Fundos de Investimento: O que Você Precisa Saber Antes de Investir – Parte 1

Muitas pessoas decidem gerenciar por conta própria seus investimentos sem compreender como funcionam os produtos nos quais estão aplicando. Este fato leva muitos investidores a se decepcionarem com os resultados das aplicações, consequência da falta de conhecimento de alguns pontos básicos sobre o tema.

Pensando nas pessoas que estão iniciando seus investimentos em fundos, preparamos este conteúdo a fim de ajudá-las a esclarecer as principais dúvidas sobre o tema. Depois de ler este post, acredito que você será capaz de afastar os medos que surgem antes e logo após as primeiras aplicações, além de fazer melhores escolhas. Vamos aos primeiros pontos!

1. Diferentes categorias dos fundos de investimento

Os fundos de investimento se dividem em três principais categorias: curto prazo, longo prazo e ações.

Fundos de curto e longo prazo

Na categoria de curto prazo se enquadram os fundos de renda fixa que possuem títulos com prazo de vencimento médio de 365 dias em sua carteira. Na categoria de longo prazo estão os fundos de renda fixa que possuem títulos mais longos e os fundos multimercado, que podem investir tanto em ativos de renda fixa como de renda variável, como ações e commodities.

Fundos de ações

Os fundos de ações são aqueles que possuem pelo menos 67% de sua carteira de aplicada em ações e seus derivativos. Há ainda outros fundos com estratégias mais sofisticadas e não recomendados para qualquer perfil de investidor, como fundos imobiliários.

2. Expectativa de retorno

Uma vez que o investidor sabe que existem diferentes categorias de fundos de investimento, o ponto mais importante, na minha opinião, é saber o quanto esperar de retorno dos investimentos.

Não existe aplicação com rendimento de 3% ou 4% ao mês como muitos imaginam e/ou desejam. Se alguém oferecer isso a você, desconfie. A possibilidade de estar sendo enganado é grande.

Como avaliar a rentabilidade de um fundo

Para ter noção do quanto é justo e razoável obter de rendimentos e ganhos com aplicações no mercado financeiro, você deve fundamentar suas expectativas na taxa básica de juros, a Selic.  Isso porque a rentabilidade de qualquer produto é composta por esta taxa – também conhecida como custo de oportunidade – mais um prêmio pelo risco, ou seja, rentabilidade adicional pela disposição de correr mais risco.

Quanto maior o prêmio pelo risco, maior poderá ser a rentabilidade alcançada. O outro lado da moeda é que quanto mais risco, maior a chance de variações negativas.

Dado o atual patamar da taxa Selic – 11% ao ano – se descontarmos uma taxa de administração de 1% (taxa justa cobrada por um Fundo DI), além de 15% de imposto de renda, o retorno esperado líquido de uma aplicação de baixo risco não deve ultrapassar 8,5% por ano, o que equivale a 0,7% por mês. Levando em conta uma inflação de 6,5% ao ano, o ganho real desta aplicação é de 2% ao ano. Portanto, qualquer ganho acima deste valor tem risco embutido.

3. Risco X retorno

Para obter melhores retornos é preciso estar disposto a correr mais riscos. Isso porque, como coloquei no tópico acima, o retorno de um investimento é proporcional ao risco que o investidor se dispõe a tomar.

Volatilidade como medida de risco

Uma maneira de verificar o risco do fundo ou de sua carteira de investimentos é observar a volatilidade histórica, uma medida estatística muito utilizada pelo mercado. Volatilidade é quanto um investimento pode desviar de sua média de rentabilidade, positivamente ou negativamente. Ou seja, se a volatilidade anualizada de um fundo é de 3% e a rentabilidade média anual é 10%isso significa que ele pode render num ano 7% ou 13%.

Na Órama, classificamos como conservadores os investimentos com volatilidade anualizada de até 3%, como moderado os com volatilidade entre 3% e 8% e como agressivos aqueles com volatilidade acima de 8%.

O perigo de “seguir as estrelas”

Sem observar a volatilidade dos produtos em que aplicam é comum que investidores iniciantes apliquem nos produtos que mais renderam nos últimos meses ou ano. Este é um erro comum que gera insatisfação com os resultados das aplicações.

É preciso lembrar que retornos passados não garantem resultados futuros. Por exemplo, se um fundo cambial registrou alta de 25% num ano, não quer dizer que este resultado se repetirá no ano seguinte. O retorno é resultado de uma combinação de variáveis da economia que mudam de um período para o outro.

Uma vez observado o risco, o investidor deve analisar qual o retorno histórico do mesmo. Ao escolher produtos da mesma classe, como um fundo de renda fixa, por exemplo, prefira aquele com melhor rentabilidade esperada. As diferenças podem ser pequenas a princípio, como na comparação da poupança com um fundo de renda fixa, mas no longo prazo são significativas.

4. Taxas e custos

Os custos são determinantes na hora de escolher as aplicações para o seu dinheiro. Ao comprar ações você paga diferentes taxas como a de corretagem, por exemplo Para investir em fundos, paga-se taxa de administração.

Taxa de administração

A taxa de administração é o valor que remunera o gestor, o administrador e o custodiante. É uma taxa anual que incide sobre o patrimônio do fundo, porém descontada diariamente para minimizar seu efeito sobre a rentabilidade. Vale ressaltar que as rentabilidades divulgadas são líquidas desta taxa.

Como a taxa de administração varia muito entre as diferentes categorias de fundos disponíveis no mercado, os investidores ficam confusos na hora de escolher. Entendendo o motivo da cobrança de cada taxa e como estas impactam os resultados dos investimentos, você não vai mais confundir taxas altas com taxas justas.

Confira este vídeo que explica sobre taxa de administração:

Quanto pagar pela taxa de administração

A taxa de administração dos fundos passivos, ou seja, aqueles que acompanham um determinado índice, como o CDI ou Ibovespa, deve ser bem baixa, inferior a 1% ao ano porque esse tipo de fundo exige um esforço da equipe de gestão.

No caso de fundos ativos, ou seja, aqueles que exigem um trabalho mais intenso da equipe de gestão, como os fundos de ações ou multimercado, é razoável pagar entre 2% e 4% ao ano para alcançar maiores retornos e ter acesso a diferentes mercados, como o de derivativos e o mercado global.

Taxa de performance e de saída

Além da taxa de administração, há fundos que cobram taxa de performance e taxa de saída.

A taxa de performance  pode ser cobrada semestralmente, quando o fundo supera seu objetivo de rendimento. Essa taxa funciona como um “prêmio” ao gestor por ter superado a meta de rentabilidade do fundo. Vale colocar que a taxa de performance incide apenas sobre a rentabilidade excedente ao objetivo do fundo.

Já a taxa de saída é cobrada por fundos que permitem a saída antecipada, ou seja, quando o investidor precisa do valor investido antes do prazo de resgate estabelecido pelo fundo.

5. Imposto (tabelas e come-cotas)

A tributação de fundos de investimento difere de acordo com a classificação dos mesmos, ou seja, de curto ou longo prazos e de ações.

Imposto para fundos de curto prazo

Os fundos de curto prazo – aqueles que possuem carteiras com prazo médio de 365 dias – são tributados de acordo com a tabela regressiva de curto prazo abaixo.

Tabela de curto prazo

 

Os recursos que permanecem aplicados por um prazo de até 180 dias pagam imposto de renda de 22,5% sobre os rendimentos. As aplicações superiores há 180 dias pagam imposto de 20% também sobre os ganhos com o investimento. Isso significa dizer que, em ambos os casos, você só paga imposto sobre os lucros. Imposto para fundos de longo prazo

Os fundos de longo prazo são tributados de acordo com a tabela regressiva de longo prazo, ou seja, a alíquota de imposto é menor conforme o tempo que o dinheiro ficar aplicado. Assim, as aplicações de até 180 dias pagam imposto de 22,5%. As aplicações de 181 a 360 dias pagam 20% de imposto de renda. Os recursos que permanecem aplicados no mesmo produto por prazo entre 361 e 720 dias são tributados em 17,5%. Já as aplicações acima de 721 dias pagam 15% de imposto de renda.

Tabela de longo prazo

Come-cotas

Os fundos de investimento de curto e longo prazo têm cobrança antecipada de imposto de renda, o que é conhecido no mercado como come-cotas. Duas vezes ao ano, sempre em maio e novembro, é descontada a alíquota mínima de imposto de renda de acordo com a classificação do fundo sobre os rendimentos do período, 20% para os fundos de curto prazo e 15% para os de longo prazo.

Recolhimento do imposto

Em qualquer investimento em fundos, você não precisa se preocupar com o recolhimento de impostos, pois o IR devido sobre rendimentos e ganhos em aplicações em fundos é retido na fonte.

No momento em que você solicitar o resgate da aplicação, o administrador do fundo calculará a diferença entre o imposto já pago e o devido até aquele momento, conforme o tempo da aplicação, de forma a ajustar o valor.

Quando pagar o IOF

Os ganhos com a aplicação de recursos que permanecem investidos por um prazo inferior a 30 dias, seja em fundos de curto ou longo prazo, pagam IOF. A cobrança do IOF é regressiva e inversamente proporcional ao número de dias em que os recursos permanecem aplicados. Assim, é mais alta para as aplicações de um dia e vai sendo reduzida até chegar a zero para os valores investidos por prazos superiores a 30 dias.

Tabela de IOF

Imposto para fundos de ações

Os fundos de ações são tributados à alíquota de 15% sobre os ganhos de capital no resgate parcial ou total, independentemente do período que o dinheiro ficar investido

Fundos isentos de IR

A maioria dos fundos disponíveis no mercado é tributada pela Receita Federal. Contudo, os fundos imobiliários são beneficiados com isenção de imposto de renda, como forma de fomentar o mercado imobiliário.

Ao investir em fundos imobiliários de incorporação, o investidor é isento do imposto de renda desde que permaneça no fundo até o seu encerramento. Nos fundos imobiliários de renda de aluguel e de papéis do setor imobiliário, os rendimentos distribuídos são isentos de IR.

Nos três casos, o investidor não pode resgatar os valores aplicados, pois estes são fundos fechados – tipo de fundo que não permite movimentações. Se precisar do dinheiro investido  é possível negociar as cotas do fundo na bolsa. Em geral, estes ativos não têm muita liquidez, ou seja, pode ser difícil conseguir vendê-los. Todavia, se você vender as cotas do seu investimento com lucro, o ganho será tributado em 20%.

Para aprender mais

Estes foram os primeiros cinco pontos sobre fundos de investimento que todo investidor deve conhecer para tomar melhores decisões sobre suas aplicações. Na próxima semana, você encontrará aqui no blog um novo post com os outros cinco pontos que você deve saber para alcançar melhores resultados e evitar decepções com seus investimentos.

Caso ainda tenha alguma dúvida sobre o conteúdo deste post ou sobre a onde aplicar seu dinheiro, estou disponível para conversarmos através do canal “Fale com a Sandra”, no site da Órama.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

2 comentários em “Fundos de Investimento: O que Você Precisa Saber Antes de Investir – Parte 1

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