Greve, Petrobras e os destaques da semana

Panorama Semanal de 21 a 25 de maio

“Meia trégua” em troca de concessões aos caminhoneiros. Este foi o saldo de uma das mais conturbadas semanas dos últimos tempos no país.

O cenário ficou tenso logo na segunda-feira, a partir do aumento da gasolina e do diesel pela Petrobras, o que desencadeou a greve dos caminhoneiros, com bloqueio de rodovias, desabastecimento de alimentos, alta absurda nos preços de produtos, problemas na circulação de transporte público (ônibus), suspensão de entrega dos Correios, reflexos nos aeroportos, entre outros transtornos. Tudo isso com forte impacto na atividade econômica e no dia a dia do cidadão brasileiro.

Uma das saídas para a situação seria o governo interferir na política da Petrobras, determinando o congelamento dos preços dos combustíveis, mas tal ato geraria danos aos acionistas, pois a empresa é livre para determinar os valores que considera adequados e para fazer a gestão do seu negócio.

Restou, portanto, ao governo tentar reduzir os impostos incidentes sobre os combustíveis, decisão que, por sua vez, precisa passar pelo Congresso e significa uma forte perda arrecadatória num momento fiscal bastante desfavorável. Um desses impostos é a Cide, mas sua redução tem impacto de R$ 0,05 no valor do diesel. A demanda dos caminhoneiros é zerar o PIS/Cofins – e nesse ponto, o assunto, que foi aprovado na Câmara dos Deputados, parou no Senado. O motivo seria um erro no cálculo da renúncia fiscal com PIS/Cofins. Deputados estimam em R$ 3,5 bilhões, mas a Receita Federal diz que são R$ 12 bilhões.

Enquanto isso, para que as negociações pudessem avançar, a Petrobras reduziu em 10% os preços do diesel por 15 dias – no fim da noite de quinta-feira, esse prazo foi estendido para 30 dias. A boa vontade da empresa, entendida como ingerência política, teve consequências: suas ações despencaram mais de 13%, com perda em torno de R$ 50 bilhões em valor de mercado, deixando para trás o posto de companhia mais valiosa da bolsa.

Mediante o bloqueio de rodovias, foi autorizado o uso das Forças Armadas para retirar os caminhoneiros das estradas.

Na noite de quinta-feira, governo e representantes dos caminhoneiros se reuniram para negociar em Brasília. O governo atendeu a algumas reivindicações da categoria, e terá um custo fiscal com isso, pois vai ressarcir a Petrobras pelo congelamento dos preços (o que, por sua vez, é positivo para a empresa). Assim, os representantes dos caminhoneiros prometeram uma “trégua” de 15 dias, quando as partes voltam a conversar. Mesmo anunciada a suspensão da paralisação, há divisões internas na categoria, e a greve continua em diversos estados na manhã desta sexta-feira, com uma situação ainda distante da ideal.

E assim se desenhou, resumidamente, o principal imbróglio da semana.

Entre os outros assuntos de destaque, está a divulgação do IPCA-15, prévia da inflação oficial, que caiu em maio para 0,14%, apesar da alta do dólar. É a menor taxa para maio desde 2000. Em 12 meses, o IPCA acumula 2,70%.

No mercado de câmbio, já no início da semana, o Banco Central aumentou o grau de atuação e conseguiu conter a alta do dólar ao longo da semana.

O ex-senador e ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo foi preso, condenado a 20 anos de prisão no caso do chamado mensalão tucano.

E o Comitê de Direitos Humanos da ONU rejeitou o recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para evitar que ele permaneça preso.

Na política, foi oficializada a pré-candidatura de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda.

Lá fora, a principal notícia foi o cancelamento, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da cúpula histórica com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, no dia 12 de junho, em Cingapura.

Com a eleição de Nicolás Maduro na Venezuela, os EUA ampliaram as sanções contra o país. A Venezuela, por sua vez, expulsou o principal diplomata dos EUA de seu território.

No mundo corporativo, um toque feminino. A exemplo da Nasdaq, a Bolsa de Nova York será liderada por Stacey Cunningham, a primeira mulher no cargo em mais de 200 anos.

No pregão desta quinta-feira no Brasil, a desvalorização dos papéis da Petrobras fez com que o Ibovespa encerrasse em queda de 0,92%, aos 80.122,30 pontos. Já o câmbio, com as incertezas globais, além da crise interna, fechou cotado a R$ 3,649, alta de 0,63%.

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal.

*Dados atualizados até o dia 25/5, às 10h.

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