Você sabe quais as maiores preocupações dos investidores?

Em ambiente de volatilidade, o grande desafio é conseguir diversificar efetivamente os investimentos para não correr riscos indevidos. O interessante é que, mesmo diante de cenários econômicos bastante diferentes, as preocupações quanto aos investimentos no Brasil são muito semelhantes às declaradas nos EUA por consultores financeiros. Neste post vou apresentar as principais preocupações apontadas num levantamento americano, porque, pelo que observo no meu contato com os clientes, são as mesmas que as nossas.

Nos EUA, a Fidelity Financial Advisors, uma das maiores empresas de fundos e serviços financeiros do mundo, realiza trimestralmente uma pesquisa junto a mais de 200 profissionais com o objetivo de acompanhar suas principais preocupações. Os dados levantados sobre o primeiro trimestre de 2015 mostraram que a gestão de carteiras foi a principal preocupação nesse período. O tema investimento internacional também está entre os mais relevantes.

No Brasil, esses assuntos também têm sido objetos de preocupação do investidor. A única diferença, é que, talvez, eles apareçam em ordem diferente. Entretanto, como não temos uma pesquisa brasileira para comparar essas informações, vou apresentar os temas que mais preocupam na ordem, conforme o resultado do estudo da Fidelity.

 1) Gestão de carteiras

A ciência, ou arte, para alguns, de tomar decisões sobre os investimentos adequados ao perfil de risco e objetivos, tem sido a maior preocupação dos consultores financeiros conforme a pesquisa acima referenciada. Os investidores individuais que acompanho também demonstram essa preocupação.

Avaliar e balancear aplicações em renda fixa e renda variável, investimentos domésticos e internacionais, preservação e valorização de capital, entre outros, é uma tarefa que se tornou mais complexa. Isto porque muitas transformações econômicas ocorreram no mundo nos últimos anos, aumentando as incertezas e alterando as correlações entre os ativos. Essas mudanças trouxeram mais volatilidade aos mercados.

 2) Volatilidade

Quanto maior a volatilidade, maior pode ser a variação de retorno do investimento. Isto é, o valor pode mudar radicalmente para mais ou para menos. Quando a variação é positiva é ótimo. Porém, quando é negativa, é um problema, pois perder não é uma opção de nenhum investidor.

A volatilidade sempre foi um fator de relevância para a análise de consultores e investidores. Em ambiente de volatilidade alta, a aversão ao risco aumenta e, portanto, os investimentos são direcionados para renda fixa, com a finalidade de proteger o capital.

A aversão ao risco limita a diversificação e os resultados também.

 3) Taxa de juros

A taxa de juros dos países desenvolvidos está muito baixa. Assim sendo, mesmo em ambiente de incertezas e volatilidade, está sendo preciso buscar alternativas para diversificar e até correr alguns riscos para conseguir um retorno melhor. Por isso, a taxa de juros tem sido uma preocupação para os consultores americanos.

No Brasil, diferentemente, a taxa de juros está muito alta – entre as maiores do mundo. Por isso, nosso país tem atraído tanto capital estrangeiro. Apesar do quadro econômico desfavorável, investir aqui ainda é uma opção dos investidores internacionais que buscam maiores rentabilidades.

Para os investidores brasileiros a vida está mais fácil, não é preciso correr risco para obter rendimento entre 10% e 13% ao ano. A preocupação é maior com a inflação, que tem devorado grande parte desse retorno.

 4) Renda fixa 

 Segundo relatório de abril do J.P. Morgan, 71% dos títulos públicos dos países desenvolvidos estão rendendo abaixo da inflação, mesmo que a pressão sobre os preços nesses países estejam bem baixas.

Em relação aos títulos privados o quadro não é muito melhor. Títulos de empresas globais com grau de investimento estão sendo negociados a taxas entre 2% e 3% ao ano – o menor patamar histórico desde 2000. Com rendimentos tão baixos, consultores financeiros e investidores se esforçam para manter a relação risco-retorno da carteira equilibrada.

No Brasil, as aplicações em renda fixa estão muito atraentes.

A demanda por LCI e LCA, aplicações isentas de imposto de renda, aumentou muito, já que são os investimentos mais rentáveis de renda fixa no momento. Todavia, com a economia mais fraca, as emissões estão limitadas por falta de lastro e o investidor já se depara com escassez desses títulos no mercado.

5) Rendimentos e investimento internacional:

Segundo a pesquisa da Fidelity, na quinta posição entre as principais preocupações dos consultores financeiros, dois temas estão empatados: o rendimento dos investimentos, o que inclui juros e dividendos, e os investimentos internacionais.

A preocupação com o rendimento é reflexo do ambiente de volatilidade alta e taxas de juros extremamente baixas nos países desenvolvidos. Outro motivo é o quadro de incertezas políticas globais como a instabilidade política em regiões como o Oriente Médio, Rússia, Ucrânia, incertezas econômicas na Europa e o efeito da alta do dólar nas ações e títulos fora dos EUA.

Como consequência, o consultor americano tem a difícil tarefa de encontrar o balanço apropriado entre investimento doméstico e internacional.

No Brasil, a preocupação com o rendimento de aplicações tem sido menos frequente, dado que apesar das altas volatilidades dos mercados, está fácil aplicar o dinheiro e obter retornos entre 10% e 13% ao ano. No entanto, o quadro político e a situação econômica do país têm preocupado investidores. A procura por investimentos estrangeiros e diversificação global aumentou bastante desde a última eleição presidencial. Por um tempo, os investidores temeram o confisco da poupança e das aplicações financeiras.

A alta do dólar também contribui para elevar a procura por investimentos no exterior.

Concluindo 

Diversificar é sempre a melhor estratégia para obter bons retornos e não correr riscos indevidos. Mesmo podendo desfrutar das altas taxas de juros e da isenção de imposto de renda em produtos de renda fixa (LCI e LCA), a concentração de investimentos não é saudável e os resultados no longo prazo podem ficar comprometidos.

Para quem procura diversificação global, sugiro o Fundo Órama Gávea Macro, com grande exposição ao mercado externo, busca oportunidades de investimentos em cerca de 25 países.

Qual a sua preocupação com os investimentos? Se você tem alguma dúvida sobre como diversificar sua carteira, entre em contato comigo através do Fale com a Sandra, o canal de consultoria de investimentos da Órama.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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