O Labirinto Nipônico

Um arquipélago asiático, extremamente organizado e desenvolvido. Uma economia forte, que hospeda grandes empresas, principalmente de tecnologia e automotiva. Já deu para notar que estamos falando do Japão, um país com cerca de 130 milhões de habitantes, a 4ª maior economia do planeta. Uma economia robusta, mas que atualmente tem enfrentado diversos problemas para manter sua posição e o desenvolvimento do país.

Para começar, devemos considerar o perfil do cidadão japonês, que diferentemente do americano, por exemplo, não tem tanta sede por consumo. Além disso, o país tem vivido um período de deflação, ou seja, provavelmente o bem ou serviço que eu consumir hoje estará mais barato amanhã, portanto não preciso ter pressa para comprá-lo – ao contrário, devo esperar o máximo possível. Os japoneses são muito focados no trabalho e dificilmente tiram férias. Guardam grande parte de seu dinheiro e consomem de forma consciente. Nada além do necessário.

Recentemente, o banco central japonês teve de impor uma taxa sobre depósitos mantidos neste, no valor de 0,1%, tentando forçar o sistema bancário a emprestar dinheiro. Vale lembrar que esses empréstimos são realizados a taxas de juros negativas. Mesmo assim, a população não se interessa, e o dinheiro fica parado, gerando mais deflação, menos crescimento e, aos poucos, leva a economia para a estagnação.

Desde 2013 o país tenta estimular sua economia via Quantitative Easing(QE), um famoso estimulante econômico, usado pelos EUA para enfrentar a crise de 2008, e que agora tenta fomentar o desenvolvimento da economia japonesa. No final de 2015, o banco central japonês expandiu a injeção de capital pelo QE para ¥80 trilhões (US$660 bilhões), como parte dos esforços para que as companhias aumentem seus investimentos. Outra medida é o investimento de trilhões de yens por ano em ETFs que focam em empresas que estejam ativamente investindo no desenvolvimento nacional de capital físico e humano. Para os que não sabem, ETFs (Exchange-traded Funds) são fundos que refletem a evolução de índices, commodities ou um conjunto de ações, como em um fundo de investimentos, contudo são negociados como ações em bolsas de valores. O investimento nesses proporciona diversificação, mas também a facilidade de operação em uma bolsa de valores, visto que são transacionados como ações.

O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, que reúne as 225 principais empresas listadas, inicialmente respondeu aos estímulos do QE. Se o objetivo é aumentar os gastos das empresas, isso seria refletido no índice, que cresce à medida que seus componentes crescem. E foi o que aconteceu. Na primeira semana de 2013, ano em que o programa foi iniciado, o índice Nikkei operava com 10.605 pontos. Atualmente ele opera em torno dos 17.000 pontos. Uma grande evolução para o período, mas que já chegou próximo dos 21.000 pontos em sua máxima, na metade de 2015. Para se ter uma ideia, o índice Bovespa operava em 60.990 no início de 2013, e atualmente opera em torno dos 50.000 pontos.

Por enquanto, a esperança do governo japonês está na eficácia do QE, apesar de já demonstrar sinais de fraqueza. Talvez uma mudança do perfil de consumo japonês fosse mais eficiente, porém muito difícil. A população do país está envelhecendo e uma possível abertura de fronteiras poderia ser considerada, buscando imigrantes super qualificados, com perfis de consumo emergentes, como o brasileiro, enriquecendo a força de trabalho e gerando inflação através do aumento do consumo. Algo parecido é feito pelo Canadá com seu principal programa de imigração, o Express Entry, não apenas para forçar um crescimento econômico, mas principalmente para suprir carências do mercado de trabalho local. Como disse Armando Nogueira, “copiar o bom é melhor que inventar o ruim”.

 

Victor Firmino: Estudante de Economia do IBMEC. Membro da área de análise macroeconômica do CEMEC, empresa júnior vinculada ao IBMEC, que tem como proposta principal realizar estudos e pesquisas sobre o mercado financeiro.

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