Panorama Semanal 07/09/2015 até 11/09/2015*

Se houvesse apenas um fato a relatar no panorama desta semana seria, sem dúvida, a perda do grau de investimento do Brasil pela agência de classificação de risco Standard&Poor’s na quarta-feira à noite. O rebaixamento não foi exatamente uma novidade, mas veio antes do esperado pelo mercado e deve antecipar decisões similares por parte das demais agências de risco.

No relatório, a S&P citou a alteração na meta fiscal do Orçamento de 2016 de superávit para déficit e atribuiu perspectiva negativa ao rating do país devido ao confuso cenário político. Ou seja, pode haver novo rebaixamento em meses.

Na S&P, a nota do Brasil passou de BBB- para BB+.  Na Moody’s e na Fitch, o país ainda mantém o selo de bom pagador.

A decisão da S&P gerou forte repercussão. A cúpula do governo fez reunião de emergência e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se pronunciou, mas não anunciou corte de gastos, o que decepcionou o mercado. Levy, que já havia levantado a hipótese de elevar o Imposto de Renda, falou da importância da solidez fiscal, sugerindo que está brigando pelo aumento da carga tributária. Mas, de concreto, não houve ainda encaminhamento para a implementação de medidas nesse sentido.

Na esteira da decisão da S&P, os ratings de empresas como Petrobras e Eletrobrás, além de companhias privadas, também foram rebaixados. A Bolsa, que chegou até a operar em alta na quinta-feira, na expectativa de um anúncio de corte de gastos pelo governo, fechou em queda, mas não muito expressiva, de 0,33% .

No dia mais tenso da semana, o dólar foi a R$ 3,91, mas com atuação do Banco Central fechou em alta menor, de 1,36%, a R$ 3,850. O BC já vinha atuando desde a semana passada com operações para segurar a cotação.

Além do rebaixamento, os mesmos fatores dos últimos meses continuam a impactar os mercados.

Mesmo com o feriado, a segunda feira foi tensa politicamente com protestos no Dia da Independência. O clima entre a presidente e seu vice já não era bom desde a semana anterior, quando Michel Temer fez comentários a empresários sobre a baixa popularidade de Dilma e que ninguém resiste a uma popularidade de 7%. Em entrevista ao jornal “Valor Econômico” na quarta-feira, Dilma afirmou que não renunciará.

Piorou a estimativa do PIB para este ano, de acordo com a pesquisa Focus, do BC. A projeção é de retração de 2,44%.

Com tanta notícia ruim, ficou em segundo plano a desaceleração mensal do IPCA para 0,22%. Mesmo assim, em 12 meses a taxa continua bem acima da meta anual, em 9,52%.

 

Na esfera internacional, a China divulgou no início da semana dados revisados do crescimento de 2014, que caíram de 7,4% para 7,3%, e as bolsas recuaram. Mas depois, a notícia de que o governo vai implementar uma política fiscal de estímulos, com recursos para projetos de infraestrutura e corte de impostos para pequenas empresas, gerou impactos positivos.

Por outro lado, o dólar se manteve pressionado com a divulgação de pesquisa sobre a alta no número de vagas ofertadas em julho nos Estados Unidos, 5,75 milhões, o maior número desde 2000. Isso pode significar que a alta da taxa de juros americana ocorra já na próxima semana.

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal da Órama.

O Ibovespa fechou a semana com queda de 0,21%. O dólar valorizou 0,25% e fechou cotado a R$3,88.

*Informações atualizadas até 11/09/2015 às 18h 3m.

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