Panorama Semanal – 21 a 24 de março*

A semana foi mais curta, por causa do feriado, mas nem por isso mais calma. Pelo contrário, na “ressaca” após o vazamento dos grampos e da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro, multiplicaram-se os movimentos na Justiça, num processo de judicialização da política brasileira e, em última instância, do futuro do país.

Na segunda-feira, a 25ª fase da Lava Jato chegou a Lisboa. Até o fechamento deste Panorama, no entanto, o fato mais bombástico no âmbito da Lava Jato foi o vazamento de uma lista de propinas supostamente pagas pela Odebrecht, envolvendo o nome de mais de 200 políticos.

Outra decisão de forte repercussão foi a negativa da ministra do Supremo Tribunal Federal  Rosa Weber em conceder habeas corpus ao ex-presidente Lula. Gerou ainda mais impacto o fato de a investigação envolvendo Lula ter saído das mãos do juiz Sérgio Moro e ter ido para o Supremo, de acordo com decisão do ministro Teori Zavascki – que também decretou sigilo dos grampos telefônicos divulgados na semana passada.

Em paralelo, crescem tanto as pressões pelo impeachment de Dilma como se elevam vozes alegando golpe caso isso ocorra.

No meio da confusão político-jurídica, vão mal os indicadores econômicos.  A previsão para o PIB deste ano, de acordo com o boletim Focus, está em -3,60%. Já a estimativa da própria equipe econômica também piorou, para -3,05%. E sua previsão de inflação subiu para 7,44%. A taxa de desemprego em fevereiro fechou em 8,2%, a mais elevada para o mês desde 2009. Já a Petrobras registrou um prejuízo de R$ 34,8 bilhões no ano passado.

E o governo anunciou novo corte no Orçamento deste ano, agora de R$ 21,2 bilhões (R$ 23,4 bilhões já haviam sido contingenciados). Ainda assim, pedirá alteração da meta fiscal de 2016.

No exterior, os atentados terroristas em Bruxelas elevaram a aversão ao risco nas bolsas. Já a cotação do petróleo, que registrou altas no início da semana, recuou na quarta-feira, após a divulgação de um elevado estoque nos Estados Unidos.  Outro destaque internacional foi a declaração do presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, afirmando que prevê mais duas altas de juros nos Estados Unidos este ano.

Assim, o dólar, que vinha registrando quedas no mercado cambial brasileiro por uma expectativa maior de impeachment, inverteu a tendência ao longo desta semana. A mudança de direção se deu a partir de três fatos: atuações do Banco Central, com operações de swap cambial reverso, que pressionam a cotação; a declaração de Evans, do Fed; e a decisão do ministro Zavascki sobre a investigação envolvendo Lula. A moeda americana, então, encerrou a quarta-feira em alta de 2,10%, cotada a R$ 3,678.

No mercado acionário, a Bovespa, que oscilou também em função dos acontecimentos políticos, fechou a quarta-feira em queda de 2,59%, por causa da desvalorização das commodities, sobretudo o petróleo.

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal da Órama.

*Dados atualizados até 24/03/2016 às 11h35

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