Estados Unidos: Melhor Fase ou Economia em Transição?

Desde as eleições de 2016 quando houve a vitória nas urnas pelo presidente do partido republicano, Donald Trump, pode se notar uma mudança na postura do Federal Reserve, Banco Central norte americano, relacionada às suas políticas monetárias. Durante a presidência de Trump, já houve dois presidentes no Fed: Janet Yellen, que fora indicada ainda no governo de Barack Obama, e Jerome Powell, o qual assumiu depois que Yellen renunciou seu cargo em fevereiro de 2018.

O novo mandato presidencial trouxe muitas alterações às políticas americanas, e Trump mudou inúmeros acordos comerciais com grandes blocos econômicos e potências mundiais, foram criadas barreiras para entrada de imigrantes afetando milhares de dezenas de pessoas no mundo inteiro e também foi implementado neste governo uma reforma tributária que reduziu a carga fiscal corporativa e diminuiu os impostos sobre a renda dos cidadãos individuais. Esta reforma que foi realizada em Dezembro de 2017, tinha a intenção de incentivar o crescimento econômico mas no longo prazo essa medida de estímulo fiscal pode acabar gerando um desequilíbrio na economia.

Entretanto, uma das modificações que mais chamou a atenção do mercado, foi a mudança da postura do Federal Reserve enquanto as taxas de juros. Em janeiro de 2017 a taxa máxima de juros nos EUA estava situada em um intervalo de 0% a 0,25%, e desde então o Fed vem aumentando consecutivamente até chegar entre 2% e 2,5% atualmente. Pelo outro lado, reuniões recentes do Comitê Federal de Mercado Aberto revelaram que o Banco Central americano decidiu mudar sua política de alta e manter as taxa estáveis nesse patamar, até que julguem necessário aumentar mais uma vez, devido aos riscos e oscilações do mercado.

Autoridades do Fed afirmaram que elevaram a taxa de juros referencial em quatro ocasiões em 2018 para tentar aproximar os custos dos empréstimos ao nível conhecido como neutro, onde o crescimento não é nem estimulado e nem retardado. Os planos de aumento das taxas foram interrompidos no final do ano passado com preocupações relacionadas à desaceleração do crescimento global. O próprio presidente do BC americano afirmou que agora a taxa está situada dentro da ampla gama de estimativas da taxa neutra, e que seus colegas no Comitê de definição de taxas concordam que essa é a postura de política monetária apropriada.

As políticas implementadas pelos economistas do BC são sempre tomadas com base no que julgam ser o certo para a população americana. Atualmente, a economia dos Estados Unidos está passando por uma situação interessante, onde parece estar em uma de suas melhores fases. Em 2018, teve seu maior crescimento em 10 anos (3,5%), sua taxa de desemprego está menor que 4%, e os preços de mercado continuam acessíveis. A preocupação agora é com a desaceleração econômica global e os conflitos comerciais que estão em discussão com a China. Há, ainda, temores de que após esse período de grande crescimento, a economia americana comece a desacelerar.

A guerra comercial que já está acontecendo por volta de sete meses, entre as duas maiores potências do mundo, foi criada pelo aumento de tarifas, impostos por Washington sobre bens chineses, com o objetivo de equilibrar o comércio e também punir contra as práticas de Pequim, a quem acusa de roubo de patentes, transferências tecnológicas forçadas e violação dos direitos de propriedade intelectual. Devido a este conflito tarifário, que foi rebatido pela China, o déficit comercial americano começou a aumentar progressivamente e inúmeras empresas do mundo inteiro também foram atingidas, o que aumentou expressivamente suas despesas. Atualmente, autoridades de ambas as nações estão se reunindo para tentar chegar a um acordo comercial, mas oficiais americanos afirmam que ainda há muito trabalho a ser feito pela frente.

Segundo analistas, o crescimento econômico global está para desacelerar de 3% em 2018, para 2,9% em 2019 e em seguida chegando a 2,8% em 2020. Dentre os riscos identificados como causas para a desaceleração, destacam se os relacionados aos conflitos tarifários. O grande problema é que por se tratar de uma disputa entre as duas maiores potências do mundo, os países emergentes também são amplamente afetados. Por exemplo, se o crescimento da China atenuar em um ponto percentual, o crescimento mundial abranda em 0,3 pontos percentuais enquanto os emergentes reduziriam em 0,6 pontos percentuais. Por outro lado, se a economia norte-americana entrar em recessão, existe uma hipótese de 60% que a economia global seja arrastada para o vermelho.

O estímulo realizado pelo Fed às taxas de juros nos anos anteriores podem acabar gerando uma desaceleração no crescimento futuro do país. Um exemplo disto é o mercado imobiliário americano que já está sentindo os efeitos das oito altas nas taxas de juros nos anos anteriores, tendo seus empréstimos elevados em cerca de 5%, algo que não acontecia em dez anos. O consumo, que engloba 70% da economia dos Estados Unidos, está em seu apogeu, mas sofre as alterações das taxas de juros que devido a alta dos últimos anos, o mercado começa a perder sua tendência acionária, e se torna mais favorável para títulos financeiros de renda fixa. Outros fatores de risco são a ampla dívida das empresas, assim como o déficit federal.

Ao mesmo tempo em que alguns economistas do Fundo Monetário Internacional asseguram que não há elementos que apontam para uma recessão no curto prazo, outros temem pela mudança na curva de juros, pois há dados que mostram que ela será invertida no ano de 2019. Este fenômeno preocupa os investidores, pois já antecipou inúmeras vezes casos de decrescimento econômico nos Estados Unidos. O que pode se concluir a partir desta análise é que este fator depende de muitas variáveis, para estimar sobre o que acontecerá com a economia americana daqui para frente, basta esperar para ver o desenvolvimento das negociações comerciais e acompanhar as políticas monetárias do Banco Central americano, que vai estar fazendo o seu melhor para alinhá-las com o desenvolvimento da economia mundial.

andre-cristoph

 André Cristoph

Membro de Finanças Corporativas do CEMEC, empresa júnior vinculada ao IBMEC, que tem como proposta principal realizar estudos e pesquisas sobre o mercado financeiro.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s