É hora de aplicar em fundos de ações?

Os investimentos em bolsa foram o destaque em 2016. Mesmo com a taxa de juros nas alturas, a melhora das perspectivas econômicas contribuiu para que o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, fechasse o ano com valorização de quase 40%.

Entramos em 2017 com um cenário completamente diferente do início do ano passado. Além de um novo governo com propostas de reformas importantes, a inflação desacelerou e o ciclo de corte de juros foi iniciado. O BC foi ousado na reunião de janeiro e cortou os juros em 75 pontos-base. Com esse ritmo, o mercado já precifica que a redução dos juros será mais intensa do que a estimada no fim do ano passado. O real também voltou a se fortalecer.

O ambiente não poderia estar mais favorável para o mercado de ações. O patamar de 68.000 pontos confirma isso. Mas precisamos refletir sobre os riscos de investir em fundos de ações neste momento, ponto a ponto.

Realização de lucros

É comum ocorrer um movimento de venda após um período de forte valorização das ações. Analisando o gráfico de evolução do Ibovespa, observamos alta de 70% nos últimos 12 meses. A tentação para realizar os lucros e embolsar o dinheiro é grande.

Em momentos com esses, os gestores de fundos de ações ajustam suas carteiras vendendo ações que valorizaram demais, seja porque o preço atingiu o valor alvo ou o percentual em determinada empresa ou porque setor extrapolou os limites definidos na política de gerenciamento de risco.

A aprovação das reformas

Aprovação das reformas é fundamental para manter a confiança do investidor em alta, sobretudo a Reforma da Previdência. O cronograma para o primeiro semestre de 2017 já está definido, e as reformas estão bem encaminhadas, inclusive a trabalhista e a fiscal já entraram em pauta.

As eleições dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado favorecem a aprovação das reformas, no entanto os desdobramentos da operação Lava Jato poderão ser um balde de água fria. Nesse caso, a bolsa muda sua trajetória.

Nova crise política

Em janeiro, a calmaria no quadro político devido ao recesso do Legislativo e do Judiciário colaborou para a alta da bolsa. Mas, com o retorno dos Três Poderes à rotina, as surpresas que podem surgir envolvendo políticos importantes no âmbito da Lava Jato não podem ser menosprezadas.

As implicações das delações da Odebrecht são imprevisíveis e podem ter um impacto significativo no desempenho do mercado de ações.

Ventos externos

Além dos riscos acima, fatores vindos do exterior podem refletir no movimento do mercado de ações.

O desempenho da economia americana em função da política expansionista e de redução de impostos prometidas por Trump é o principal deles. Logo em seguida, vem a trajetória dos juros americanos, pois uma política de juros mais altos muda o fluxo de capitais dos investidores estrangeiros. O aumento do protecionismo nos EUA gera risco para o mercado global, mas os efeitos sobre o Brasil ainda são difíceis de se prever.

Dados da economia chinesa, eleições na Europa, negociações do Reino Unido para deixar a União Europeia, além de outros  possíveis conflitos no âmbito global devem ser monitorados.

Cuidados

Se você tem um plano de investimento, não tem por que mudar agora. Mantenha a disciplina e os aportes regulares. Lembre-se que alterações não devem ser realizadas com frequência. Uma vez por ano é o suficiente, a não ser que uma grande mudança em sua vida justifique uma revisão antecipada.

Para os investidores que ainda não possuem nenhum percentual alocado em renda variável, o momento é mais delicado para começar, pelos motivos explicados acima. Exige alguma cautela. Começar com 5% e ir aumentando gradualmente é a estratégia mais adequada.

Os que já estão com posições em fundos de ações, podem manter, mas aconselho respeitar o limite de 25%-30% da carteira. Se ultrapassou disso, pode pensar em realizar algum lucro.

Estudos apontam que a disposição dos investidores para assumir riscos aumenta ou diminui de acordo com a tendência dos mercados. Quando a bolsa está em alta, os investidores se sentem encorajados para aplicar em ações ou fundos de ações. Agora, sabendo disso e conhecendo os riscos, vá com calma.
Oportunidades

Os riscos detalhados acima são para o horizonte de curto prazo. As boas perspectivas para o médio e longo prazos permanecem.

Porém, identificar oportunidades não é para qualquer um. A grande vantagem de investir em fundos é justamente contar com gestores especialistas que fazem análises profundas dos ativos e operam por você. São eles que decidem se é preciso mudar a estratégia, reduzir a exposição ao risco e a hora de voltar a comprar. Sabem que movimentos são necessários para incrementar a rentabilidade e cumprir suas metas de retorno.
Concluindo, quando você investe em fundos bem selecionados, adequados ao seu perfil, com históricos consistentes, não precisa se preocupar com o momento ideal para entrar. É possível fazer bons investimentos nesse período também. Basta dar o tempo necessário que o mercado exige para se ajustar e voltar a apresentar os resultados esperados.

As principais vantagens de investir em fundos de ações são: diversificação, que reduz o risco total dos investimentos, e gestão profissional. Pagar taxa de administração e performance vale a pena, já que as chances de alcançar retornos significativos no longo prazo são muito maiores.

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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