O movimento da taxa básica de juros e seus investimentos

Na última reunião do Copom, a taxa básica de juros da economia (Selic) foi elevada a 9% ao ano. Só para lembrar, no início do ano a taxa era de 7,25% – o menor patamar registrado depois que os efeitos da crise de 2008 começaram a ser sentidos no país. Neste texto vamos analisar como os ciclos de baixa e alta dos juros afetam suas aplicações financeiras.

Ciclo de baixa (2011-2012)

2011
Para expandir o crédito, impulsionar o consumo e manter o crescimento da economia brasileira, o governo iniciou um ciclo de baixa de juros em agosto de 2011. Com este movimento, os títulos de renda fixa prefixados, como os do Tesouro (LTNs e NTN-Fs) e os CDBs dos bancos, se tornaram mais atrativos aos investidores. Também se valorizaram os títulos do Tesouro atrelados ao IPCA, por possuírem um componente de juros prefixados. Neste caso, quando os juros caem, os preços destes títulos sobem. Com essa mudança nos juros, ganharam os investidores detentores desses títulos e também os fundos de investimento que investiam em tais ativos.

2012
O ano passado foi o ano dos fundos de renda fixa índice – mais conhecidos como fundos de inflação – que renderam mais de 15%, sendo que alguns superaram os 30%, pois quanto mais distante o prazo de vencimento do título, maior a valorização de seus preços.

O mercado imobiliário também foi beneficiado pela queda nos juros que se perpetuou por 2012. O crédito mais acessível contribuiu para a alta dos preços dos imóveis. Ano passado também foi excelente para os fundos de investimentos imobiliários (FII). Com o setor aquecido e a taxa de juros em baixa, vários fundos novos foram lançados e, mesmo assim, muitos investidores não conseguiram aplicar, tamanha sua procura.

A estratégia do governo de reduzir a taxa de juros foi, em parte, bem sucedida; de fato o consumo cresceu, mas a expansão da oferta não acompanhou na mesma velocidade e, assim, os preços subiram, pressionando a inflação. Com a alta generalizada dos preços, principalmente dos alimentos e dos serviços, e as perspectivas de que esta tendência continuaria, o Banco Central se viu obrigado a iniciar novo ciclo de alta para a Selic.

Ciclo de alta 2013

Diante destas mudanças, os cenários macroeconômicos de janeiro e o atual são bem diferentes. A elevação dos juros afeta de forma significativa a rentabilidade de muitos investimentos. Títulos do Tesouro e outros produtos de renda fixa prefixados são muito sensíveis às mudanças na curva de juros. Os títulos prefixados, que foram beneficiados com o ciclo de baixa, estão sofrendo agora e as recomendações de profissionais feitas há um ano hoje podem não ser mais válidas. O impacto da antecipação do movimento das taxas de juros no mercado e as decisões tomadas pelo governo para estimular o crescimento afetam, sobretudo, as variações de curto prazo. Porém, se você pretende levar os títulos até a data de vencimento ou permanecer nos fundos por mais tempo, as perspectivas de alta para a Selic não devem te preocupar e pode ser, inclusive, um bom momento para aplicar.

No cenário atual, os títulos do Tesouro e CDBs pós-fixados são os mais indicados. Os investimentos em ações inicialmente também sofrem com a alta dos juros, pois quanto mais elevados os juros, mais difícil para as empresas. Porém, isso ocorre num primeiro momento. Depois, os números de faturamento e lucro são revisados e as companhias de qualidade, com administração competente, governança e modelos de negócios diferenciados continuam apresentando bons resultados e suas ações se valorizam. Assim sendo, este momento pode ser propício para aproveitar as oportunidades no mercado acionário.

A caderneta de poupança retornou à regra antiga e seu rendimento volta a ser 0,5% ao mês mais TR, ou pouco mais de 6,17% em um ano, não deixando mais dúvida que há investimentos melhores, seguros também, e mais rentáveis, como, por exemplo, os fundos DI com baixa taxa de administração. Taxas de administração superiores a 1%, quando cobradas por esta categoria de fundos, oneram os rendimentos. De qualquer maneira, se sua carteira de investimentos foi definida ou revista há mais de um ano, convém uma reavaliação de acordo com a nova conjuntura da economia e dos próprios mercados, que constantemente se atualizam e, com isso, surgem melhores produtos para a ocasião.

Há quanto tempo você não avalia seus investimentos? Como os movimentos da Selic estão afetando os rendimentos de sua carteira? Qualquer dúvida entre em contato comigo através do canal “Fale com a Sandra”, no site da Órama.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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