deve regressar para os mercados desenvolvidos com o início do fim do programa, principalmente para os EUA, com a normalização das taxas de juros, que ainda estão muito baixas.

No Brasil, percebemos a cada dia que o estrangeiro está mais interessado em selecionar empresas específicas para investir do que na compra de uma carteira que represente o mercado como, por exemplo, adquirindo as ações que compõem o Ibovespa. Por isso, em um grande evento realizado em Nova York no início deste mês para mais de 600 investidores estrangeiros, onde várias empresas brasileiras apresentaram suas perspectivas e planos de ação para o final de 2013 e 2014, os empresários utilizaram 80% do tempo disponível para falar de suas empresas e, em apenas 20% do tempo, falaram sobre o Brasil, exatamente o contrário do observado em 2012, quando em 80% do tempo falavam sobre o Brasil e 20% do tempo sobre suas empresas.

Mesmo com as expectativas de fraco crescimento para a economia brasileira, taxas de juros mais altas e governo mais preocupado com as eleições de 2014 do que em reduzir os gastos e aumentar os investimentos, há empresas de valor no país. Apesar de toda ineficiência em vários setores da economia, mas principalmente nos setores educacional, de saúde e infraestrutura, existem boas oportunidades de crescimento para empresas que conseguem gerar resultados independentemente do pano de fundo econômico, empresas eficientes operacionalmente em relação à concorrência, que, mesmo num cenário de margens pressionadas, alcançam resultados expressivos.

Como encontrar as boas oportunidades de investimentos?

Minha indicação é ser muito criterioso na seleção, mergulhando profundamente nos detalhes das demonstrações financeiras e identificando as qualidades intrínsecas das empresas. Só assim será possível encontrar ativos menos correlacionados com os mercados e resilientes às oscilações econômicas e evitar empresas como a OGX.

Como o investidor pode ser mais seletivo?

Selecionar boas empresas para investir exige muita dedicação e trabalho intenso, por isso recomendo os investimentos em fundos de gestoras renomadas e com histórico de rentabilidade consistente. Primeiro porque fundo é um instrumento seguro. O nível de regulação dos fundos brasileiros é muito avançado em comparação ao resto do mundo (Instrução CVM 409). Segundo porque nossa indústria já é considerada madura e composta por profissionais experientes, qualificados e que sabem combinar os modelos das finanças tradicionais, moderna e comportamental para escolher as aplicações que mais vão adicionar rentabilidade às carteiras de investimentos.

Concluindo, devemos buscar no universo dos investimentos o mesmo que buscamos em todos os bens e serviços e até nos relacionamentos: o que melhor atende às nossas necessidades e expectativas. Porém, enfatizo que em ambiente de incerteza, é preciso redobrar os cuidados ao escolher os produtos nos quais vamos aplicar nosso dinheiro, pois efeitos técnicos (análise gráfica), que resultam em movimentos de manada, são frequentes e os ativos podem demorar muito para retornarem aos seus fundamentos.

Quais os cuidados você toma ao selecionar os produtos para aplicar seu dinheiro? Os resultados obtidos têm sido satisfatórios?  Qualquer dúvida entre em contato comigo através do canal “Fale com a Sandra”, no site da ÓRAMA.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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