O tempo de TV e os vices

Muitos são os fatores que definem o resultado de uma eleição. Vão desde a conjuntura global até as condições do local onde o eleitor mora, passando pelas promessas técnicas e políticas de cada candidato, além das questões morais e comportamentais.

No post inaugural da série “De olho nas eleições”, publicado na primeira semana de agosto, falamos das perspectivas sobre indicadores econômicos, que variam radicalmente caso seja eleito um reformista ou um não-reformista.

Neste post, o segundo da série, o objetivo é refletir sobre o peso de dois fatores considerados determinantes em uma eleição: o tempo de TV e a escolha dos vices.

Na era da internet e das redes sociais, será ainda grande a influência da propaganda eleitoral na TV e no rádio? O que pesa na hora que um partido faz uma coligação ou escolhe um vice de outro partido?  

Com a definição das coligações, sabe-se que o candidato tucano, Geraldo Alckmin, terá cerca de metade de todo o tempo da propagando gratuita na TV. Para o economista da Órama Alexandre Espirito Santo, apesar de importante, o grau de influência da TV ainda é incerto nas eleições deste ano. Seguem abaixo alguns comentários de Espirito Santo sobre este e outros aspectos determinantes da disputa nas urnas:

Influência da TV – Tradicionalmente, as decisões dos eleitores brasileiros são muito influenciadas pela propaganda de rádio e TV. Pesquisa do IBOPE aponta que mais de 70% dos eleitores tomam suas decisões através desses meios. Mas, num mundo cada vez mais digital, a internet e as redes sociais vêm modificando esse quadro. Foi assim, por exemplo, nas duas últimas eleições americanas. Acreditamos que tal movimento tenda a ocorrer por aqui, num grau que ainda não sabemos quantificar. De qualquer forma, os debates na TV, por exemplo, acabam sendo inputs e gerando as polêmicas nas redes.

Indecisos – De acordo com recente pesquisa do TSE, o eleitor-chave nesta eleição se caracteriza por um perfil de faixa etária entre 45 e 59 anos, com ensino fundamental incompleto, renda de até dois salários mínimos e majoritariamente feminino. Cruzando os dados com pesquisa eleitoral do DataPoder360, esse tipo de eleitor está inclinado a votar em branco ou indeciso. Assim, é provável que os candidatos direcionem seus programas em rádio e TV a esse público.

Marqueteiros políticos – Pela primeira vez, nas últimas três campanhas, a importância dos marqueteiros será menor. Assim, o espaço de TV pode não trazer o resultado “esperado”, de alavancagem das candidaturas que detêm mais tempo e recursos para produção de filmes publicitários.

Segundo turno – Num eventual segundo turno, o tempo de TV é dividido em partes iguais.

Vices – Na visão de alguns analistas políticos, a opção de Alckmin pela senadora Ana Amélia é desfavorável para a candidatura Bolsonaro, pois ela capta o sentimento de conservadorismo que o candidato do PSL propõe, além de, potencialmente, arregimentar parcela do público feminino, que é a maior parte do eleitorado. Outro aspecto destacado pelos especialistas é que a escolha do General Mourão para compor a chapa com Bolsonaro pode aumentar a rejeição ao candidato.

Lula – Trabalhamos com a hipótese de que o TSE rejeitará o registro da candidatura do ex-presidente Lula, por causa da Lei da Ficha Limpa, apesar de a convenção do partido tê-lo indicado. Esperamos que uma posição definitiva do TSE sobre a situação do ex-presidente ocorra ainda em agosto. Se a chapa Lula-Haddad for impugnada, o candidato a vice assumirá o posto de candidato. Se assim for, a pergunta que se coloca é o quanto Lula poderá transferir de seu capital político para Haddad.
Disclaimer: A Órama é uma empresa apartidária, sem coloração ideológica. Como empresa, não apoia candidatos ou agremiações políticas. A despeito dessa posição, seus funcionários são cidadãos brasileiros, que podem ter suas preferências e opiniões pessoais, sem que essas, no entanto, reflitam, direta ou indiretamente, o pensamento da empresa e/ou sua direção. Os dados e as informações contidas neste relatório foram obtidos de boa-fé junto a terceiros, nos quais a Órama deposita confiança. Todavia, a instituição não se responsabiliza pela sua exatidão nem pelo seu uso ou interpretação. É importante ressaltar que as opiniões e projeções, ora representadas, foram efetuadas de acordo com a situação vigente quando de sua elaboração, podendo ser alteradas independentemente de aviso ou notificação. Nenhuma ideia expressa aqui representa garantia de exatidão ou acurácia. Portanto, a Órama isenta-se de qualquer responsabilidade oriunda da utilização das informações de caráter objetivo ou subjetivo contidas neste texto.

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