G20 promove discussão sobre investimentos e criptomoedas

Há não muito tempo atrás, existiam poucos países que tinham capacidade real de influenciar a economia global. Podem ser facilmente listados pela importância que tiveram no decorrer da história global. São eles: Alemanha, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Canadá. Esse países compuseram inicialmente o chamado G7 e se reuniram pela primeira vez em 1975. Na década de 1990, a cúpula viu a necessidade de reunir um maior número de países para que houvesse uma maior integração global, como também uma maior amplitude das medidas discutidas nas reuniões. Com essa necessidade surgiu o G20, grupo composto de 19 países mais a União Europeia.

Os encontros são frequentados por ministros das finanças, presidentes dos bancos centrais e chefes de Estado e governo, com o objetivo de resolver questões que afetem o sistema financeiro, o comércio e o desenvolvimento mundial. Os participantes do grupo são: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Alemanha, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia e o Reino Unido. Juntos, representam 85% da economia global e 66% da população mundial. Como a Argentina ocupa a presidência este ano, todos os encontros ministeriais, como também dos chefes de Estado e de governo, ocorrerão no país, o último deles entre os dias 30 de novembro e 1º de dezembro.

O primeiro encontro da cúpula ministerial de 2018 foi realizado em 19 e 20 de março em Buenos Aires, na Argentina. Houve conversas mais intensas envolvendo a arquitetura financeira,  o sistema tributário global, regulação financeira e a tecnologia das criptomoedas. Ainda foram discutidos assuntos como o futuro do trabalho e desenvolvimento da infraestrutura, temas promovidos pela presidência local.

Em relação ao futuro do trabalho, foi debatido o impacto da crescente tecnologia e o que fazer para que esse avanço crie mais empregos e de melhor qualidade para a população. No que diz respeito à infraestrutura, os representantes dos países discutiram sobre como conquistar mais investimentos do setor privado para que a infraestrutura global melhore de forma unânime. E, ainda, analisaram como a era digital afeta o comércio mundial, onde está o valor criado e como fazer para que impostos sejam cobrados de forma justa e correta sem que interrompam o desenvolvimento digital.

Contudo, a atenção de todos estava voltada para possíveis conversas acerca da sobretaxa na importação de alumínio e aço promovida pelos Estados Unidos. A cúpula se reuniu poucos dias antes da implementação efetiva da mesma.

Ao final do segundo dia de reuniões, foi divulgado o comunicado oficial da cúpula, onde os representantes expõem sua decisão final sobre cada um dos tópicos discutidos, bem como as políticas necessárias para que as decisões sejam implementadas em cada um dos países.

O comunicado final mostrou que as economias mundiais apresentaram um crescimento conjunto durante os últimos anos (porém não na mesma proporção), algo que não é visto desde 2010. Ainda afirmaram que houve um volume maior em investimentos e no comércio, porém não deixaram de falar sobre os riscos ainda persistentes na economia.

O grupo identificou no desenvolvimento da tecnologia grandes oportunidades econômicas, assim como um novo jeito de fazer negócios, novos trabalhos, um maior crescimento do produto e no estilo de vida. Contudo, tal transformação afeta diretamente o mercado de trabalho, já que se fazem necessárias mais habilidades e adaptabilidade para poder competir no mercado, o que pode causar desigualdade tanto dentro de cada país como em comparação com outros. Dessa forma, o grupo concordou com a importância do tema e deixou para apresentar um conjunto de políticas em sua próxima reunião, em julho.

A infraestrutura foi considerada de extrema importância, já que a mesma é julgada como fator crucial para o aumento na produtividade e o sustento de crescimento a longo prazo. Dessa maneira, foi acordado que o investimento público é importante, porém não é o suficiente para atender a demanda global, o que se faz necessário com uma participação maior do setor privado. Para conquistar tal objetivo, foi decidido que os países irão ajudar no desenvolvimento da infraestrutura para que se torne uma classe de ativo. Para isso, apoiaram o “Roteiro para Infraestrutura como uma Classe de Ativo”, que reúne decisões promovidas por presidências passadas para guiar os próximos passos do processo.

Ainda, os países concordaram em não promover uma desvalorização cambial de suas moedas ou propor uma taxa de câmbio por motivos competitivos – crítica esta feita diretamente a China, que vem promovendo desvalorização de sua moeda para atrair mais investimentos ao país.

Já em relação ao assunto mais esperado, o comércio, os 20 países explicaram que o comércio internacional e o investimento são motores para o crescimento do produto, produtividade, inovação, criação de trabalho e desenvolvimento, reafirmando que são necessários mais diálogos e ações para a definição do assunto. Dessa forma, torna-se aparente a força que os Estados Unidos têm no grupo, já que, nem nos encontros nem no relatório final, foi falada ou escrita a palavra “protecionismo”.

Em relação às criptomoedas, como o bitcoin, o grupo demonstrou que conhece a capacidade das mesmas de promover eficiência e inclusão no sistema financeiro. No entanto, reconhece os perigos que os investidores possuem ao operar  tais moedas virtuais, além de riscos à integridade do mercado, evasão fiscal, lavagem de dinheiro e financiamento para o terrorismo. Com isso, concordaram que seguirão as regras promovidas pelo Grupo de Ação Financeira Internacional em relação às criptomoedas.

A reunião do grupo foi considerada produtiva por todos, pois, além da discussão dos temas expostos, alguns assuntos que não pautavam o compromisso, mas que eram de interesse geral, foram discutidos durante os dois dias da cúpula. Dessa maneira, pode-se notar que o encontro promoveu, de certa forma, uma igualdade entre os países, que só pode ser de fato conquistada se todas as decisões por eles tomadas se realizarem.

 

JoaoMarceloCosta João Marcelo Costa

Membro da área Análise Macroeconômica do CEMEC, empresa júnior vinculada ao IBMEC, que tem como proposta principal realizar estudos e pesquisas sobre o mercado financeiro.

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