Brexit

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, definiu o dia 23 de junho deste ano como a data que decidirá os rumos do Reino Unido. Nessa data, a população irá optar pela permanência ou não permanência da Grã-Bretanha na União Europeia. O assunto é polêmico e para desvendá-lo, vamos explorar os fatos. Brexit?

O termo Brexit é uma contração de British Exit, que quer dizer, em tradução livre, Britânicos Fora. É usado para se referir a tal referendo. David Cameron se elegeu em 2015 com a promessa de realizar um pleito, dando à população a oportunidade de decidir o futuro da nação. Ele, que é contra a saída do bloco, antes de agendar o plebiscito, renegociou os termos de associação do Reino Unido junto à União Europeia, na tentativa de convencer a população a votar contra o desmembramento.

A Companhia das Indústrias Britânicas encomendou à consultoria PwC uma pesquisa de impacto econômico que apresentou resultados negativos com a possível saída. Estima-se um custo de £100 bilhões à Grã-Bretanha, além da extinção de quase um milhão de postos de trabalho. Outro grande problema é o livre comércio existente entre os membros do bloco, que será extinto com a saída do grupo. Os pró-Brexit sugerem negociações para a permanência dos direitos de livre comércio, mesmo com o Reino Unido fora da União, entretanto países como a França já indicaram um posicionamento contra, alegando que a Grã-Bretanha deverá arcar com as consequências.

Indústrias automobilísticas, alimentícias e comércios estarão entre os mais prejudicados, tendo em vista que 45% das exportações britânicas vão para a União Europeia, e se desconsiderarmos o setor de serviços, esse valor sobe para 51%. A zona de livre comércio existente permite o trânsito de mercadorias e serviços entre os países membros sem tarifas. A Noruega possui um acordo de livre comércio com o bloco europeu, mesmo não fazendo parte da União, e é algo do tipo que a Grã-Bretanha busca. Porém, dificilmente isso acontecerá, pois sua saída provavelmente não será amigável.

Apoiadores do desmembramento argumentam também que a contribuição bilionária (cerca de £7 bilhões líquidos, de acordo com o Financial Times) enviada à União Europeia poderia ser investida em pesquisa e desenvolvimento de novas indústrias. O único problema é a provável perda de competitividade do Reino Unido, sem o poder de negociação como membro da União.

A agência de classificação de riscos Moody’s estima que dois anos (tempo previsto para a conclusão do processo de saída, se for o caso) não são suficientes para reparar todos os danos causados pela partida. Em um possível “processo de reestruturação”, procedimentos que requerem um considerável período de tempo serão de suma importância, como negociações e acordos internacionais.          Segundo o relatório divulgado pela agência, os principais efeitos seriam: barreiras adicionais ao comércio; decisões de investimentos de empresas britânicas e estrangeiras afetadas (vale ressaltar que nos últimos anos o Reino Unido foi o membro do bloco que mais recebeu investimento externo); diversas alterações regulamentares do mercado, pois as regras da União Europeia não mais se aplicariam à Grã-Bretanha; e, por fim, impacto nos fluxos migratórios do Reino Unido, tanto de entrada quanto de saída. Dificilmente o governo conseguiria contornar todas essas questões em tão pouco tempo.

O que nos resta é aguardar o resultado do pleito em 23 de junho e, caso os britânicos optem pelo encerramento da associação, estaremos observando a evolução do que será um acontecimento inédito: nunca um país saiu da União Europeia. Por nunca ter acontecido antes, é difícil imaginar o desencadear da história, seus efeitos e resultados em alguns anos. Pesquisas indicam uma posição equilibrada entre os eleitores, com 20% de indecisos. Seja qual for o resultado, a única certeza é que será apertado. Caso saia da União Europeia, como ficará o Reino Unido em 50 anos? Brexit?

 

 

Victor Firmino: Estudante de Economia do IBMEC. Membro da área de análise macroeconômica do CEMEC, empresa júnior vinculada ao IBMEC, que tem como proposta principal realizar estudos e pesquisas sobre o mercado financeiro.

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