O Tempo Reduz o Risco

Tenho falado muito sobre tolerância ao risco, prazos mais longos para investimentos e diversificação eficiente, devido às variações nos mercados de juros e ações. Também tenho recomendado que os investidores não avaliem as performances diariamente, pois este é o trabalho do gestor de recursos e sua equipe. O importante é alcançar o objetivo proposto no prazo estabelecido e não as movimentações de curto prazo.

Seguindo a mesma linha, vou explorar neste texto o tema relação risco e retorno. Não há ganhos reais sem riscos e, historicamente, as carteiras adequadamente diversificadas apresentaram consistentemente retornos no longo prazo, de acordo com seus níveis de risco.

Para os investidores, os riscos se manifestam de várias maneiras: o risco do preço das ações caírem muito, o risco da inflação corroer o poder de compra, o risco da instabilidade política, que afeta o mercado global, o risco da instituição quebrar, entre outros.

Focando na variação do preço das ações, para ilustrar como o tempo reduz o risco no longo prazo, preparei um gráfico, utilizando o histórico do índice Ibovespa. Observe que o mercado de ações é muito arriscado no curto prazo, mas o risco é minimizado em investimentos mais longos.

ÓramaBlog - O Tempo Reduz o Risco

Nos últimos 18 anos, desde 1995, a maior rentabilidade foi 152% em 1999 e a menor, -41%, em 2008, no auge da crise do mercado imobiliário americano.

Em janelas de dois anos, a maior rentabilidade anual, também analisada nos últimos 18 anos, foi de 54%, enquanto a menor, -14%. De -41% para -14%, a redução é de 27 pontos percentuais, o que é um número bem expressivo.

Numa janela de cinco anos a maior rentabilidade encontrada foi de 41% e a menor 1%, positivo. Em períodos ainda mais longos, de sete a 12 anos, não observamos mais rentabilidades negativas. A menor rentabilidade anual não ficou abaixo de 9% e a maior vai ficar entre 20% e 25%. Nem a inflação, nem o imposto sobre a renda estão sendo considerados nesta análise, mas confirmamos ganhos em mercado de renda variável no longo prazo e que em horizontes do investimento mais largos, menor a probabilidade de potenciais perdas.

Outra informação importante, resultante desta analise, é que a média das médias móveis é de pouco mais de 17% ao ano. Portanto investindo com gestores profissionais e aplicando em fundos de ações criteriosamente selecionados, podemos esperar retornos maiores no longo prazo.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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