Administrando o caos

Quanto mais o tempo passa, mais a tensão aumenta na União Europeia. Não bastassem as crises políticas internas de cada país, o fluxo crescente de refugiados e o medo da ameaça terrorista, agora os bancos europeus é que são os porta-vozes das más notícias que podem levar o continente a uma verdadeira bancarrota.

Enquanto isso, o relógio é o único que, indiscutivelmente, faz a sua parte.

Tic… Tac …

Na última semana, a Autoridade Bancária Europeia (EBA) divulgou o resultado do teste de “estresse” realizado no sistema financeiro do velho continente, abordando as 51 instituições do setor bancário de 15 diferentes países, correspondentes a praticamente 70% dos ativos financeiros de toda a União Europeia.

Tal atividade foi realizada com a finalidade de garantir aos participantes do mercado, em geral, as condições de análise básicas para que seja avaliada a capacidade das grandes instituições financeiras de resistir a crescentes cenários adversos. Para isso, foi realizada uma simulação probabilística, onde os bancos foram expostos a ambientes econômicos hipotéticos, com uma série de fenômenos catastróficos, os quais, salvo branda exceção, superaram com satisfatório grau de resiliência. Tudo isso ajudou a trazer transparência aos dados contábeis de alguns dos maiores bancos da Europa, em um esforço de promover uma espécie de disciplina nesse mercado.

Porém, acontece de muitos dos investidores suspeitarem de que o teste de “estresse” realizado tenha sido muito ameno, a ponto de não ter reproduzido os impactos que uma possível nova crise econômica real provocaria no setor. Esta desconfiança pode tornar-se um risco em si, minando a credibilidade que as instituições têm com os credores, acrescentando preocupações sobre a saúde financeira dos bancos e gerando confusão no mercado.

O exame tem sido criticado por vários fatores, como o limite do seu alcance, não fazendo a cobertura de toda a Europa, tal que organizações bancárias de Portugal e da Grécia, países chave na região, ficaram de fora do experimento. Além de ter simulado eventos de apenas acréscimos nas taxas de juros, em vez de momentos com taxas negativas que se fazem presentes em economias da zona do Euro, bem como a ruptura de práticas existentes no passado, pois agora os reguladores não indicaram aprovação ou reprovação do sistema como um todo, o que era de praxe até este ano. A EBA limitou-se a utilizar as informações para definir os requisitos de capital de cada banco.

Os credores italianos foram novamente o centro das atenções, como em um experimento de 2014, quando 25 dos 130 grandes bancos falharam no maior teste já realizado na história, que teve como objetivo restaurar a confiança e acabar com uma queda de dois anos em empréstimos que sufocou a recuperação econômica do continente europeu. Só que, desta vez, suas entidades bancárias estão entre as mais endividadas.

Seguindo um viés expressamente diferente, nos EUA, o Federal Reserve reprovou dois dentre os 33 bancos na rodada final do seu teste de “estresse” em junho de 2016. O Fed usa o ritual anualmente a fim de pressionar os credores para manterem-se de acordo com os padrões do país. Os bancos que não se enquadram são impedidos de pagar dividendos.

 

Antonio Bogado: Estudante de Economia do Ibmec. Analista Macroeconômico do Centro de Estudos de Mercados de Capitais, empresa junior vinculada ao Ibmec.

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