Fundos de Investimento: O que Você Precisa Saber Antes de Investir – Parte 2

A Serasa Experian é responsável por calcular o Índice Nacional de Educação Financeira (IndEF). O levantamento mais recente divulgado pela instituição mostrou que o país não evoluiu no tema uma vez que o IndEF de 2014 se manteve no mesmo patamar de 2013, com seis pontos. Diante desse resultado, confirmo meu posicionamento de que a educação financeira tem muito a evoluir no Brasil.

Entretanto, a educação financeira também passa pela educação do investidor, um dos comprometimentos do Órama Blog. Neste sentido, em meu último post, Fundos de Investimento: O que Você Precisa Saber Antes de Investir – Parte 1, escrevi sobre cinco dos dez pontos que considero que todo investidor de fundos deve saber antes de investir. Neste post vou tratar sobre os demais. Acredito que, de posse deste conhecimento, qualquer um é capaz de fazer melhores escolhas sobre seus investimentos.

6. Horizonte de longo prazo

Você não deve investir em um produto agressivo se não poderá deixar o dinheiro aplicado por mais de cinco anos, independentemente de seu apetite pelo risco. Também não deve aplicar em um produto de risco moderado se vai utilizar o dinheiro em menos de três anos. Caso seu perfil de risco e horizonte para aplicação não estejam alinhados, as chances de se decepcionar são muito grandes.

O investidor que busca maiores retornos precisa arriscar mais, porém é preciso ter também horizonte de tempo mais longo para alcançar o objetivo.

Não conte em fazer fortuna da noite para o dia. Somente alguns raros indivíduos realizaram tal proeza. Os investidores que conseguem isto se arriscaram muito e, provavelmente, atingiram um nível de risco intolerável para o investidor comum. Procurar a galinha dos ovos de ouro ou fazer day trade como caminho para alcançar retornos extraordinários não é a melhor escolha.

Quem deseja acumular patrimônio deve ter um horizonte de investimento de longo prazo e manter uma carteira com, no mínimo, 10% das aplicações em produtos de renda variável selecionados.

7. Não deixe os ruídos atrapalharem seu plano

Investidores podem até administrar sozinhos a aplicação de seus recursos, mas para otimizar a gestão destes precisam dedicar muitas horas a esta tarefa. Só assim são capazes de acompanhar o andamento dos mercados, fazer as pesquisas necessárias e aprimorar o conhecimento para praticar estratégias mais sofisticadas em busca de retornos mais consistentes.

Ajuda profissional é a melhor saída

Diante da correria do dia a dia com a consequente falta de tempo de grande parte dos investidores, a melhor saída é contar com a ajuda de um profissional qualificado que se dedique inteiramente à gestão de recursos.

Ao confiar suas aplicações a um profissional, o investidor pode-se evitar a tomada de decisões baseadas nas emoções, já que quem está à frente da escolha dos investimentos é o gestor.

Quando as emoções geram perdas

Infelizmente é comum observar investidores que resgatam suas aplicações em bons fundos quando estes apresentam rentabilidades abaixo do esperado por um ou dois meses. Ao fazer isto, o investidor realiza as perdas, além de perder a chance de recuperá-las no médio e longo prazo.

Por exemplo, no caso de investir em um fundo de ações e ter prejuízo, se   o investidor resgatar seus recursos e aplicar em um produto de renda fixa, muito dificilmente conseguirá recuperar essa perda.

O perigo de “seguir as estrelas”

Do outro lado, também há muitos indivíduos que tomam a decisão de investir em um produto apenas porque este teve um bom desempeno durante o período anterior.

Este tipo de decisão é baseado na expectativa de que aquele retorno se repita nos próximos períodos e não considera os fatores racionais, como qual o risco daquele ativo, por exemplo.

8. Diversificação

Possuir uma carteira de investimento com muitos produtos frequentemente significa que pouco foi pensado sobre a harmonia do conjunto. Pior ainda é não atingir uma performance consolidada desta alocação de recursos, ou seja, conseguir enxergar o todo, sabendo quanto foi a rentabilidade consolidada de todos os seus investimentos. A tarefa de manter o registro de muitos extratos e organização da papelada se torna um pesadelo para os investidores e contadores. Como resultado, investidores acabam olhando para as contas e investimentos como elementos independentes e não como um todo. Este procedimento é conhecido nas Finanças Comportamentais como “contabilidade mental” e pode prejudicar o resultado dos investimentos no longo prazo.

A eficiência da diversificação dos fundos

O investidor de fundos de investimento evita este tipo de comportamento, pois entrega o gerenciamento dos ativos que compõem a carteira a uma equipe de profissionais qualificada para tal. Assim, mesmo que você possua recursos para investir em um único fundo, conseguirá manter uma carteira diversificada com coerência.

Uma carteira diversificada eficientemente mantém o equilíbrio da relação risco x retorno

Ainda é valido salientar que determinados produtos podem fazer sentido para alguns investidores, mas para outros podem não ser a melhor alternativa. Previdência privada e produtos com isenção fiscal como fundos imobiliários ganham de um lado, mas perdem de outro. Por isso é preciso saber exatamente o que se busca e ter um plano antes de tomar a decisão. Não invista só porque seu vizinho já aplicou.

9. Prazo de resgate e carência

No momento de escolher um fundo para aplicar, você deve se atentar para a liquidez do mesmo, ou seja, em quanto tempo o dinheiro ficará disponível em sua conta após a solicitação de resgate. Existem fundos que pagam o resgate no mesmo dia ou no dia seguinte, como o Órama DI Tesouro Master, e existem fundos com prazos de resgates mais longos, como, por exemplo, 90 dias.

Como a estratégia do fundo impacta o resgate

Os fundos que empregam estratégias mais simples e investem em títulos ou ações mais líquidos podem ter liquidez diária ou prazos de resgate mais curtos como três ou quatro dias.

Por outro lado, é comum em investimentos mais sofisticados, que envolvem maior risco, prazos de resgates mais longos. Este é um mecanismo para evitar que grandes resgates ou movimentos de manada obriguem o gestor a se desfazer de posições antes do tempo, gerando prejuízo para o fundo e para os demais cotistas.

Como funciona o resgate de um fundo

Quando você aplica em fundos de investimento, há três datas importantes no momento de resgatar seus recursos: a de solicitação do resgate; a de cotização do resgate, quando as cotas são efetivamente convertidas em reais; e a data da liquidação financeira, ou seja, dia em que o dinheiro estará disponível na conta para retirada (data do pagamento do resgate).

O valor a ser recebido é o valor acumulado até o dia da cotização do resgate, ou seja, se houver ganho ou perda entre a data de solicitação do resgate e a de cotização, o valor pago poderá ser diferente daquele solicitado pelo investidor.

Carência em fundos

A grande maioria dos fundos disponíveis no mercado não possui carência, ou seja, não exige que os recursos permaneçam aplicados por um determinado prazo antes que o investidor possa solicitar o resgate. Apenas alguns fundos com estratégia mais complexas, como fundos imobiliários, por exemplo, têm carência, obrigando o investidor a permanecer com o investimento durante o prazo combinado.

10. Mantenha a disciplina e invista regularmente

O investidor que se prepara para a aposentadoria e/ou deseja acumular patrimônio deve criar o hábito de fazer aportes constantes em suas aplicações. Assim, não precisa se preocupar com o momento certo para aplicar e estará praticando a estratégia do preço médio, ou seja, umas vezes aplica no fundo  quando a cota está alta e outras quanto está baixa.

Em geral, os investidores bem sucedidos possuem a disciplina como característica comum.

O investimento como a primeira conta a pagar

Minha sugestão é que os investimentos sejam tratados como uma conta a pagar e, para isso, reserve periodicamente uma quantia para aplicar. Pode ser mensalmente, a cada semestre ou uma vez por ano.

Mantenha sempre o plano

Lembre-se ainda que, caso tenha aplicado em produtos com um risco maior, é preciso manter a disciplina também frente aos possíveis resultados negativos no curto prazo, pois resgatar tudo não é a melhor alternativa.

Mantenha seu plano fazendo os aportes sistematicamente que no longo prazo (cerca de cinco anos) verá os resultados. Variações negativas de curto prazo fazem parte do percurso de quem busca retornos mais altos.

Conte com a minha ajuda

Acredito que depois de ler esse texto, você está melhor preparado para realizar os seus investimentos. Mas, caso você ainda tenha dúvidas, entre em contato comigo através do canal “Fale com a Sandra”, no site da Órama.

Bons investimentos e até a próxima!

Para ler o texto com os primeiros pontos que todo investidor de fundos deve saber antes de investir, clique aqui.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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