Economia Criativa: uma alternativa sustentável de desenvolvimento

A criatividade é uma característica que está diretamente ligada à existência
humana. No entanto, ela nem sempre teve atenção estratégica para a economia.
Quando se pensa em novos modelos de desenvolvimento, no qual o crescimento
econômico não seja o único objetivo, a economia criativa ganha destaque como
resultado em tentar medir o valor da produção criativa. São bens e serviços
baseados no capital intelectual e cultural que buscam melhorar e inovar a indústria
de consumo. A economia criativa é dividida em quatro grandes áreas, são elas:
consumo, mídias, tecnologia e cultura.
Um dos grandes nomes do tema, o inglês John Howkins, afirma que vender
experiências é um dos principais lemas da economia criativa, como o próprio
afirmou “vender experiências, ou experiência de mercado é muito diferente do que
vender produtos”. Segundo Howkins, o varejo tem importância fundamental na área,
pois é o setor que mais possui liberdade para se adaptar a diferentes tipos de
públicos. A liberdade é o passo inicial para que a criatividade se manifeste, o que
possibilita que a demanda por novos produtos seja satisfeita, com um cuidado maior
e respeitando os recursos ambientais.
Conforme a definição adotada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio
e Desenvolvimento (Unctad), a economia criativa tem potencial de estimular o
crescimento econômico, o emprego e as exportações, ao mesmo tempo em que
promove a diversidade cultural, a inclusão social e a sustentabilidade ambiental –
não é à toa que ela foi classificada na Rio+20 como quarto pilar do desenvolvimento
sustentável. Como abrange esses aspectos, a economia criativa está ligada a
economia geral em nível macro e micro, e como a criatividade é a matéria-prima – e
não o capital – ela pode ser uma opção viável e estratégica de desenvolvimento em
países emergentes, como o Brasil.
O Relatório de Economia Criativa 2010, produzido pela Unctad, enfatiza que o setor
foi um dos menos afetados pela crise econômica mundial, pois é baseado em novas
regras de relações de trabalho mais igualitárias e de políticas de consumo mais
justas, inclusivas e sustentáveis. Os conceitos como valorização da identidade local,
venda direta do produtor para o consumidor, bens personalizados e produção sob
demanda são os responsáveis por impulsionar o mercado criativo.
As pequenas e médias empresas representam a maioria no setor – embora algumas
empresas de grande porte já estejam adotando algumas práticas como
disponibilizar mais tempo para que o empregado se dedique a projetos de inovação.

Os bens e serviços que são comercializados tem valor impalpável, fundamentado,
como dito anteriormente, na venda de experiências, que proporciona uma nova
relação entre o produto e o consumidor. O propósito é, consumir melhor
consumindo menos, seja por contato direto com o produtor, seja incentivando
negócios sustentáveis.
A cadeia que envolve a economia criativa no Brasil, tem a missão de produzir mais
com menos recursos. Quando em 2011 a economia começou a desacelerar, e em
2014 a desaceleração se tornou ainda maior, a produção diminuiu, e foi preciso
então reorganizar o caminho que a economia deveria seguir para se desenvolver.
Nesse ponto, a economia criativa foi fundamental. Após anos de crescimento
criativo, o desempenho se alinhou o restante da economia e, no último Mapeamento
da indústria Criativa, disponibilizado pela Firjan, o setor criativo sofreu uma pequena
reversão, mas ainda assim continua responsável por uma relevante geração de
valor na economia, e representou – em 2017 – 2,61% do PIB nacional, o que
corresponde a R$ 171,5 bilhões.
A economia criativa, por suas características próprias, apresenta grande potencial
de transformação e inclusão socioeconômica para o Brasil, se o mesmo conseguir
entender e se inserir nesse novo contexto dinâmico e institucional que se forma
nessa economia. Debate e conscientização são fatores importantes para que a
nossa criatividade consiga se traduzir em resultados econômicos. No entanto, vale
ressaltar que apenas a criatividade, mesmo sendo o principal insumo do setor, não
é suficiente para o desenvolvimento da economia criativa. Infraestrutura de
tecnologia e comunicação, governança e educação diferenciada – voltada para o
estímulo criativo – são fundamentais para sustentar esse tipo de desenvolvimento
econômico.
A economia criativa representa uma nova forma de se enxergar soluções
inovadoras e é considerada a economia do século XXI. Em épocas de crise, como
no Brasil, a presença de profissionais dessa área nas empresas foram de grande
importância para que a economia continuasse a se desenvolver em um mundo cada
vez mais caracterizado pela criatividade e pela quebra de padrões. Identificar os
profissionais que tenham esse perfil e dar a eles liberdade de inovação é essencial.
Afinal, agregar valor não é apenas um diferencial. Com o setor ganhando força e
sendo incentivado, seus clientes e projetos poderão ser estruturados de forma
sustentável e seguindo a nova linha de desenvolvimento mundial. Logo, esse é o
momento de participar ativamente e de forma estratégica no que diz respeito a esse
novo modelo de desenvolvimento.

maria-mesquita

 Maria Mesquita

Membro de Análise Macroeconômica do CEMEC, empresa júnior vinculada ao IBMEC, que tem como proposta principal realizar estudos e pesquisas sobre o mercado financeiro.

 

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