Por que sair da poupança

Por que sair da poupança e aplicar em produtos de renda fixa?

Eu trabalho com educação financeira há mais de 15 anos e, antes disso, a poupança já não era a melhor opção de investimento. No entanto, naquela época, para ter acesso a bons investimentos era preciso ter mais dinheiro. Só os mais afortunados tinham o valor mínimo para aplicar em bons fundos ou comprar títulos de renda fixa. Para os demais, restava a caderneta de poupança para juntar o necessário e depois dar um “upgrade” no investimento.

Porém, hoje, com tantas aplicações com mínimos que cabem em qualquer bolso e com toda a informação disponível, o que ainda explica essa quantidade de gente que aplica na poupança?

Rendimento não é!!!
A rentabilidade inferior já seria motivo suficiente para migrar da poupança para outro investimento.

Investidor que é investidor está sempre à procura de melhores oportunidades de investimento, de maior retorno para o seu dinheiro, quer lucrar o máximo possível, seja qual for o valor que possuir. “Dinheiro não aceita desaforo”. Dinheiro é dinheiro. Muito ou pouco.

Como os números não mentem, vamos a um exemplo real. Quem investiu em uma LCI (ou LCA), que também é isenta de Imposto de Renda como a poupança, um ano atrás*, obteve 14,13% de retorno. As taxas oferecidas pelos bancos emissores desses títulos há um ano ficavam em torno de 100% do CDI. No mesmo período, a poupança rendeu 8,39%.

O saldo atual de quem aplicou R$ 10.000,00 em LCI/LCA é R$ 11.413. Aquele que deixou na poupança tem R$ 10.839. Uma diferença de R$ 574, ou 5,74 pontos percentuais a mais.

Como o investimento deve ser pensado e avaliado no longo prazo, imagina essa diferença acumulada ao longo de 5, 10, 20 ou 40 anos! E lembre-se que em finanças, a capitalização dos juros é calculada na forma composta, ou seja, juros sobre juros.

Mas se o investidor não migrou da poupança até hoje é porque existem outras razões que justificam a sua escolha. O que seria? Abaixo seguem os possíveis motivos que ainda mantêm alguém aplicando na poupança. Mas, leia os comentários e entenda por que esse investidor deve repensar sobre o futuro do seu dinheiro.

Segurança
Assim como a poupança, o CDB, a LCI, a LCA e a LC são títulos garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), um fundo que garante a cobertura do saldo investido em até R$ 250 mil por CPF, se a instituição que emitiu o título falir.

O FGC não cobre os investimentos em fundos de renda fixa. No entanto, os fundos de perfil conservador, mais apropriados para quem está saindo da poupança, aplicam em títulos do Tesouro, garantidos pelo Governo Federal, ou seja, também são bastante seguros.

Portanto, a poupança não é o único investimento confiável no mercado. Qualquer um pode obter maior rendimento e ficar tranquilo quanto à segurança aplicando em fundos e em títulos de renda fixa.

Dinheiro disponível a qualquer momento
Aplicando em fundos conservadores e de renda fixa, pode-se retirar o dinheiro quando quiser, assim como na poupança.

E também é possível aplicar em títulos de renda fixa com resgate diário, mas, nesse caso, a taxa de retorno vai ser mais baixa do que a daqueles títulos com prazos de vencimentos mais longos.

Então, se a liquidez diária é o motivo pelo qual alguém ainda aplica na poupança, meu conselho é que aplique em fundos a sua reserva para emergências, ou seja o valor equivalente a seis vezes a renda mensal, para poder resgatar a qualquer momento.

Já para objetivos específicos, como uma viagem, um carro ou um imóvel próprio, o ideal é aproveitar as melhores taxas dos títulos com prazos de vencimentos mais extensos.

Medo do desconhecido
Esse medo está presente em todos os aspectos das nossas vidas. Sentimo-nos muito mais confortáveis quando conhecemos o terreno onde pisamos. O ser humano prefere as situações nas quais pode antecipar as consequências.

Quando a razão por continuar investindo na poupança é o medo do desconhecido, eu até entendo. Mas, então, está na hora de começar a expandir horizontes. Temos que aproveitar as facilidades e as ferramentas que o desenvolvimento da tecnologia e da internet proporcionam. Visitar sites, ler blogs, assistir a vídeos e baixar eBooks são algumas dicas. Há muito conteúdo bom que ajuda a investir melhor e sem medo.

Conversar com alguém em quem se confia ou com um consultor financeiro também encurta e facilita o caminho para novos investimentos.

Taxas, custos e impostos
O quanto se paga para investir é um fator determinante, pois vai definir o lucro líquido obtido. No entanto, as despesas não devem ser uma desculpa para que se continue com dinheiro aplicado na poupança.

Taxas, custos e impostos estão presentes na nossa vida diária. Basta pesquisar, compará-los, saber identificar o que é justo e o que é abusivo. A poupança é um exemplo de aplicação isenta, mas seu desempenho final deixa a desejar.

Fundos de investimentos cobram taxas de administração. No caso de fundos de renda fixa, uma taxa até 1% ao ano é aceitável, justa. Quanto ao imposto, é aplicada a tabela regressiva, ou seja, quanto mais tempo você deixar o dinheiro aplicado, menor a alíquota a pagar.

Até 180 dias – 22,5%
Acima de 180 a 360 dias – 20%
Acima de 360 a 720 dias – 17,5%
Acima de 720 dias – 15%

Dá um pouco de trabalho comparar, mas não é difícil. Para ver o dinheiro “trabalhando” para gente é preciso fazer nossa parte!

Comodidade
Essa não pode ser a razão pela qual alguém ainda deixa o dinheiro na poupança!

Devemos correr atrás para maximizar a rentabilidade dos investimentos. Não podemos esperar que ninguém faça isso por nós.

Já escrevi isso mais acima, no entanto, vou reforçar: investidor que é investidor está sempre à procura de melhores oportunidades de investimento, de maior retorno para o seu dinheiro, quer lucrar o mais que puder, seja qual for o valor que possuir. Comodidade é para os momentos de lazer.

Quem descobre o caminho de saída da poupança não volta nunca mais. E ainda leva familiares, amigos e colegas.

Para finalizar
O que mais me impressiona em ver tanto dinheiro ainda investido na poupança é que essas pessoas, em vez de aumentar seus patrimônios, estão perdendo poder de compra. Com a alta inflação que persistiu nos últimos anos, a perda foi significativa, pois o conceito dos juros compostos também se aplica para calcular o ganho real.

Mas, como na vida em geral, nos investimentos também nunca é tarde para mudar.

* de 31/08/2015 a 31/08/2016

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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