BREXIT: a indefinição do futuro de uma nação

Muito ouvimos falar sobre Brexit hoje em dia, mas de onde vem esse termo, e o que é isto? A sigla vem da junção de duas palavras em inglês, “British” e “exit”, saída do Reino Unido em português, sabendo disso já podemos ter uma ideia do que se trata. Essa não é a primeira vez que o Reino Unido pensa em se separar do conglomerado dos países membros da comunidade econômica europeia. Na primeira tentativa teve como principal argumento a dificuldade de adesão a comunidade, foram duas tentativas frustradas por conta do veto da França, o que gerou certo incomodo em alguns britânicos em fazer parte dessa comunidade posteriormente. Por causa disso, em 1975 foi realizado um plesbicito para ver se havia o desejo da população britânica na saída do Reino Unido da Comunidade Europeia, porém com 67% dos votos, a população britânica resolveu que deveria continuar.

Como em qualquer união, o “casamento” do Reino Unido com a União Europeia teve seus problemas, dos maiores, considerados por pessoas a favor da separação, problemas econômicos de países considerados menos influentes e crises migratórias. De fato, isso trouxe algumas consequências para o Reino Unido, visto que o dinheiro do bloco econômico estava precisando ser direcionado a esses países os quais passavam por necessidades financeiras, fosse porque estavam enfrentando forte crise econômica, ou porque estavam recebendo muitos imigrantes, porém a Grã-Bretanha não passava por nenhum desses dois problemas.

Um forte argumento que foi usado por muitos dos apoiadores do “divórcio”, foi de que, de fato, a contribuição do Reino Unido estava sendo superior aos gastos do bloco com o país. Com isso, apoiadores do Brexit começaram a compartilhar a ideia de que o valor enviado a União Europeia, por volta de £ 350 milhões por semana, poderia ser investido em saúde, questão que vem sendo muito abordado no país do velho continente, e isso acabou gerando um resultado positivo na hora da votação.

O Brexit, teve no dia 15 de janeiro, seu dia mais decisivo até agora: o Parlamento britânico votou a proposta de acordo de saída elaborado pela primeira ministra, Theresa May, e os demais líderes da UE. E como já era previsto, maioria dos parlamentares, 432 dos 634, rejeitaram o texto acordado por May com a União Europeia. Com a derrota, o Brexit continuou sem o plano B, e também sem rumo, até a votação.

A derrota de May foi o maior fracasso de qualquer governo na história moderna do Reino Unido, a até então maior perda havia sido em uma diferença de 166 votos, em 1924. Após esse insucesso no projeto, a premiê britânica precisou começar a elaborar um plano B para que pudesse atingir o sucesso de sua tentativa de separação. Além do novo projeto, a primeira ministra declarou que permitirá uma discussão para a moção de desconfiança, quando fica declarado que os parlamentares não confiam mais no seu governante, e permite que os parlamentares decidam se ela irá dar continuidade ao seu governo.

Diante dessa incerteza do futuro do Brexit, os parlamentares têm alguns caminhos que podem ser trilhados para encontrar uma solução a qual os prejuízos sejam menores. Um desses caminhos que o governo pode trilhar é a convocação de um novo referendo, afim de saber se a população mudou de opinião quanto ao desmembramento. Desde o plesbicito, consequências foram ficando cada vez mais claras, possibilitando que os cidadãos ficassem arrependidos em seus respectivos votos. Esse referendo poderia ser uma boa saída para o governo de May, visto que a população poderia demonstrar ao governo o desejo de permanência ou saída do bloco econômico.

Outro caminho que seria possível, porém muito complicado, seria a tentativa de revisão do acordo, porém membros da União Europeia pregaram um discurso muito forte de que não haveria abertura para renegociação do Brexit, deixando para os parlamentares britânicos a decisão de separação ou não. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk foi quem teve o discurso mais forte, e chegou a criar revolta em ativistas anti UE, ele falou em entrevista: “Venho me perguntando como será aquele lugar especial no inferno para aqueles que promoveram o Brexit sem nem mesmo o esboço de um plano para realizá-lo com segurança”. No dia seguinte dessa forte declaração, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em nome do bloco econômico se reuniu com May para ver se era possível encontrar um caminho para evitar os transtornos de uma desfiliação britânica do bloco.

Das certezas que temos até agora, uma delas é que o parlamento britânico está em constante discussão e “fúria” sobre o futuro do país. A monarca, Elizabeth II, pediu para que os parlamentares parassem de brigar, e chegassem a uma convergência e diálogo. Além disso, podemos mencionar, também, que o Banco Central britânico já está com a perspectiva mais fraca desde 2009. De qualquer forma, não será apenas o resultado do Brexit que dirá como será a progressão da economia britânica, o futuro da economia está em ameaça. Segundo informações da McKinsey, o britânico não vem trabalhando de forma inteligente o suficiente, visto que se comparado a países vizinhos, demora em média 10% a mais do tempo para conseguir produzir um mesmo produto. Enquanto o resultado do Brexit não acontece, algumas políticas econômicas começam a acontecer, como por exemplo o acordo comercial entre a suíça e o Reino Unido pós Brexit.

A grande dúvida que está na mente de todos cidadãos que estão envolvidos nessa situação, qual será o melhor caminho a ser trilhado para que haja o menor prejuízo possível para todos? Seria uma desistência do divórcio, renegociar o acordo para que ambas as partes consigam chegar a uma conclusão, ou então apenas deixar a separação acontecer sem acordo? De fato sabemos que independente do resultado final as consequências já começaram a aparecer para todos, e imagino que hoje o ex primeiro ministro, David Cameron, deve repensar sobre a decisão tomada por ele em 2016, quando decidiu fazer referendo do Brexit.

 

ArthurRuizThedim  Arthur Ruiz Thedin

Membro de Back Office do CEMEC, empresa júnior vinculada ao IBMEC, que tem como proposta principal realizar estudos e pesquisas sobre o mercado financeiro.

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