Investimento em dólar: cuidados ao aplicar após forte alta

O dólar já subiu 50% no ano. Os investidores que aplicaram em fundos cambiais durante o período conseguiram obter retornos bastante expressivos. Até o momento, foram o destaque das aplicações financeiras.

Desde a implantação do Plano Real, em 1994, esta é a segunda maior alta da moeda americana acumulada em um ano, e o ano ainda nem acabou. Por enquanto, só está atrás do acumulado em 2002. Com a eleição de Lula, o risco-Brasil foi ao topo (2.515 pontos) e o dólar atingiu R$ 4,00, uma alta de 52% acumulada naquele ano.

Será que o dólar continuará sendo um bom investimento?

A princípio, sim, porque as moedas são cíclicas e o dólar está em tendência de alta. A economia dos EUA segue trajetória saudável de crescimento, com inflação baixa, mas evoluindo, e o Fed (banco central americano) deverá iniciar o ciclo de alta dos juros ainda este ano, o que contribuirá para dar mais força ao dólar.

No Brasil, temos muitos problemas para serem resolvidos. Se não forem organizadamente solucionados poderão provocar ajustes mais extremos no câmbio. Impasses no Congresso, processo de impeachment ou a perda do grau de investimento de outra agência classificadora de risco podem contribuir para elevar ainda mais a cotação do dólar.

Mas já não subiu muito?

É verdade. E, em se tratando de investimentos financeiros, devemos ter cautela com as aplicações que já subiram muito em um curto espaço de tempo. Elas se tornam mais arriscadas, pois a chance de ocorrer variação negativa e resultar em prejuízo aumenta.

É por isso que, após obter alto retorno em um investimento de risco, é recomendado realizar o lucro, ou seja, migrar os ganhos obtidos para aplicações de baixo risco. No atual cenário, esses lucros ainda poderão render mais de 1% ao mês, devido à taxa de juros alta.

O que poderia fazer o dólar cair?

Pelo lado externo, se o Fed não subir os juros esse ano, pode ser que o dólar recue um pouco em relação às demais moedas.

No âmbito interno, a credibilidade do governo está muito baixa. Os agentes duvidam da capacidade do governo de sustentar a dívida. Ele precisa provar que vai colocar o regime fiscal sob controle, aprovando e implantando medidas de ajuste. Só assim conseguirá conquistar a confiança do mercado. Consequentemente, a cotação do dólar seria ajustada ou, pelo menos, se manteria estável no patamar de R$ 4,00.

Qual a melhor estratégia de investimento neste momento?

Para o investidor brasileiro que precisa de reais para pagar suas contas e realizar seus objetivos, aplicar em renda fixa por meio de títulos públicos, privados ou fundos continua sendo a forma mais segura e rentável de investimento, dado o patamar atual dos juros. Essas aplicações estão entregando rendimento de mais de 1% ao mês. Nossa taxa de juros é a maior do mundo.

Como o dólar ainda poderá subir mais, pode-se aplicar parte em fundos cambiais como forma de diversificação, com o objetivo de adicionar retorno no médio prazo, desde que um percentual razoável, não mais do que 20%. Diversificar os investimentos é uma estratégia efetiva e eficiente.

Também pode-se aplicar em fundos cambiais como forma de proteção contra a desvalorização do real. Nesse caso, o produto é mais indicado para os investidores que possuem algum compromisso na moeda americana.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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