Eleições 2018 – O que pensam as gestoras de fundos?

Neste ambiente de alta volatilidade e com a aproximação das eleições, nós, da Órama, queremos entender o que estão pensando as gestoras e como elas estão se posicionando no presente cenário. Afinal, são os profissionais dessas casas de gestão que tomam as decisões de investimento dos fundos em que os investidores brasileiros aplicam parte significativa de seus recursos.

Em conversas recentes com alguns deles, identificamos uma divergência entre os melhores planos econômicos e os candidatos mais prováveis para concorrer ao segundo turno. Embora a proposta de Geraldo Alckmin seja a mais desejada, não parece que ele tenha muita chance de ir para o segundo turno. Foi interessante também ouvir sobre o impacto das redes sociais nas eleições. Mas o que mais nos interessava era saber como estão posicionados esses gestores.

Como essas análises são muito importantes para traçar nossas estratégias de atuação e manter os clientes atualizados, fizemos uma enquete com quatro perguntas, e aqui vamos apresentar os resultados coletados com 56 gestoras.

  1.  Plano econômico mais eficiente

 Dada a conjuntura, o plano econômico apresentado por Geraldo Alckmin (PSDB) é o mais indicado, com 51% dos votos dos participantes. A resposta foi justificada pelo maior preparo do candidato e a maior chance para aprovar as reformas, dar solução ao problema fiscal, corrigir desequilíbrios setoriais e promover a volta do crescimento. A qualificação de Pérsio Arida, no comando da equipe econômica do candidato, também foi destacada.

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O plano de João Amoêdo (Novo) vem em segundo lugar. A redução do tamanho do Estado na economia e o compromisso com as reformas são os motivos mais citados. A responsabilidade fiscal e o liberalismo econômico explicam a escolha de 27%. O restabelecimento da confiança também justifica a escolha do plano do Partido Novo.

A proposta de Jair Bolsonaro (PSL), com 18% da preferência, vem em terceiro lugar.  A experiência e o liberalismo de Paulo Guedes no comando da equipe econômica são os destaques no plano do candidato. A redução do Estado e as medidas de privatização também são citadas.

O plano de Meirelles (MDB) é o preferido por 4% dos participantes. Já as propostas de Marina (Rede), Ciro (PDT), do PT e demais candidatos não foram mencionadas.

  1. Quem vai para o segundo turno

De acordo com as respostas apuradas, a dupla Bolsonaro-Haddad é a aposta de 50% dos participantes. Bolsonaro-Alckmin é a segunda opção mais votada, com 25% das respostas. Bolsonaro-Marina aparece em seguida, com 15%. Do total, 8% acreditam que Alckmin vai disputar o segundo turno com Haddad. E 2% acham que a disputa será entre Bolsonaro e Amoêdo.

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Aqui, nos chama a atenção o fato de que a coleta de dados com os gestores se encerrou na sexta-feira (31/08) ao meio-dia, antes da decisão do TSE sobre a candidatura de Lula. Embora Lula estivesse entre os candidatos da enquete, ninguém escolheu o ex-presidente como possibilidade para o segundo turno. No entanto, como Haddad é o segundo candidato mais provável para concorrer no segundo turno, conclui-se que os participantes acreditam que ele conseguirá herdar grande parte dos votos de Lula.

  1. A importância da Internet

A pergunta em referência tinha como opções de resposta os números de 1 a 10, sendo 1 representativo de menor relevância e 10, de maior. Diante do resultado da sondagem, a totalidade dos gestores sinaliza que as redes sociais se tornaram relevantes no processo eleitoral 2018, pois escolheram as alternativas de 5 a 10, conforme gráfico abaixo.

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O crescimento de Jair Bolsonaro e João Amoêdo nas pesquisas de intenção de votos foi citado várias vezes como argumento da importância da Internet, uma vez que estes candidatos se utilizam principalmente das redes sociais para divulgação de suas candidaturas.

No entanto, alguns mencionam que ainda há uma grande desconfiança com as redes, e que pesquisas indicam a TV ainda como principal veículo influenciador, devido à sua penetração. As classes de mais baixa renda e de mais idade não são alcançadas pela Internet. As “fake news” também contam pontos negativos para as redes.  

Por outro lado, um grupo toma por base que grande percentual da população possui celular e acesso à web, sofrendo influência das redes sociais. Apesar da penetração da TV e do rádio, a mídia tradicional perdeu a credibilidade, afirmam.

Destacamos aqui a conversa que tivemos com a equipe da Alaska, gestora do fundo Alaska Black BDR Nível I, que valorizou 233% nos últimos 36 meses. Apesar de achar que as redes estão ganhando importância no processo, a equipe da Alaska entende que, nesse ambiente, a capacidade de desconstruir a imagem de um candidato é maior que a de conquistar votos.

Apesar da relevância, a Internet ainda é uma incógnita para o resultado das eleições.

  1. Como estão posicionadas as carteiras dos fundos

A maioria afirmou estar trabalhando com o orçamento de risco bem reduzido, sem grandes apostas direcionais, e mais posições táticas e hedges para proteção contra eventos inesperados. Esses vão esperar uma visão mais clara do cenário para voltar a fazer posições maiores.

Muitos ainda mantêm posições compradas em dólar, e uma parcela investida no mercado internacional, principalmente tomada nos juros americanos.

Foram poucos os que declararam carregar alocações em juros e bolsa, mesmo que com menor peso, para antecipar os ganhos, no caso de ser eleito um candidato a favor do mercado.

As exceções ficaram para os gestores de fundos que não dependem de previsões políticas e econômicas, os gestores de fundos quantitativos.

Resumindo, os gestores têm mantido posições defensivas para proteger o capital, no caso de uma surpresa negativa. O câmbio acima de R$ 5 não é descartado, se a esquerda vencer.

Conclusão

Apesar de o plano de Alckmin ser o apontado como o mais adequado para a conjuntura do país, os gestores não estão vendo chances de o candidato ir para o segundo turno. Bolsonaro e Haddad são os protagonistas mais prováveis.

Ficou claro que os planos dos candidatos com qualquer viés à esquerda ou com poucas condições de conseguir alianças no Congresso podem incrementar os problemas já existentes. Nesse caso, teremos novos patamares de preços dos ativos e vamos ajustar nossas recomendações de investimentos. Por enquanto, vamos aguardar. Os gestores sabem o que estão fazendo.

De qualquer forma, vamos acompanhar de perto os resultados dos fundos no tempo que antecede as eleições à luz das informações que nos foram fornecidas. Qualquer divergência de rentabilidade com posições assumidas será questionada.

Muitas águas vão rolar. As pesquisas de intenção de votos que sairão nas próximas semanas podem trazer novidades. Alckmin tem mais tempo na TV do que os demais candidatos, será que não vai conquistar mais eleitores? Ele ainda tem a “máquina”, que é uma vantagem sobre os demais candidatos. E os votos dos indecisos? Faltam poucas semanas, acompanhe com a gente!

A parceria dos gestores foi fundamental para este trabalho. Agradecemos a colaboração de todos!

Escrito por

Consultora de investimentos da Órama autorizada pela CVM, CFP® e autora de diversos livros.

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