O drama sul-coreano

A Coreia do Sul vive um cenário político conturbado. Por causa do escândalo com a confidente e amiga de longa data da presidente Park Geun-hye, a popularidade da governante vem desabando. Rumores já antecipavam esse escândalo, alimentado por trocas de nomes no governo e mandatos de prisão a ex-assessores. Na última semana, milhares de pessoas foram ao centro da capital, Seul, pedir a saída de Park, o que só evidenciou ainda mais a insatisfação do povo sul-coreano.

O principal fator para a queda da popularidade da presidente é seu envolvimento e sua amizade de longa data com Choi Soon-il, que foi detida, acusada de tráfico de influência e acesso a informações e documentos confidenciais do governo. A amizade entre as duas vem da relação entre seus pais. O pai de Park, ex-ditador da Coreia do Sul, era íntimo de Choi Tae-min, pai de Choi Soon-il. Park Chung-hee foi assassinado, e a relação entre os dois teve relevante peso no assassinato do ditador. Quando a mãe da atual presidente morreu em um atentado, ela passou a ter Choi Tae-min, líder espiritual da religião fundada pelo próprio, como confidente, o que também desencadeou a aproximação com Choi Soon-il.

Choi Soon-il foi detida na última semana por conta de investigações sugerindo que ela influenciava decisões da governante e tinha acesso a documentos e informações confidenciais do governo. Sugere-se também a possibilidade de que teria se valido dessas informações para favorecimentos políticos e financeiros. Esses escândalos abalaram ainda mais a popularidade da atual presidente. Esta, por sua vez, em um pronunciamento, pediu desculpas à população e explicou que Choi era sua amiga e lhe ajudara apenas lendo e alterando alguns de seus discursos.

Ainda durante a semana passada, Park trocou nomes no governo sul-coreano ligados ao escândalo de sua confidente, porém continua sobre forte pressão da oposição. Dois ex-assessores da presidente, que foram demitidos em meio à crise, receberam mandados de prisão, acusados de abuso de poder e vazamento de informações. As investigações levam a crer que eles pressionavam empresas, por causa de suas influências no governo, a realizar doações milionárias para fundações de Choi. Esperava-se, ainda, uma pressão maior da oposição pedindo o impeachment de Park. No entanto, os oposicionistas preferem a renúncia da presidente, visto que essa pressão poderia ter efeitos negativos para a própria oposição na eleição marcada para daqui a quinze meses.

Portanto, a instabilidade política na Coreia do Sul tende a se agravar. Com a pressão das ruas crescendo e os escândalos ligados ao governo sendo noticiados rotineiramente, o futuro não se mostra dos mais aprazíveis para a atual presidente. Resta, agora, aguardar a sequência dessa conturbada conjuntura e analisar seus reflexos na próxima eleição e, consequentemente, na economia do país.

 

 

Bruno Kronemberger: Membro da área de Análise Macroeconômica e aluno de Engenharia de Produção do IBMEC.

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