Quanto vou ganhar com meus investimentos?

A necessidade de saber exatamente quanto um fundo ou outro produto financeiro irá render em um determinado período de tempo demonstra a falta de confiança dos investidores e o pouco conhecimento que têm sobre como funciona o mercado financeiro.

Uma das perguntas que eu mais recebo, através do canal “Fale com a Sandra”, é sobre quanto o investimento vai proporcionar de retorno. Alguns investidores querem saber o retorno que terão no mês, outros quanto alcançarão no médio ou no longo prazos.

Diante desta demanda constante, resolvi escrever esse post com o objetivo de pontuar por que não temos como saber exatamente quanto iremos ganhar com um determinado investimento.

Os cenários mudam

Não é possível antecipar precisamente o que vai acontecer e dizer exatamente quanto um ativo irá render, mas é o conhecimento do passado que nos permite identificar o risco embutido nos produtos financeiros. Risco, na sua definição mais simplista, é a possibilidade de não obter o retorno esperado ou perder parte do capital investido.

Apesar dos retornos serem incertos, os riscos podem ser controlados. Conseguimos minimizar o risco diversificando e aplicando em ativos de baixa correlação, pois, em geral, enquanto um investimento estiver perdendo, o outro estará ganhando.

É importante colocar que até mesmo os mais competentes economistas cometem erros de previsão. Assim sendo, um bom gestor de recursos é aquele que, na média, registra mais acertos do que erros e é através do histórico de retornos que podemos identificar isto.

Ganhos expressivos exigem paciência

Quando o mercado é observado em longos períodos, seu movimento é exatamente como esperado, pois a relação entre o risco e o retorno é algo que não muda. Quanto maiores os riscos assumidos, maiores as possibilidades de altos retornos.

Assim, os investimentos que podem apresentar melhores rentabilidades invariavelmente carregam risco e as aplicações mais seguras quase sempre apresentam retornos baixos. No entanto, no Brasil é diferente.

Por que no Brasil é possível ser conservador e alcançar altos retornos?

Por aqui o investidor consegue aplicar o dinheiro em produtos de baixo risco e obter retorno líquido de mais de 10% de ao ano.

Mesmo com a inflação alta, ultrapassando o teto da meta de 6,5%, o retorno real, ou seja, a rentabilidade depois de descontada a inflação, ainda é bastante atraente.

Isso por que nossa taxa básica de juros, a Selic, é a maior entre as principais economias do mundo. Por isso, vale a pena nos aproveitarmos deste fato diversificando também em produtos conservadores.

Para ganhar com ações, é preciso conhecer o mercado

Por outro lado, se avaliarmos o desempenho dos últimos cinco anos do Ibovespa, o principal índice de ações brasileiro, a rentabilidade não é boa. Este fato é explicado pelo peso importante no índice de empresas que têm sofrido com ingerência governamental, como Petrobras e as empresas do setor elétrico.

Diante disso, o nosso mercado acionário exige uma maior seleção de ativos de acordo com os quadros econômicos e os profissionais mais indicados para esta função são o gestor de recursos e sua equipe, que se dedicam a analisar o mercado em buscar das melhores oportunidades e que têm acesso a sofisticadas ferramentas e informações que o investidor comum não tem.

A estratégia de comprar e manter o investimento sem pensar em vender no médio e longo prazos (buy and hold) não está funcionando aqui há bastante tempo. Pense, por exemplo, em Petrobrás e Vale. É por isso que os retornos dos fundos de ações têm, em geral, superado a variação do Ibovespa.  De qualquer maneira, é preciso paciência para obter altos retornos. A imagem abaixo ilustra um fundo com histórico longo versus o Ibovepa:

Rentabilidade de um fundo de ações com gestão ativa x Ibovespa em 18 anos

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Horizonte de tempo

Se você investe com a intenção de utilizar este dinheiro daqui a 10 anos ou mais, não pode prever os ganhos futuros, mas estatisticamente alcançará bons retornos em fundos multimercado e de ações.

Muitos estudos mostram que mesmo que um fundo tenha apresentado um desempenho extraordinário ao longo dos anos, a média do retorno obtido pelos seus investidores foi significativamente menor do que o entregue pelo próprio fundo.  Este resultado é explicado pelo fato de que a maioria dos investidores resgatam seus investimentos em períodos mais difíceis.

Ao resgatar em momentos de baixa, além de sair dos fundos perdendo, os investidores anulam as oportunidades de retornos futuros. Ao invés de sair na baixa, a melhor estratégia para retornos excelentes é comprar mais bons ativos quando estes estão em queda. Mas, comprar quando os preços estão baixos é sempre uma proposta arrepiante, afinal, os preços só ficam baixos após uma crise ou uma tragédia.

É importante colocar também que uma forte perda no mercado de ações só será recuperada com ações. Ou seja, não é possível sair de um fundo de ações e ir para a renda fixa achando que você ganhará seu dinheiro de volta. Por isso que investir em renda variável exige sangue frio, tanto na hora da compra quanto na hora de manter o investimento.

Para finalizar

Não há como prever exatamente quanto sua aplicação vai rentabilizar nos próximos meses ou anos, mas é possível montar uma carteira equilibrada com objetivo de obter bom retorno no longo prazo.

Entretanto, para isso é preciso diversificar e manter o foco para atravessar os momentos ruins. Como diz Warren Buffet, um dos maiores investidores do mundo, o segredo de um grande investidor é saber segurar as emoções.

Caso você ainda tenha alguma dúvida sobre o que esperar da rentabilidade dos investimentos que compõem a sua carteira, entre em contato comigo através do canal “Fale com a Sandra”, no site da Órama.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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