Está com medo por quê?

Segue o artigo que nosso economista, Alexandre Espirito Santo, escreveu para o site Administradores, parceiro da Órama.

Este ano da graça de 2016 começou com muitas incertezas no cenário internacional. Como dizia minha falecida avó: “Não gosto de anos bissextos… Dão azar!”. Os que são supersticiosos não gostam mesmo de anos com mais um dia. Acreditam que o universo conspira contra. Mas vamos deixar essas “coisas de avó” de lado e vamos aos fatos concretos…

O primeiro bimestre foi de temor generalizado em relação à economia global. Vejamos: China com sinalização de real enfraquecimento; bancos centrais de países importantes colocando taxas de juros negativas (incluindo Japão e BCE); crescimento americano menor que o esperado; preço do petróleo desabando; índices bursáteis com fortes e generalizadas quedas; fim de sanções da ONU ao Irã; cessar fogo na Síria… Ufa!!!

É evidente que todos esses fatores, em conjunto, dão certo desconforto e explicam o movimento de aversão ao risco que tomou conta dos mercados financeiros. É inegável que o quadro de recuperação da crise de 2008 possa ser pior do que muitos analistas (e o próprio mercado) advogam, e que a situação geopolítica, sobretudo do lado de lá, continua muito confusa. Porém, em minha opinião, se você efetivamente quer um bom motivo para ficar com medo, vou lhe dar um: as eleições americanas.

No início de novembro, os americanos elegerão o 58º presidente de sua história. A eleição americana é um tanto confusa para nós brasileiros, pois não é o voto popular direto que elege o mandatário, e sim os delegados estaduais, como numa espécie de colégio eleitoral. E tal forma faz muita diferença, pois não necessariamente aquele candidato que obteve maior votação dos eleitores será o vencedor do pleito.

Apesar de não ser analista político, tenho profundo receio do que possa vir nessa eleição. Os riscos são muitos, uma vez que as prévias (cáucus) em curso estão apontando para Donald Trump, como candidato pelo partido Republicano, e para uma indefinição entre Hillary Clinton e Bernie Sanders, pelo lado Democrata.

Tenho certeza de que os mercados financeiros ainda estão “dando de ombros” para esse evento. Em outras palavras, a queda deste início de ano não tem a ver com a eleição americana. Devem estar achando que está “longe” e, até lá, algo bom vai ocorrer e mudar o cenário. Discordo!

Acredito que o mercado enxerga com bons olhos a eleição de Hillary: uma candidata que prosseguiria, em linhas gerais, com as políticas de Obama e que não incomodaria o establishment dos mercados financeiros. Em outras palavras, não vai “mexer com Wall Street”. E, como os demais candidatos são “estranhos no ninho”, ainda crê que o bom-senso prevalecerá.

Por outro lado, caso a contenda fique entre Trump e Sanders, aí a coisa vai ficar muito feia. O senador democrata é alguém que diverge de posições mais liberais e é contra esse “protagonismo” do setor financeiro sobre a economia. O problema é que muitos jovens americanos estão pendendo a apoiá-lo, por causa da crise de 2008 e os impactos dessa sobre o desemprego. Já Donald Trump leva sua candidatura como um show de TV, à lá o seu “O aprendiz”, com um discurso radical (islamofóbico, contra imigrantes latinos, contra a China, a favor da Rússia), do tipo “não gostou?” está demitido!

Se você está com medo, como eu, de que quando os mercados despertarem para essa realidade já seja tarde, torça para que um “outsider”, do tipo Michael Bloomberg, ex-prefeito de NY, entre na disputa. Caso contrário, aí sim, darei completa razão à superstição de minha saudosa avó.

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