Dieta fiscal, a fome do Brasil

O IBGE mostrou o que todos nós já sabemos e sentimos no bolso: a inflação acelerou em julho, principalmente por causa dos preços dos alimentos. O IPCA, índice oficial do dragão no Brasil, está teimoso e registrou alta de 0,52%. No período de 12 meses, acumula 8,7%.

Somente este ano, os produtos que compõem a alimentação do brasileiro médio já subiram 13,5%. Como não há salário que tenha engordado tanto no período, conclui-se que a saída é pela dieta.

Uma dieta, nesse caso, significa adequar, em cada lar do país, as despesas às receitas. Isso inclui o “lar maior”, chamado de União. Em outras palavras, essa adequação, que qualquer dona de casa sensata já vem instituindo no âmbito familiar, é o que governo deveria também estar empenhado em fazer, o tal do ajuste fiscal. É isso que permitirá, por exemplo, uma queda na estratosférica taxa básica de juros do país, condição essencial para a retomada do crescimento econômico.

A questão é que o corte nos juros, conforme indicação do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, não deve ocorrer enquanto a inflação não mostrar menor resiliência. Muitos economistas e instituições já revisaram suas projeções e esperam cortes na Selic apenas mais pra frente, após a reunião de outubro do Copom.

Além da esticada no aperto monetário, a equipe econômica também se ancora hoje na necessidade de um real valorizado, para compensar efeitos ainda maiores nos preços.

Uma das perguntas é por que, mesmo com os juros elevados da nossa política monetária, o IPCA ainda resiste? Inflação inercial à espreita? Bate na madeira três vezes…

O fato é que a política monetária só será eficiente (e menos dura) no combate à inflação se vier acoplada de uma política fiscal consistente, crível. As duas, combinadas, são capazes de reverter expectativas e, numa profecia autorrealizável, podem segurar a temida inflação, inimiga eterna.

Enquanto avança o processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado, a torcida é pelo andamento das medidas econômicas prometidas pelo governo interino. Só elas, como se percebe, ajudarão o país a se livrar de uma dieta tão incômoda e pouco nutritiva, imposta a todos os brasileiros.

Escrito por

Jornalista, bacharel em economia, professora e sócia da Doze+ Comunicação.

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