Juro real x juro nominal: por que a Renda Fixa ainda é uma boa opção de investimento?

Com a taxa de juros em queda, os rendimentos da renda fixa vão ser menores do que são hoje, mesmo assim, os ganhos com essas aplicações vão continuar atraentes. Mas por quê? Isso tem relação com a taxa de inflação. Vamos lá.

É o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, que periodicamente ajusta a Selic, a taxa que, no Brasil, baliza as demais taxas de juros negociadas nos bancos e instituições financeiras. Na reunião de fevereiro do Copom, foi decidida por unanimidade a redução da taxa Selic para 12,25% ao ano, um corte de 0,75 ponto percentual na taxa então vigente. O comunicado divulgado após a reunião levou o mercado a acreditar que o próximo corte poderá levar a taxa para 11,25% e, nesse ritmo, o ano fecharia com a taxa na casa de um dígito.

 

Taxa nominal

A Selic é uma taxa nominal, assim como são os rendimentos das aplicações financeiras, tantos os que já foram incorporados ao capital aplicado como os retornos esperados.

Toda taxa estampada nos extratos, nos site ou nas mídias é taxa nominal. Por exemplo: em um CDB com remuneração de 110% do CDI, a taxa estimada de 11,30% para o período é a taxa nominal.

No entanto, o que importa mesmo é o retorno obtido depois de descontada inflação.

 

O que importa é o juro real

O ganho após descontar a inflação no período que o dinheiro ficou aplicado é a taxa de juro real. Consequentemente, ela é a medida mais precisa do aumento do poder aquisitivo, pois mensura o quão mais o dinheiro aplicado vai conseguir comprar. O crescimento de patrimônio é uma função da taxa de juro real.

Por exemplo, se você tivesse aplicado R$ 1.000 há um ano, e o saldo atualizado na sua conta hoje fosse de R$ 1.120, a taxa de retorno nominal da sua aplicação seria de 12%. No entanto, supondo que a inflação nesse intervalo tenha sido de 5%, o retorno real da aplicação foi de aproximadamente 7%.

De maneira simplificada: taxa de juro real = taxa de juro nominal – taxa da inflação.

 

Efeito Fisher

Na verdade, a conta não é assim tão direta. A fórmula da taxa real é derivada da teoria econômica proposta por Irving Fisher, que descreve a relação entre a inflação e as taxas nominal e real.  Por exemplo, no caso de a taxa nominal ser 12% em um ano e a inflação ser de 5% no período, a taxa real corretamente calculada* é de 6,67%.

 

Cuidado com taxa real negativa

Os retornos das aplicações financeiras devem ser avaliados mais em termos reais do que em termos nominais, sobretudo durante períodos de inflação alta, para dar uma visão mais clara do valorização do dinheiro.

Por exemplo, o ganho real das aplicações em poupança foi negativo 2,32% em 2015, quando o IPCA foi 10,7%.  Os investidores perderam poder de compra com o rendimento da poupança, que nominalmente foi de 8,13%, menos que a inflação. O saldo do dinheiro aplicado não acompanhou a alta dos preços dos bens e serviços.

Taxas negativas têm sido observadas em países desenvolvidos nos últimos anos. Mesmo com a inflação muito baixa, as taxa nominais foram definidas ainda mais baixas para estimular o crescimento econômico.

 

O juro real no Brasil

Nos últimos dez anos, o juro real médio anual foi de 4,4%, resultado da diferença entre a média anual da Selic (10,9%) e a inflação média (6,5%). A medida oficial de inflação no Brasil é o IPCA. Utilizando o efeito Fisher, chegamos a uma taxa real média de 4,1%.

Colocando em perspectiva de tempo, juros reais de 4% ao ano resultarão em aumento de poder aquisitivo de aproximadamente 50% em dez anos.

Vai demorar para que o nosso juro real venha abaixo dos 4%. Para isso, a taxa nominal precisaria cair para muito, mas as autoridades monetárias sabem o perigo de cortar a taxa mais do que o devido: a volta da inflação. A taxa Selic é o instrumento utilizado para controlar a inflação.

Olhando para frente, a curva de juros aponta taxas nominais entre 9% e 10% ao ano. Com a inflação bastante enfraquecida, e o IPCA convergindo para o centro da meta (4,5%), a taxa real flutuará entre 4,3% e 5,3%. Portanto, a renda fixa ainda é uma boa opção de investimento.

 

Resumindo

Mantenha-se informado quanto às expectativas das taxas nominais, da inflação e faça as contas. Enquanto a taxa real estimada estiver acima de 4%, não há com o que se preocupar. O dinheiro aplicado em renda fixa vai continuar valorizando bem.

* (1+ taxa de juro real) = (1 + taxa de juro nominal) / (1 + taxa inflação)

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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