No futebol e nos fundos: as táticas

Terminada a Copa do Mundo de futebol, a França se sagrou a campeã mundial pela segunda vez em sua história. Não praticou um futebol tão bonito como estávamos acostumados a ver em outros momentos, como em 1986 (quando nos venceu nas quartas de final) ou em 1998 (quando foi campeã), porém o pragmatismo do seu técnico e a qualidade da equipe tornaram-na merecedora da conquista.

Em 1982, a seleção brasileira encantou o mundo com um time de altíssima qualidade. Era uma equipe, comparada por muitos, ao esquadrão de 1970, que conquistara o tricampeonato. Dirigido por Telê Santana, o Brasil perdeu para uma seleção burocrática, da Itália, que acabou se tornando a campeã daquele torneio. Foi ali que, historicamente, ficou conhecido o chamado “futebol de resultado”, onde a técnica do jogo era perpassada pela tática e, principalmente, pela disposição e o preparo físico. Desde então, a maioria dos times e seleções de futebol mudou a forma de jogar, visando o resultado final e não o “espetáculo”.

Sob esse olhar, a tática a ser usada faz enorme diferença. Quando se tem um Pelé, um Gérson, um Rivelino, um Zico, um Falcão, um Sócrates, a necessidade de um esquema de jogo se torna menos relevante, pois os “gênios” acabam “dando um jeito”, com sua arte. Mas, num jogo onde não há tanta plasticidade e genialidade, o esquema a ser aplicado será determinante, como mostraram as Copa de 2014 e, agora, a de 2018.

Quando aplicamos nosso dinheiro em um fundo de investimentos, as táticas usadas também são muito importantes. Nesse sentido, os gestores funcionam como técnicos, e, em vez de falarmos em 4-3-3, 4-4-2, 4-5-2, 3-5-1-2, W-M, a nomenclatura é outra. Nesse artigo abordaremos algumas das “táticas” utilizadas nos fundos multimercados, onde os ativos que compõem a carteira (ações, moedas, juros etc) são os “jogadores”. Em ordem alfabética:

  • Arbitragem – Nesses fundos, os gestores tentam se aproveitar de distorções entre as diversas classes de ativos, inclusive no mercado externo. É muito utilizada em assets onde há equipe de especialistas em segmentos específicos de mercado;
  • Balanceados – Normalmente, são fundos não alavancados e escolhem seus ativos por critérios fundamentalistas. Suas carteiras são rebalanceadas de tempos em tempos, de acordo com os critérios explícitos nos regulamentos;
  • Capital protegido – Na maioria das vezes, são fundos onde há uma estratégia elaborada para que se aproveite de uma parte do ganho num determinado mercado/ativo. Caso haja uma frustração dessa expectativa, o investidor mantém o principal garantido. É aqui que se incluem, normalmente, os COEs.
  • Long Biased – São aqueles onde o gestor, a despeito de operar eventualmente com posições vendidas, tem como principal característica focar em posições compradas, favoráveis à bolsa, câmbio e juros. Obs: Não se pode confundir com Long Only, onde só se pode operar com posições compradas;
  • Long & Short – São aqueles onde o gestor, normalmente fundamentalista, investe em distorções de ativos, operando em pares, comprando aqueles que acredita que estejam baratos e vendendo a descoberto aqueles que acredita caros. Quando o L&S é neutro, o “técnico” não aposta em tendência de mercado, nem de alta, nem de baixa. Resumindo, são fundos de arbitragem específicos, que envolvem distorções de ativos;
  • Long & Short direcional – Parecidos com o anterior, com a diferença que, nesse caso, há a possibilidade de o gestor ficar comprado ou vendido liquidamente;
  • Macro – São aqueles onde o gestor define a carteira de ativos, após análise do cenário econômico e político, local e externo;
  • Multiestratégias – São aqueles onde o gestor aplica os recursos em vários mercados, de forma pulverizada, aproveitando os diversos tipos de ativos, sem compromisso com algum mercado ou ativo específicos.

Para terminar, como em qualquer disputa, há sempre adversários. Nesse caso, além dos riscos de reveses naturais (economia e política), há também a tributação, bem como taxas associadas aos investimentos. Todavia, se o time e o técnicos são bons, no longo prazo a vitória é consequência natural.

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