Balanço eleitoral

Quais os marcos desta campanha eleitoral que está se encerrando? O que se espera do futuro presidente de forma concreta? A poucos dias do segundo turno, neste último post da série “De Olho nas Eleições”, é hora de fazer um balanço racional e algumas projeções, que você confere abaixo na análise do economista Alexandre Espirito Santo.

Ódio e fake news – Esta tem sido uma campanha eleitoral muito diferente de todas as outras. Foram quase dois meses de muitas acusações e agressões, inclusive físicas. As fake news transbordaram das redes sociais para os tribunais. De propostas efetivas para os enormes problemas do país, pouco se discutiu. O ruim é que os ânimos estiveram exaltados praticamente todo o tempo, num clima de Fla x Flu, que não foi positivo para o país e pode deixar sequelas, se os perdedores partirem para o que venho chamando de “terceiro turno”.

Redes e denúncias – Logo no início das análises aqui na série “De Olho nas Eleições”, comentamos que as redes sociais seriam importantes e fariam diferença, especialmente para Jair Bolsonaro. E, realmente, foi o que se viu, pois a força do antipetismo foi a mola propulsora da onda bolsonarista que se “formou” na sociedade/redes sociais e “desaguou” nas urnas. O pesselista não tinha tempo de TV, mas sua campanha ganhou tremendo impulso via whatsapp e facebook. Seus vídeos, feitos geralmente de forma simplória, em celular, ganhavam, a cada nova veiculação, mais e mais espectadores, o que levou, inclusive, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abrir investigação, após uma reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, denunciando compra de pacotes de mensagens.

57% a 43% – Segundo o Ibope, a diferença entre os candidatos diminuiu, mas ainda há uma grande distância entre as intenções de votos dos dois candidatos. Assim, até agora, sem que haja grandes novidades ou algum fato fora da curva, de acordo com o que vem sendo apurado pelos institutos de pesquisas, Bolsonaro deverá ser o novo presidente. Mesmo assim, cabe destacar que o pleito não está decidido.

Segundo turno – Tentando fazer uma análise mais profunda e isenta, me parece que a estratégia do ex-presidente Lula e do PT era justamente ter Bolsonaro como rival no segundo turno. Creio que veio daí a opção por não rivalizar com a devida contundência em relação ao oponente no início da campanha. Penso que o PT supôs que haveria uma natural migração, no segundo turno, dos votos de centro para Haddad, em virtude das posições “extremas” do candidato do PSL e, dessa forma, o partido venceria. Assim, o importante era assegurar lugar no round final. O que essa estratégia não previa era que o antipetismo e o anti-sistema estivessem tão arraigados na sociedade, por todo o país. A prova mais cabal disso foi o discurso virulento de Cid Gomes, num evento para apoiar Haddad, mostrando que não havia mais hegemonia na esquerda.

E agora? – De prático, se efetivamente as urnas revelarem o que as pesquisas e a maioria dos analistas preveem, partimos para as grandes perguntas que se impõem pós-pleito: como governará Bolsonaro? Sua guinada liberal recente, despertada pelo guru econômico Paulo Guedes é para valer ou seu passado “nacionalista” prevalecerá? Quem serão seus ministros e o BC? Como será seu relacionamento com o Congresso eleito? Fará as reformas necessárias? Caso as pesquisas estejam erradas e Haddad vença, as principais perguntas serão se haverá mudanças ou flexibilizações na política econômica praticada pelo PT nos últimos anos.

Os mercados – Enquanto não se tem certeza, o mercado (que prefere a versão liberal) vem valorizando o kit país nas últimas semanas. Ações brasileiras em alta, real se valorizando e juros futuros em baixa fizeram a alegria de muitos investidores. Se Bolsonaro for o novo presidente, creio que haverá um período de ajuste de preços relativos nos mercados e, depois, uma pausa para se verificar quem será a nova equipe e as efetivas propostas. Se se confirmarem os aspectos mais liberais, há espaço para crescimento do país e redução de desemprego, o que é positivo, inclusive para investimentos de mais risco. Se Haddad vencer, o cenário tende a ficar mais confuso no curto prazo, e os mercados podem sofrer um certo ajuste.

ST-3

ST-2

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