Você considera a inflação no seu planejamento financeiro?

A maioria dos investidores, ao elaborar suas estratégias de investimentos, não leva em conta o impacto da inflação no seu plano financeiro. Em 2015, muito provavelmente, a inflação oficial será superior à 8% e a inflação de serviços deve ultrapassar 10%.

Neste post, vou comentar a importância dessa variável nos planos financeiros.

O peso da inflação 

A inflação é uma variável de grande peso no planejamento financeiro, principalmente quando é alta, como no Brasil. O motivo é que ela corrói o poder de compra da moeda. Por isso, quanto mais distante a data para se alcançar determinado objetivo, maior é o impacto da inflação no preço de bem ou serviço.

Os valores de cada objetivo devem ser estimados considerando a inflação esperada para o período.  Por exemplo, se você quer comprar um carro daqui a dois anos e hoje ele custa R$ 30 mil, você deve se preparar para pagar um valor maior que esse.

Ao estimar uma inflação de 6% ao ano, o valor de seus objetivos para o prazo de cinco anos deve sofrer uma correção mínima de 34%. A correção pode ser ainda maior que esta, pois sabemos que muitos preços aumentam mais do que a da inflação oficial. Já para objetivos com horizonte de dez anos, a diferença entre os preços será de mais de 70% – mantendo a projeção de inflação de 6% ao ano.

Por isso, se hoje um milhão de reais atende às suas necessidades e com esse montante você se aposentaria tranquilamente, daqui a 10, 20 ou 30 anos, vai precisar de um valor bem superior.

Todavia, esperamos que o Banco Central consiga levá-la de volta para o centro da meta nos próximos anos e quando isso acontecer é só rever os valores do plano.

Dificuldades para mensurar

Pode não ser fácil dimensionar a alta de preços no futuro, apesar de o governo divulgar a inflação oficial e as suas projeções.  O investidor deve ter em mente que o IPCA (índice oficial de inflação no Brasil) é apenas um indicador de referência. Na prática, a inflação varia de acordo com o padrão de consumo de cada família. Cada cesta de consumo é afetada de forma diferente, de acordo com sua composição – se tem maior peso no setor de serviços, produtos básicos, bens importados ou outros.

A sua inflação pode ser diferente do IPCA e, em geral, é bem maior.  Atualmente, a inflação da classe média está em torno de 10%. Isto se deve ao fato de a classe média ser grande consumidora de serviços, que tiveram seus preços bastante elevados nos últimos tempos. Por isso, no plano financeiro o investidor deve utilizar a inflação que mais representa seu padrão de vida.  Só assim poderá projetar corretamente o valor necessário para aportes e os ganhos reais de suas aplicações.

Outro cuidado que o investidor deve ter ao estimar a inflação é que as cestas de bens e serviços das famílias sofrem mudanças ao longo do tempo. Com o passar dos anos, os hábitos, preferências e necessidades mudam; a padrão de consumo de uma pessoa de 20 anos será diferente que aos 40 e aos 60.

Como superar a inflação 

À primeira vista, muitos investimentos parecem entregar boas rentabilidades, mas quando se desconta a inflação e também não esqueça do imposto de renda, se incidir- pode-se chegar a retornos reais negativos. Ou seja, há investimentos que não preservam o seu do poder de compra ao longo do tempo. Isso acontece porque eles rendem menos do que a inflação.

A poupança, por exemplo, é um investimento que frequentemente entrega retornos inferiores à inflação que a classe média percebe. Para que o investidor obtenha ganhos reais e faça crescer seu poder de compra, eu recomendo que mantenha entre 10% a 30% de seus investimentos em ativos cujos retornos esperados devem superar a inflação no longo prazo. Fundos de inflação, fundos multimercado, fundos de ações e também títulos públicos e privados atrelados ao IPCA, em geral, entregam ganhos reais no longo prazo.

Para finalizar

Observo que as projeções de inflação e ganhos reais muitas vezes assustam os investidores. Todavia, a maneira correta de se planejar é não deixar essa variável de fora. Quando você não leva em conta a inflação, está colocando o sucesso do seu plano em risco

Você considera a inflação no seu planejamento financeiro?  Se tem dúvidas de como incorporar a inflação no seu planejamento ou sobre quais os melhores investimentos para obter ganhos reais, entre em contato comigo através do canal Fale com a Sandra no site da Órama.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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