O que é Preciso Saber sobre Renda Fixa

O mercado de Renda Fixa brasileiro reúne R$ 4,5 trilhões em investimentos, sendo R$ 2,3 trilhões em títulos públicos e R$ 2.2 trilhões em títulos privados*. O tamanho desse mercado mostra a preferência do brasileiro por aplicações em renda fixa. Diante disso, para investir de forma segura e equilibrando liquidez com rendimento, é importante conhecer as principais características dos títulos de renda fixa – tema que vou tratar nesse post.

Os produtos de renda fixa são considerados conservadores, pois os investidores conhecem as condições de remuneração do capital no momento da aplicação. No caso de remuneração prefixada, o valor exato a ser recebido no vencimento é determinado na ocasião da compra do título.

Se a remuneração for pós-fixada, o investidor pode estimar o rendimento que vai receber. Por exemplo, suponha a taxa de um título de 95% do CDI. Não se sabe precisamente qual vai ser o CDI no período. 10% ou 12%? O que se sabe é que não vai ser muito diferente desses valores e, portanto, o rendimento ficará entre 9,5% e 11,4%.

Essa previsibilidade é muito apreciada em momentos de economia deprimida, pois quando o país não cresce, as empresas também não expandem seus negócios e geram lucros menores. Como consequência, a aversão ao risco aumenta e os investidores evitam aplicar em ações.

Quando o risco é semelhante ao de renda variável

Os títulos de renda fixa prefixados podem apresentar oscilações em seus preços no período entre a aplicação e o vencimento. Isto ocorre porque os títulos são precificados diariamente em função da situação do mercado e das perspectivas para a trajetória das taxas de juros.

O que define os preços dos títulos são as taxas de juros e, em se tratando de títulos prefixados, a alteração das taxas é inversamente proporcional à variação dos preços dos títulos. Quando as taxas sobem, os preços caem. Porém, quando as taxas caem, os preços se valorizam.

Essa relação taxa de juros versus preço também explica a perda de valor de títulos mais antigos, quando novos títulos são emitidos. Todavia, se o investidor mantém o título prefixado até a data de vencimento, vai receber o rendimento acordado no momento da aplicação.

Já o preço dos títulos pós-fixados acompanha a variação das taxas de juros, num movimento menos intenso que é progressivamente crescente quando os juros estão em tendência de alta e, decrescente quando as taxas apresentam tendência de queda.

O fator tempo

Também é importante entender o peso do tempo na variação dos títulos de renda fixa prefixados. Quanto mais longo é o título, ou seja, quanto mais distante estamos do seu vencimento, maior é a variação dos preços. Isto ocorre porque as incertezas quanto a períodos mais distantes são sempre bem maiores do que as relacionadas à períodos mais curtos de tempo.

Para ilustrar, em 2013, quando se iniciou um novo ciclo de alta de juros os preços das NTN-B (ou Tesouro IPCA + juros semestrais) com vencimento em 2050 caíram 28,7% e as com vencimento em 2021 desvalorizaram 12,3% – variações de preço de ações. Os títulos com vencimentos mais curtos oscilaram menos. Por exemplo, em 2013 as NTN-Bs com vencimento em 2016 apresentaram uma variação de 0,39% – muito inferior ao registrado pelas NTN-Bs até com vencimento em 2021 e 2050.

Mesmo que o investimento em renda fixa prefixada desvalorize nos momentos de alta de juros, se o investidor permanecer com o titulo até a data de vencimento, irá receber o rendimento acordado no momento da aplicação. Assim, o risco de perda com investimentos prefixados está relacionado à venda dos títulos antes do seu vencimento.

Juros semestrais

Os títulos com pagamentos de juros prefixados semestrais são menos arriscados do que os títulos que pagam o rendimento somente ao final do prazo. Dinheiro a receber é sempre mais arriscado do que dinheiro recebido.

Todavia, os títulos que pagam juros semestrais também têm suas desvantagens. O investidor que recebe juros semestrais pode não conseguir reaplicar o valor recebido nas mesmas condições do primeiro investimento. Pior ainda é quando o valor recebido é baixo e o investidor acaba gastando-o ao invés de investi-lo.

Renda fixa atende às suas necessidades? 

Os investimentos em ações se valorizam ao longo de anos, enquanto investimentos de renda fixa protegem o poder de compra. A razão é simples, as empresas podem crescer e se tornarem mais lucrativas, mas os rendimentos dos títulos são limitados.

Uma vez que a média histórica anual do CDI é 12% nos últimos dez anos, não é possível esperar retorno acima deste patamar se não investir em ações ou em outros ativos de risco.

No atual momento, a taxa básica da economia a Selic está próxima a 14% ao ano, mas esse patamar não vai se sustentar por muito tempo. A economia já entrou em recessão e se a taxa permanecer nas alturas o cenário pode se agravar.

Fundos de renda fixa ou multimercado

Mesmo que a carteira do fundo contenha títulos prefixados, a rentabilidade do fundo será pós-fixada. O investidor nunca saberá exatamente o quanto vai receber.

Além do mais, os fundos não possuem data de vencimento, fica a critério do investidor quando resgatar.

Ao investir em fundos que aplicam em títulos prefixados, é importante reconhecer que variações negativas de curto prazo podem ocorrer. No entanto, como os fundos são carteiras diversificadas, as oscilações não são tão agressivas. A menos que o gestor deixe claro que a posição em títulos prefixados de longo prazo seja relevante.

Quando investir em renda fixa?

Embora no Brasil estejamos acostumados com taxas de juros altas, sendo aproveitadas, inclusive, por estrangeiros, investimentos em renda fixa são mais adequados para o curto prazo, ou seja, para horizontes de até três anos.

Investir em ações é arriscado e pode resultar em prejuízos.  Porém, se você está investindo para a aposentadoria, para daqui a uma década ou mais, sobretudo se você faz aportes regulares, você poderá alcançar maiores retornos investindo em ações.

Haverá períodos que as ações poderão perder muito valor, mas o mercado tende a se recuperar rapidamente. Se há crescimento econômico, ou pelo menos perspectivas, as empresas geram lucros e os investidores em ações ganham.

Como estão diversificados seus investimentos? Você já conhece as carteiras de investimento com os Fundos Órama mais procurados de 2015?

Se tiver dúvidas sobre as características dos investimentos de renda fixa ou sobre as estratégias dos Fundos, entre em contato comigo através do canal Fale com a Sandra.

* Segundo o boletim Anbima do Mercado de Renda Fixa de abril/2015

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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