O poder avassalador do petróleo

Desde a Antiguidade o petróleo tem desempenhado um papel crucial na história. Registros de 4.000 a.C mostram que os povos do Egito e da Mesopotâmia o utilizavam. A partir de 1846 no Azerbaijão o petróleo começou a ser extraído com o objetivo de refinamento e venda, sendo vendido como óleo cru.  Tal commodity, desde a 2ª Revolução Industrial, apresenta-se como a principal forma de energia do mundo, estando presente no cotidiano urbano, em forma de combustível, energia elétrica etc.

O preço do petróleo se mede em barris, o qual possui em média 160 litros. Seu preço varia com o aumento ou diminuição da demanda ou da produção, tornando-se assim extremamente volátil a quaisquer mudanças no cenário macroeconômico. A OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) é um cartel que controla preços e volume da produção do petróleo no mundo. São 13 membros, dos quais 10 estão entre os 20 maiores produtores de petróleo do mundo, dando à OPEP o poder de aumentar ou diminuir o preço do barril dependendo de seus objetivos. Entretanto, devido a constantes tensões entre os países, a OPEP enfrenta constantemente pressões de seus membros.

A questão árabe e chinesa

Há anos o Oriente Médio enfrenta conflitos entre xiitas e sunitas (2 correntes do Islã) devido a políticas provenientes do sectarismo. Assim, desde 1980 o Irã e a Arábia Saudita, ambos membros da OPEP, enfrentam tensões, o que gera impacto no preço do barril de petróleo. Recentemente, um clérigo saudita, também líder xiita, e outras 46 pessoas foram executados na Arábia Saudita, acusados de terrorismo. Após repúdio do governo iraniano, com expulsão de membros da embaixada árabe, a Árabia Saudita rompeu relações com o Irã.

O fato elevou o preço do barril de petróleo, porque a iminência de um conflito gera expectativa de queda da produção e elevação de preço. Especialistas, no entanto, dizem que é improvável um conflito. Entretanto, mesmo com as tensões e as leves subidas no preço do barril, a tendência é que o mesmo se mantenha em queda, devido a uma desaceleração na economia global, em especial na economia chinesa.

A China atingiu a marca do décimo mês consecutivo de retração no setor industrial, de acordo com o PMI, indicador econômico compilado a partir de pesquisas mensais realizadas em companhias privadas. O PMI ficou abaixo de 49 (esperado por analistas) pelo segundo mês seguido, mostrando uma possível futura recessão. O dado leva a constantes quedas nas principais bolsas do país e do mundo e também atinge o petróleo, visto que a China é o segundo maior importador do produto, principalmente o proveniente do Oriente Médio. Assim, uma baixa na indústria acarreta diretamente uma baixa de demanda por óleo e, portanto, o preço do mesmo. Tais mudanças bruscas no mercado chinês se dão pela nova política econômica adotada, visando ao aumento do mercado interno. Assim, o país mais populoso do mundo tem potencial para consumir o que decide produzir. Nesse sentido, recentemente foi aprovada a lei que permite um casal chinês ter até dois filhos. Tais mudanças tão bruscas têm efeito em todo o mundo.

Possíveis efeitos para o Brasil

No Brasil, mesmo com o petróleo tendo uma significante importância para alguns estados, como o Rio de Janeiro, não é a principal commodity. É, no entanto, responsável pelos recursos da maior estatal do país, a Petrobras – em crise devido à falta de credibilidade proveniente de diversos escândalos de corrupção e endividada pelos mesmos. Para o petróleo marítimo (a maior parte do que temos no Brasil) se tornar rentável, o preço do barril tem que estar entre U$40-50, de modo que os atuais U$37 representam “prejuízo” para a empresa, que fica incapacitada de explorar o pré-sal, entre outras áreas. O cenário pode piorar com a alta do dólar, aumentando a dívida da empresa e diminuindo sua rentabilidade. Além disso, o país tem seu crescimento ligado ao da China, que é um dos maiores importadores de frango e soja do Brasil. Uma diminuição na demanda chinesa é péssima para a economia brasileira.

 

Arthur Lemos: Estudante de Economia do IBMEC. Chefe da área de Análise Macroeconômica do Cemec, empresa júnior vinculada ao IBMEC, que tem como proposta principal realizar estudos e pesquisas sobre o mercado financeiro.

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