Crise na poupança: uma tradição abalada

O ano de 2015 foi marcado pela intensificação da crise política e econômica e, com tanta desordem, nem o investimento preferido dos brasileiros saiu ileso. A tradicional caderneta de poupança, vista como investimento mais seguro do país, registrou a maior fuga de recursos da história. Os saques superaram os depósitos em R$ 53 bilhões, montante 5 vezes maior que o último recorde em 2003, quando as saídas superaram as entradas em R$ 10,42 bilhões.

Diante de um cenário de instabilidade, a população está insegura e pouco confiante na economia do país. Quando adicionamos inflação alta, taxa de juros elevada, desemprego crescente e aumento de tributos a essa conta, o resultado é lastimável. Dia após dia o brasileiro sofre com a redução de seu poder de compra, que, consequentemente, torna mais difícil o pagamento em dia de suas contas. Se o dinheiro mal dá para arcar com despesas mensais, com certeza também não sobrará para ser poupado. Pelo contrário, o dinheiro guardado precisa ser resgatado para complementar a renda mensal, que vem sendo corroída.

A poupança é um investimento adotado, em sua maioria, por investidores amadores e conservadores, que prezam por facilidade, segurança e liquidez. Por serem amadores, não sabem que, pelo atual sistema de remuneração, em épocas de inflação alta nem mesmo o poder de compra é mantido enquanto o dinheiro permanece na adorada caderneta. No quesito segurança, o mesmo fundo que protege a poupança, também protege diversas outras modalidades de investimento em renda fixa, como Tesouro Direto e letras de crédito imobiliário. Para os que prezam liquidez, os Certificados de Depósito Bancário (CDB) são boas opções e são lastreados pelo mesmo fundo garantidor. Estes certificados podem gerar um ganho real, além de haver opções com liquidez diária, como na poupança. Em épocas de crise, o rendimento compensa o que seria o “transtorno” de transferir os recursos da poupança para uma nova modalidade, ou seja, encontrar a opção de investimento adequada, escolher dentre as opções para aquele tipo de investimento, talvez mudar de instituição bancária etc.

Para 2016, espera-se um novo resultado de saques superando depósitos, principalmente porque o desemprego tende a se elevar e a inflação, a crescer. Além disso, a taxa de juros está com perspectivas de aumento. Tudo isso fará com que mais recursos saiam da poupança, direcionados ou para o consumo (complementando a renda) ou para uma opção de investimento mais rentável.

Segundo pesquisa do Banco Mundial divulgada em 2012, nos Estados Unidos 65% das pessoas investem no mercado de ações, contra 0,29% da população brasileira. Como no Brasil de alguns anos atrás o investimento em poupança rendia quase que o equivalente ao investimento na Bolsa de Valores, e não envolvia riscos, o brasileiro não desenvolveu o hábito de investir no mercado de capitais. Contudo, o Brasil de hoje apresenta condições bem diferentes, e a Bolsa de Valores pode se tornar um grande parceiro do seu bolso.  O mesmo se aplica a outros investimentos.

Para alcançarmos resultados diferentes, precisamos de atitudes diferentes. Podemos obter um resultado bem mais rentável, com uma pequena mudança de hábito, gradual, começando no mercado de renda fixa, por exemplo. Sair da zona de conforto pode multiplicar seu dinheiro mais rápido que o esperado.

 

 

Victor Firmino: Estudante de Economia do IBMEC. Membro da área de análise macroeconômica do CEMEC, empresa júnior vinculada ao IBMEC, que tem como proposta principal realizar estudos e pesquisas sobre o mercado financeiro.

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