Simplificar é a melhor escolha

No mundo de hoje opções não faltam, diferentemente de outras épocas, quando a oferta de produtos e serviços básicos era restrita. A riqueza de opções disponíveis já se faz presente nas aplicações financeiras e, por isso, o processo de seleção dos investidores fica mais complicado e pode levar a enganos. Na minha opinião, simplificar é a melhor escolha. Como proceder?

O primeiro passo é não esperar fazer fortuna da noite para o dia. Somente alguns raros indivíduos alcançaram tal façanha, mas com certeza se arriscaram muito, provavelmente chegando a um nível de risco intolerável para a maioria dos investidores. Encontrar a galinha dos ovos de ouro ou fazer day trades (comprar e vender ações no mesmo dia) como caminho para alcançar retornos extraordinários não é o melhor estilo.

Em geral, geramos renda e aumentamos o potencial de construir riqueza com os frutos do trabalho, mais do que com os investimentos. Cria-se riqueza com parte desta renda acumulada ao longo de anos. Quando a renda é alta e há disciplina de investir, as chances aumentam.

O segundo passo é reconhecer que determinados investimentos podem fazer sentido em alguns casos, mas em outros podem não ser a melhor alternativa. Produtos como previdência privada, fundos imobiliários e outros papéis com isenção de imposto ganham de um lado, mas perdem de outro. Não invista só porque seu vizinho já aplicou.

Possuir uma carteira de investimento com muitos produtos diferentes frequentemente significa que pouco foi pensado sobre a harmonia dessas partes. O pior ainda é não conseguir chegar a uma performance agregada, pois a tarefa de manter o registro de muitos extratos e organização da papelada se torna um pesadelo tanto para os investidores quanto para os contadores. Como resultado, investidores acabam olhando para as contas e investimentos como elementos independentes e não como um conjunto; fenômeno conhecido como “contabilidade mental” nas finanças comportamentais, que pode prejudicar o resultado dos investimentos no longo prazo.

O terceiro e último passo é saber que, independentemente da maneira como são embalados, os produtos financeiros contém uma ou mais classes de ativos: títulos públicos ou privados, ações, moedas ou equivalentes e ativos físicos como imóveis, metais preciosos e commodities. Outros investimentos mais sofisticados derivam destes ativos, como opções e contratos futuros. Os investimentos mais exóticos cumprem sua função, mas você pode investir bem sem eles. O mundo dos investimentos é infinitamente complexo, entretanto é possível obter retornos sem precisar se envolver diretamente em áreas esotéricas. Menos é mais.

O momento é propício para revisar os investimentos e simplificar:
1. Trace horizonte de longo prazo, não tente ficar rico rapidamente.
2. Continue fazendo o que você sabe fazer bem e invista com profissionais.
3. Mantenha o menor número de contas e investimentos possível.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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