20 anos do Real e seus Investimentos

Com o aniversário do Plano Real, muitas análises sobre os últimos 20 anos estão sendo feitas. Entre elas, os avanços realizados, as políticas implementadas e, como não poderia ficar de fora, os ganhos alcançados pelos investidores. É justamente sobre o desempenho dos investimentos nesses últimos 20 anos que vou tratar neste post.

Neste período, o Ibovespa, principal índice de referência no Brasil para os investidores de renda variável, teve um ganho real 221% (dado levantado pela revista exame no dia 01/07/2014), ou seja, este foi o ganho líquido depois de descontar a inflação. Assim sendo, quem investiu no índice ganhou o dobro do que teria conseguido se tivesse investido na poupança, porém não podemos afirmar que foi um bom investimento. O resultado do índice é considerado fraco. Por ser um investimento de risco elevado, para satisfazer o apetite dos investidores, o Ibovespa precisaria ter atingido uma rentabilidade real correspondente a aproximadamente duas vezes a rentabilidade dos investimentos em renda fixa pós-fixada – aqueles que seguem a variação do CDI. Ao invés disso, enquanto o ganho real da bolsa foi de 221%, os investimentos em renda fixa pós-fixada alcançaram 631,7% de ganho real (inflação já descontada).

Falando de inflação, o total registrado nestes últimos 20 anos foi de 359,89% conforme IPCA do período – índice oficial de inflação divulgado pelo IBGE. Porém, a cesta de consumo de cada indivíduo é diferente e pode conter mais ou menos produtos e serviços que registraram inflação muito superior à calculada pelo IBGE. Por exemplo, alguns alimentos subiram mais de 1.000% no período, serviços, como consultas médicas e dentárias registraram alta de mais de 450%. Passagens aéreas, estacionamento e aluguel tiveram seus preços aumentados em mais de 700%. Assim, o ganho real de grande parte dos investidores pode ser menor do que o mencionado acima, dado que as rentabilidades reais calculadas utilizam a inflação oficial.

Mesmo que o investidor tenha sentido no bolso o impacto de uma inflação mais alta, quem investiu em títulos públicos ou privados de renda fixa não perdeu poder de compra, mas também não realizou ganhos expressivos.

Entre os investidores em ações, muitos não atingiram os ganhos esperados, apenas aqueles com carteiras de ações selecionadas ou bons fundos de investimento alcançaram boas valorizações. Por exemplo, o fundo de ações IP Participações, que tem um histórico bem longo, registrou alta real de 1.580% no período. A diversificação e a boa seleção de produtos financeiros são fatores fundamentais para a realização de ganhos expressivos. As carteiras bem equilibradas são capazes de passar por crises com maior tranquilidade, já que, mesmo diante dos piores cenários, com uma boa diversificação, não são todos os ativos que se desvalorizam.

Ao longo destes 20 anos, muitos acontecimentos afetaram o desempenho dos investimentos, como as diversas crises externas pelas quais passamos, começando com a mexicana em 1994, passando pela crise da Ásia em 1997, da Rússia em 1998, da Argentina em 2001, do subprime, iniciada com a quebra do Lehman Brothers em 2008 e que se desdobra até os dias de hoje, sem falar nas questões internas.

O investidor que busca ganhos significativos e acima da inflação deve diversificar suas aplicações e realizar revisões periódicas de sua carteira. O intervalo aconselhável é de seis meses a um ano, dependendo do grau de mudanças da conjuntura global. Os investidores que compram ações diretamente devem acompanhar os investimentos com maior frequência, pois as modificações necessárias dependem dos últimos acontecimentos e das expectativas para os próximos períodos.

Fora a diversificação e as revisões periódicas, a aplicação de pelo menos 10% do valor da carteira em ações ou fundos de ações selecionados, como Órama JGP Equity ou o Órama IP Participações, contribui para fazer o patrimônio do investidor rentabilizar acima da inflação. Aliás, são aplicações de maior risco, geralmente em renda variável, que possibilitam ao investidor o aumento de patrimônio.

Se precisar de ajuda para montar uma carteira diversificada de acordo com sua idade, perfil e recursos disponíveis ou se estiver precisando revisar seus investimentos, fique à vontade para me enviar uma mensagem através do canal Fale com a Sandra, no site da Órama.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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