Panorama semanal – 14 a 18 de março

Os eventos políticos desta semana, sem dúvida, já entraram para a História do país. O mercado operou com uma volatilidade de curto prazo, ao sabor do noticiário, sobretudo a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil e a divulgação de conversas suas, grampeadas no âmbito da Lava Jato, com interlocutores diversos, entre os quais a presidente Dilma Rousseff.

No domingo, protestos reuniram mais de 3 milhões de pessoas em várias cidades do país, o que foi interpretado como um apoio popular mais forte ao impeachment da presidente Dilma.

Na segunda-feira, a decisão sobre a prisão de Lula, pedida na semana anterior pelo Ministério Público de São Paulo, foi transferida para as mãos do juiz Sérgio Moro. Intensificaram-se, a partir de então, os rumores de que Lula poderia assumir um ministério.

Em paralelo, tornavam-se públicos trechos da delação do senador Delcídio do Amaral, com a citação de dezenas de nomes de políticos e empresários, supostamente envolvidos em esquemas de corrupção. Entre eles, estaria o ministro Aloízio Mercadante, que teria sido escalado por Dilma para tentar evitar o acordo de delação de Delcídio com a Justiça.

Com o aumento da possibilidade de Lula assumir um ministério e adotar medidas heterodoxas na economia, o mercado reagiu negativamente no início da semana: o dólar fechou a terça-feira em alta e a Bovespa registrou queda de 3,5%. As ações das estatais despencaram: BB perdeu 21% e Petrobras, 10%.

Quarta-feira foi um dia ímpar. Lula foi anunciado oficialmente como ministro da Casa Civil, e a presidente Dilma deu uma coletiva de imprensa dizendo que não haveria mudanças na economia, o que era um dos grandes temores do mercado. Chegou a circular a notícia de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deixaria o posto se fosse feito uso das reservas cambiais do país, o que não se confirmou. Henrique Meirelles estaria cotado para assumir.

Enquanto isso, a cotação do barril de petróleo subiu e, nos Estados Unidos, o banco central americano (Fed) decidiu manter inalterada a taxa de juros da economia, ajudando a segurar o dólar por aqui. A bolsa subiu.

Um forte impacto veio com a divulgação dos áudios, na própria quarta-feira, de conversas do ex-presidente Lula, revelando críticas ao Judiciário e possíveis tentativas de obstrução à Justiça. A conversa com a presidente Dilma que veio a público dá a entender, na visão de muitos, que a nomeação de Lula no ministério seria uma manobra para que ele obtivesse foro privilegiado.

Todos esses fatos geraram uma polarização na sociedade, com polêmicas envolvendo o juiz Moro e Lula, além de muitos protestos, alguns violentos.

A piora do quadro político, no entanto, aumentou a perspectiva do mercado quanto à agilidade do processo de impeachment, e os indicadores reagiram positivamente.

Na quinta-feira, logo após discurso de Dilma repudiando os grampos telefônicos e negando tentativa de obstruir a Justiça, uma liminar suspendeu a posse de Lula como ministro, mas a Advocacia Geral da União recorreu em seguida. A batalha jurídica – e política – promete continuar.

No Congresso, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, realizou a eleição dos integrantes da comissão especial que fará um parecer sobre o pedido de impeachment, em mais um passo do processo.

Assim, à espera de uma troca de governo, o Ibovespa subiu 6,6% na quinta-feira, sua maior alta em cerca de sete anos, perto dos 51.000 pontos. O dólar, por sua vez, encerrou em queda de 2,32%, a R$ 3,652.

Mas a euforia do mercado não se justifica a partir dos números macroeconômicos divulgados ao longo da semana. Dados do BC mostram contração de 0,61% na economia no início deste ano. A taxa de desemprego no país, segundo informações da Pnad, fechou 2015 em 8,5%, a mais alta da série, iniciada em 2012. E o emprego com carteira assinada teve o pior mês de fevereiro desde o início da década de 1990.

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal da Órama.

*Dados atualizados até 18/03/2016 às 09h15

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