Panorama Semanal 28/09/2015 até 02/10/2015*

Mais uma vez, a política ditou o ritmo da economia na última semana de setembro e início de outubro. A volatilidade do dólar refle a tensão. Embora também influenciada pelo cenário externo, a cotação mantém forte relação com o ambiente interno conturbado. No mês de setembro, a alta superou os 9%.

A moeda americana no Brasil se manteve em torno de R$ 4, com atuação quase diária do Banco Central, o que ajudou a reduzir as oscilações. A ampliação da oferta de títulos do Tesouro Nacional também surtiu efeito.

A reforma ministerial e a expectativa para votação dos vetos no Congresso (que acabou ficando para terça-feira que vem) foram dois dos principais fatores de incertezas no mercado.

Investigações suíças envolvendo o nome do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no esquema da Lava Jato ampliaram as tensões, bem como o suposto lobby do ex-presidente Lula para empresas.

No que diz respeito aos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff, Cunha arquivou três deles. Na semana que vem, o TCU marcará sessão para análise das contas públicas do ano passado. Já o TSE adiou a conclusão do julgamento sobre a ação do PSDB que pede a cassação da chapa de Dilma.

A derrota do governo na aprovação da emenda da chamada “desaposentadoria” pelo Congresso – o que vai gerar impacto negativo nas contas públicas – também pesou. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, continua defendendo a implementação do ajuste fiscal e, nesse sentido, declarou que esta é a “maior fonte de incertezas no país”.

A Fitch, na mesma linha, se mostrou preocupada com a previsão de déficit nas contas e deve rebaixar o Brasil, que, no entanto, não perderá o seu grau de investimento na agência desta vez. A declaração por parte da Fitch fez o dólar fechar acima de R$ 4,10 no início da semana.

Os números de agosto mostraram que o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 7,3 bilhões, menor que o de julho. Ainda assim, no acumulado do ano, está em R$ 1,1 bilhão, o pior já registrado desde 2001.

O Boletim Focus desta semana reforçou o pessimismo com o PIB do país: as projeções giram em torno de uma queda de 1% em 2016. E, segundo pesquisa da CNI, a utilização da capacidade instalada da indústria está no pior nível desde 2003.

Inflação e desemprego também não deram trégua. O IGPM avançou 0,95% no mês. E os dados da Pnad revelaram que a desocupação no país está na casa dos 8,6% em três meses, até julho. Por outro lado, com o dólar pressionado e uma drástica redução nas importações, a balança comercial teve o maior superávit para os meses de setembro desde 2011.

Com este quadro, o Ibovespa, que fechou setembro com mais de 3% de recuo, também oscilou bastante. Na quarta-feira, após o anúncio do reajuste da gasolina, os papéis da Petrobras subiram até 10% e puxaram o índice. Ontem, foi a vez da Vale, devido aos números melhores da atividade industrial na China.

E segue a expectativa mundial com a elevação dos juros americanos. A divulgação de dados do seguro desemprego acima do esperado indica que a recuperação da economia dos Estados Unidos pode não estar tão sólida, o que levanta dúvidas sobre o aumento da taxa antes do fim do ano.

O Ibovespa fechou a semana com alta de 4,91%. O dólar caiu 0,8% e fechou cotado a R$3,94.

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal da Órama.

Dados atualizados até 02/10/2015 ás 18h35m.

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