A Oscilação do Dólar e suas Decisões Financeiras

A taxa de câmbio é uma variável importante do sistema econômico, pois está diretamente relacionada ao processo de desenvolvimento de um país.

Estamos passando por um momento de maior volatilidade no mercado cambial brasileiro. Isso se deve à expectativa do início do ciclo de elevação da taxa americana e também aos desafios enfrentados pela nossa economia. Nesse contexto, escrevi o post com o objetivo de orientar nas decisões financeiras que podem ser impactadas pela oscilação da taxa de câmbio.

# Orientação 1: Para quem já tem dinheiro para ir viajar ou fazer intercâmbio 

Aqueles com planos de fazer uma viagem, devem se preocupar com a valorização da moeda do país para onde vai, ou seja, quem viaja para os EUA deve se preocupar com a alta do dólar em relação ao real, pois quanto maior a taxa de câmbio, mais reais serão necessários para fazer essa viajem.

Tomemos como exemplo uma viagem para Disney, por 15 dias, estimada em US$ 5.000. Se o viajante possui R$ 16.500, equivalente aos US$ 5.000 à cotação de R$/US$ 3,30, e ocorre uma forte alta do dólar, muito provavelmente ele vai ter que adiar a viagem. E, quanto maior a valorização da moeda estrangeira, mais tempo ele terá que esperar para fazer sua viagem ou vai precisar de mais dinheiro.

Se a viagem está programada para daqui a alguns meses, para se proteger dessa variação, pode-se manter o dinheiro aplicado em fundo cambial, de gestão passiva, que tem como objetivo seguir a cotação da moeda do país de destino. Dessa forma, conseguirá manter o poder de compra em dólares, ou qualquer que seja a moeda estrangeira.

# Orientação 2: Para quem está guardando dinheiro para ir viajar ou fazer intercâmbio 

Nesse caso, uma estratégia indicada é aplicar mensalmente em um fundo cambial o valor que está sendo guardado para a viagem. Assim, é como se o investidor estivesse comprando a moeda a uma cotação média, pois o investidor vai adquirir mais ou menos cotas do fundo de acordo com a variação da taxa de câmbio.

É possível também já ir comprando o dólar ou qualquer que seja a moeda, porém é menos seguro manter o dinheiro em casa, pois está correndo o risco de perdê-lo ou ser roubado, principalmente se for um plano para mais de um ano.

# Orientação 3: Para quem tem algum compromisso em moeda estrangeira 

A estratégia para quem tem um compromisso ou dívida em moeda estrangeira é muito semelhante da de quem está juntando dinheiro para viajar ou fazer intercâmbio.

Utilizando os mesmos valores do exemplo anterior, se o dinheiro não estiver aplicado para se proteger da desvalorização do real, pode ser que em vez de R$ 16,500 para honrar o compromisso de US$ 5.000 seja necessário desembolsar R$ 17.000, se o dólar for a R$ 3,50.

E quanto mais subir a taxa de câmbio, maior poderá ser o prejuízo.

# Orientação 4: Para quem quer ganhar com a alta do dólar 

Devido às expectativas de alta do dólar, quando a taxa de juros americana começar a ser elevada, e também pelo medo do tamanho da recessão que a nossa economia possa revelar, há muita gente querendo ganhar com a valorização do dólar e, por isso, tem aplicado em fundos cambiais ou multimercado que apliquem no mercado cambial.

No entanto, como essa alta não é linear, sua trajetória apresenta um grau elevado de volatilidade, recomendo muita cautela no tamanho das posições em fundos atrelados ao dólar.

Muito cuidado quando entrar após uma forte valorização da moeda, pois, em geral, ocorre o movimento de realização de lucros que pode gerar prejuízos.

# Orientação 5: Para quem aplica em Fundos que investem no exterior 

Os fundos que investem no exterior podem estar expostos à oscilação cambial ou não. Em geral, o objetivo é apenas extrair retorno da variação de determinado ativo, de uma ação, por exemplo.  Nesse caso, o fundo investe em ativos no exterior, mas utiliza mecanismos de proteção para evitar perdas com a variação da moeda estrangeira.

Porém, após uma avaliação macroeconômica, a equipe de gestão pode decidir não se proteger da oscilação cambial com o objetivo de ganhar nas duas pontas, ou seja, na valorização do ativo e do câmbio. Essa estratégia é mais arriscada.

É importante saber se o fundo em que você investe e aplica recursos no exterior faz hedge cambial total ou parcial. Com essa informação será mais fácil compreender o desempenho do fundo.

Concluindo

Com a expectativa de valorização do dólar, os fundos cambiais têm sido muito procurados pelos investidores. Entretanto, são mais indicados para proteger o investidor de uma desvalorização do real, principalmente para quem tem planos de viajar para o exterior, de fazer intercâmbio ou possui algum compromisso em moeda estrangeira.

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Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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