Confisco de Aplicações: Por que não Acreditamos

No mês passado, a pergunta mais frequente que recebi pelo canal “Fale com a Sandra” foi sobre a possibilidade de ocorrer confisco dos investimentos – também chamado de sequestro de bens -, como aconteceu na época do governo Collor, em 1990. Entendo a preocupação dos investidores, porém a possibilidade de acontecer novamente é muito remota.

Neste post você encontrará os principais pontos que explicam por que não deverá ocorrer confisco de aplicações financeiras. Vou também mostrar a importância de seguir uma estratégia de investimento bem definida.

Democracia brasileira

Diferente de alguns países vizinhos, o Brasil tem um processo democrático amadurecido, onde a liberdade individual é respeitada e há liberdade para contestar e criticar decisões de governantes. Basta lembrarmos a quantidade de protestos que ocorreram no ano passado, que começou com a alta dos preços dos transportes.

O governo preocupado com a magnitude dos movimentos reagiu engendrando medidas destinadas a acalmar ânimos na proximidade da Copa e eleições, alocando recursos para mobilidade urbana, educação e saúde. Com isso, evitou a proliferação dos movimentos que poderiam se propagar por outros Estados e camadas da população.

Ambiente econômico

Quando Collor confiscou os depósitos e aplicações financeiras, o objetivo era conter a inflação que caminhava a passos largos na época. A medida imposta trouxe consequências ainda mais severas ao ambiente econômico.

Atualmente, a economia do país não cresce com a sustentabilidade desejada e a inflação segue persistentemente próxima do teto da meta. Todavia, a situação corrente não chega perto do cenário econômico dos tempos de inflação galopante, quando se aproximava de  2.000% ao ano.

Devemos acrescentar também que o ocorrido no governo Collor não tem precedente na história econômica capitalista recente. Nem na Alemanha do pós-guerra ou em Israel tivemos medidas semelhantes quando a inflação se alastrava solta. E, como dissemos, a situação presente, em que pese a deterioração, não exige posturas radicais por parte do próximo governo.

Outros pontos de vista

Gestores e economistas conceituados no mercado também não consideram a possibilidade do governo tomar medidas radicais para estabilizar a inflação. O consenso geral é de que a economia está desaquecida, que o governo eleito terá que tomar medidas severas, mas que há oportunidades para fazer aplicações financeiras.

Nestes dias, coincidentemente após a circulação de um relatório bastante pessimista sobre o futuro do Brasil, tive uma reunião com um gestor de um fundo de ações – profissional que possui mais de 30 anos de experiência de mercado e diversas especializações fora do país. Ele me explicava sua estratégia de gestão, como estava obtendo retornos e também quais as suas perspectivas para os próximos anos.

Também partilhava da opinião de que apesar da economia estar fraca, não acreditava que o governo fizesse confisco de bens. Sua posição é de que o pessimismo dos agentes já está precificado nos ativos e, assim, não devemos experimentar depreciações generalizadas nos valores dos investimentos.

Depois de ler o relatório e participar da reunião, tive a sensação de ter transitado em dois mundos diferentes naquele dia. Um, mais profissional, movido por experiência e muita análise. O outro, mais pessimista, parece movido pelo medo.

O reflexo de atitudes precipitadas nos investimentos

O que realmente me preocupa no momento é que as pessoas deixam de fazer novas aplicações, resgatam seus investimentos ou fazem movimentações bruscas em suas carteiras.

No início do ano, quando a bolsa estava caindo, tive uma cliente que resgatou todos os seus investimentos em ações e fundos multimercado e migrou para produtos de renda fixa. Conversamos, orientei que ela mantivesse as posições, mas diante do cenário pessimista ela decidiu levar adiante sua decisão e zerar suas posições em fundos, mesmo tendo planos de longo prazo.

No início deste mês, fiz uma revisão de sua carteira, que teve desempenho de 5,96% em 12 meses, um resultado bastante abaixo do esperado. Todavia, se ela não tivesse se desesperado no momento de queda dos ativos e mantido o dinheiro aplicado nos bons produtos que escolhemos, o retorno da carteira teria sido de 13,13% nesses mesmos 12 meses – mais do que o dobro do resultado atingido.

Se esta mesma cliente tivesse realizado as aplicações um ano antes e as mantido, em 24 meses sua carteira de investimentos teria rendido 22,63%, um bom resultado dado que o ano passado foi ruim para os investimentos em bolsa e renda fixa prefixada.

Considerações finais

Independentemente do cenário político que possa se configurar como árido nos próximos meses e do caminhar da nossa economia, não acreditamos na possibilidade de sequestro de bens, nem mesmo que o país vá se encontrar em meio  a um caos econômico. Assim, o investidor deve manter seu plano de investimento.

Uma carteira de investimentos bem diversificada é capaz de entregar bons resultados no médio e longo prazos, mesmo nos cenários mais adversos.

Se você precisar de alguma orientação para escolher melhor seus investimentos ou tiver dúvidas sobre a diversificação da sua carteira, entre em contato comigo através do canal “Fale com a Sandra”, no site da Órama. Estou à disposição para orientá-lo(a).

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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