Estratégias que Fazem a Diferença

É difícil para os investidores entenderem como os fundos podem obter lucros quando as condições de mercado não parecem favoráveis, principalmente depois de um ano ruim e com retornos insatisfatórios. A reação mais imediata dos clientes é resgatar e migrar para produtos de renda fixa para se protegerem. Em ambiente de juro alto, este movimento até parece o mais acertado, todavia esta opção limita os ganhos, pois o investidor está abrindo mão de conseguir retornos absolutos no médio e longo prazos. Neste texto, minha intenção é mostrar como os fundos, sobretudo os das categorias multimercado e de ações, podem alcançar rentabilidades acima da renda fixa neste ano.

Esperamos que as oportunidades de um mercado global crescente possam impulsionar as exportações brasileiras, e, assim, promover uma melhora da nossa economia, na percepção de risco país e até na Bovespa. Por consequência, essas oportunidades também devem contribuir para que o desempenho dos fundos seja melhor, voltando a convergir para suas médias históricas.

Todavia não é apenas a força do motor do crescimento mundial que pode estimular a performance dos fundos em 2014. Há algumas estratégias que os gestores de fundos utilizam e podem incrementar as rentabilidades, independentemente da direção do mercado dos ativos negociados, produzindo retornos positivos mesmo se a retomada dos países desenvolvidos não se materializar. As estratégias principais são:

Operações táticas

São operações de curto ou médio prazo para aproveitar as distorções geradas por uma variação exagerada no preço de determinado ativo.

Um exemplo bastante atual é o consenso sobre a continuidade da valorização do dólar nos próximos anos. Em vez de montar uma posição de longo prazo, alguns gestores preferem comprar a moeda (em geral, através de contratos futuros) e ajustar o tamanho da posição conforme os movimentos mais bruscos do câmbio, ou seja, aumentando a posição quando o preço cai e diminuindo caso contrário. Com isso buscam reduzir o risco e maximizar os retornos.

A mesma estratégia alguns gestores têm adotado recentemente para operar juros no Brasil, após a alta ocorrida no ano passado que superou todas as previsões do mercado, inclusive a do governo. Venderam os títulos prefixados com vencimentos mais longos e começaram a operar com títulos mais curtos, que são menos voláteis, ajustando as posições quando identificavam prêmios ou maior risco na curva de juros.

Esta mesma estratégia pode ser adotada com ativos do mercado de ações e commodities.

Arbitragem Clássica

As ineficiências de mercado podem fazer com que um ativo seja negociado num mercado a um preço e em outro mercado, com outro preço. Assim sendo, a arbitragem pura consiste em obter lucros comprando determinado ativo onde o preço está mais barato e vendê-lo onde está caro. É uma operação sem risco, sem necessidade de capital e com lucros superiores à renda fixa.

Com o desenvolvimento dos sistemas de informação que varrem os mercados incessantemente e estão conectados aos principais centros financeiros do mundo à procura de distorções de preços de ativos, as arbitragens puras desapareceram. A velocidade dos sistemas exploram as distorções tão rapidamente e os preços convergem imediatamente. Todavia ainda é possível arbitrar no mercado de derivativos com opções e contratos futuros e também no mercado de renda fixa, sobretudo com títulos públicos livres de risco.

Outras arbitragens

Estas arbitragens envolvem risco, pois a convergência de preços pode não ocorrer como esperado. Nem mesmos os algoritmos muito sofisticados garantem que as convergências de preços ocorrerão.

Alguns exemplos da utilização da arbitragem são explorar as distorções de preços de ações listadas em mais de uma bolsa, e também entre ações e recibos de depósito (ADR, BDR) que podem ocorrer pela diferença dos horários, negociação e de câmbio.

Outra utilização de arbitragem é a operação com pares, por exemplo, vender a ação do banco Alfa e comprar a do banco Delta, pois uma ação está mais valorizada em relação à outra e não há fundamentos que sustentem a existência do prêmio. Ou quando a relação histórica entre os preços de dois ativos está fora do padrão, acima ou abaixo do observado por muito tempo. A estratégia com pares também é conhecida como Long and Short.

Estudos baseados nos preços históricos de ativos e realizados no mercado americano mostraram que a utilização da estratégia de arbitragem de pares é significativamente melhor do que a tradicional estratégia de comprar e manter os ativos (buy-and-hold). Este resultado comprova que investir através de fundos de gestores independentes pode ser mais rentável do que aplicar os recursos por conta própria. Os gestores têm acesso a vários mercados, informações, rapidez na execução das ordens e volume para operar. Estas são algumas das razões pelas quais aplicar em fundos em qualquer cenário expande seus horizontes de investimentos. Permite que você participe dos mercados de forma mais profissional e se beneficie com resultados maiores no médio e longo prazos.

Se você pensa em investir em fundos multimercado, renda fixa ou fundos de ações e tiver alguma dúvida, entre em contato comigo através do canal “Fale com a Sandra”, no site da ÓRAMA.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s