A vantagem dos prefixados

É bem possivel que o Copom – o Comitê de Política Monetária do Banco Central – decida mais uma vez pela manutenção da taxa de juros Selic no patamar de 14,25% ao ano. A taxa de juros brasileira é uma  das maiores do mundo e, apesar de todos os efeitos negativos que repercutem na economia, proporciona boas oportunidades de investimentos.

Em ambiente de taxa de juros elevada, o custo das operações de crédito aumenta. O consumo diminui, pois os empréstimos ou financiamentos ficam mais caros. As pessoas adiam a compra do carro ou a reforma da casa. Os empresários param de investir na expansão de seus negócios, a indústria produz menos e o desemprego acelera, intensificando o ciclo de baixo crescimento econômico.

Todavia, aqueles que se capitalizaram durante os anos de bonança da economia brasileira, quando os empregos eram abundantes e bem remunerados, conseguem agora obter bons rendimentos investindo em renda fixa, como títulos públicos ou privados, ou aplicando em fundos. Estes investimentos estão apresentando uma excelente relação risco-retorno, pois a rentabilidade esperada é alta, dado o nível de risco relativamente baixo.

Por exemplo, atualmente é possível aplicar em títulos privados com remuneração prefixada em torno de 18% ao ano, o que é um excelente retorno em função dos riscos envolvidos. O risco de crédito desses títulos é baixo, quando são objetos de cobertura pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). O maior risco é o de a taxa de juros subir. A possibilidade de o Banco Central aumentar a taxa Selic é reduzida devido ao fraco desempenho da economia e às previsões negativas para o ano que vem, porém não é desprezível.

Supondo um investimento prefixado de 18% ao ano, o que aconteceria se a taxa Selic fosse elevada?

Para 15% ao ano

É a taxa que a curva de juros está indicando atualmente. Tanto é que as taxas dos títulos prefixados do Tesouro (LTN e NTN-F) estão nesta faixa. A taxa dos títulos com vencimento em 2017 é de 15% ao ano, e a dos títulos com vencimento em 2019, de 15,3% ao ano. Assim sendo, um título prefixado que remunera a 18% ao ano e tem garantia do FGC é um investimento mais rentável.

Para 16% ao ano

Há pouco tempo, a curva de juros estava precificando os títulos a essa taxa. Foi em um momento que o cenário político estava bem mais tenso e as perspectivas para o ajuste fiscal estavam bastante deterioradas. Não que o cenário tenha melhorado, mas a economia está tão fraca, que mais aumento de juros para controlar a inflação não surtiria o efeito esperado. Dessa forma, se o humor do mercado piorar, podemos ver as taxas subindo para esse nível novamente. Alguns agentes esperam que a Selic possa chegar a 16,25% ao ano em 2016. Entretanto, se você estiver com um título com taxa superior, ainda estará ganhando.

Para 18% ao ano

Se 16% ao ano já é uma taxa muito alta, 18% ao ano nem se fala. Em nenhum momento recente a curva de juros se deslocou para esse patamar. A princípio, a possibilidade de os juros abrirem até 18% é remota. Todavia, se acontecer, com o título de 18% ao ano, o investidor já não estará com uma aplicação mais rentável. Contudo, não estará perdendo dinheiro, estará aplicado ao custo de oportunidade.

Acima de 18% ao ano

Somente se a taxa ultrapassar os 18%, o investidor começa a perder.

Analisando o gráfico do histórico da taxa Selic (abaixo), podemos observar que a taxa vem decrescendo ao longo dos anos. A última vez que ultrapassou a marca dos 18% foi no início do governo Lula, quando as incertezas sobre a politica econômica de um novo governo fez o risco-Brasil ir a mais de 2.000 pontos (2 no gráfico). Desconfianças no ambiente internacional com o Brasil provocaram uma fuga de capitais e, consequentemente, uma disparada do dólar. A reação do governo foi dar um choque na taxa de juros.

Entre 1997 e 1999, observamos o maior patamar da taxa Selic (1 no gráfico). O então presidente do Banco Central Armínio Fraga elevou a taxa de juros para 45% ao ano na tentativa de conter pressões inflacionárias, Porém, ao mesmo tempo, sinalizou que poderia promover o recuo da taxa a qualquer momento se conseguisse reverter a tendência de alta dos preços. E foi o que aconteceu.

O cenário econômico hoje não é dos mais atraentes, no entanto o fluxo de recursos estrangeiros continua positivo, temos uma reserva robusta e o risco do país tem oscilado em torno dos 400 pontos.
Por isso, o investidor que aplicar em um título prefixado só vai perder se a Selic for elevada acima da taxa acordada no momento da aplicação, nesse caso, se a taxa ultrapassar 18% ao ano. Entretanto, essa perda só será um prejuizo financeiro se o investidor precisar vender o título prefixado antes do prazo. Pois se mantiver o título até o vencimento terá o retorno de 18% ao ano garantido.

Capturar

Para finalizar

Espero que essa análise ajude você a selecionar investimentos prefixados, que estão com taxas atraentes neste momento. Diversificar é sempre a melhor estratégia. Assim sendo, aplicar uma parcela dos investimentos em títulos com remuneração prefixada em torno de 18% ao ano é uma excelente oportunidade.

Retornos de 18% ao ano são esperados de investimentos em ações, os quais são bastante arriscados. Em geral, o investidor de ações, ou de fundo de ações, busca obter rentabilidades anuais médias entre 15% e 20% no longo prazo, porém aceita as oscilações características dessa categoria de investimentos, inclusive prejuízos.

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Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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