Variações na rentabilidade dos Fundos de Inflação

Registrando queda de 1% no mês de fevereiro, depois de um janeiro também ruim, os investidores estão questionando o desempenho dos fundos da categoria Renda Fixa Índice ou fundos de inflação. Entenda por que estes fundos podem apresentar rentabilidades negativas em alguns momentos.

Estes fundos possuem em suas carteiras NTN-Bs, Títulos Públicos Federais, emitidos pelo Tesouro, atrelados ao índice de preço IPCA e que pagam juros prefixados. O IPCA é o índice que serve como base para o sistema de metas inflacionárias do Banco Central.

Apesar de acompanhar a variação do índice, a indexação não é perfeita, devido ao componente prefixado que é sensível à oscilação da taxa de juros. Como esta taxa pode se alterar durante o prazo de vigência do título, a rentabilidade destes pode se afastar da variação do índice e este efeito é maior quanto maior for o prazo do título. A relação entre o preço de título e taxa é inversamente proporcional, ou seja, quando a taxa sobe o preço cai (e vice-versa). Somente funcionará como proteção contra inflação se carregado (a taxa se manter a mesma?) até o vencimento.

O comportamento de curto prazo de fundos de inflação é diferente dos fundos de renda fixa tradicionais, mais procurados por investidores conservadores. Em 2012, a rentabilidade alcançada por esta categoria de fundos foi o grande destaque e fez a alegria dos investidores. Muitos renderam mais de 18% (o ÓRAMA Inflação rendeu 18,2%), em razão da forte queda da taxa Selic (taxa básica de juros) de 11% para 7,25% ao ano.

Mesmo após ter atingido seu piso histórico em outubro, movimentos de mercado continuaram valorizando as NTN-Bs, porém, em janeiro, a maior preocupação com a inflação no curto prazo, sinalizada na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), resultou num movimento de realização de lucros de parte dos investidores, com a venda de NTN-B e um movimento de correção de preços nos títulos, especialmente aqueles com vencimentos mais longos, resultando na redução da rentabilidade dos fundos.

Após a divulgação da ata, o mercado passou a exigir um prêmio maior para adquirir títulos públicos prefixados e indexados, expressando a preocupação dos investidores em aumentar sua exposição num momento em que o Governo comunica que os juros não mais cairão e, assim, a trajetória para o preço destes papéis diminuem a perspectiva de ganhos. A piora na avaliação do risco inflacionário também contribui para a mudança de expectativas e alguns agentes no mercado já contam com um possível aumento da taxa Selic.

É natural os fundos de inflação apresentarem rentabilidades negativas em determinados meses, por isso, não é recomendado avaliar os retornos em janelas inferiores a 12 meses. Fundo de inflação não é fundo de renda fixa tradicional, sem volatilidade. Porém, em janelas de 12 meses, muito provavelmente seu dinheiro será corrigido pelo IPCA e terá ganho real.

Mesmo com a mudança da trajetória dos juros e a maior incerteza quanto à inflação, e consequentemente sobre o juro real, estes fundos continuam como uma boa opção de investimento para quem busca liquidez e proteção contra inflação no longo prazo.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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