Corte de juros e os destaques da semana

Panorama Semanal de 29 de julho a 2 de agosto*

A semana que marca o início de agosto foi a semana dos cortes dos juros, tanto aqui no Brasil quanto nos Estados Unidos. Relevante também foi a polêmica envolvendo declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. 

Em um cenário de baixa pressão inflacionária, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) cortou os juros do país pela primeira vez desde 2008 – movimento direcionado a manter a expansão do país, mesmo em face da guerra comercial com a China e a desaceleração global. Com o corte de 0,25 ponto percentual, a taxa passou para um intervalo de 2% a 2,25%. O Fed indicou que poderá reduzir ainda mais os juros, se for necessário. 

Pelo Twitter, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas de 10% sobre mais US$ 300 bilhões em produtos chineses, tornando ainda mais tensa a relação comercial entre os países. E ameaçou que, dependendo da reação da China, os 10% podem subir para 25%.

No Brasil, depois de 16 meses, a taxa básica de juros, Selic, foi reduzida. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central surpreendeu ao cortar 0,5 ponto percentual, de 6,5% para 6% ao ano. 

A taxa de desemprego também foi notícia de relevo. No segundo trimestre do ano, o total de pessoas em busca de uma vaga totalizava 12,8 milhões, o equivalente a 12%, de acordo com dados divulgados pelo IBGE.

No primeiro semestre deste ano, a produção industrial do país caiu 1,6%, queda influenciada, sobretudo, pela Vale, devido a Brumadinho. 

O preço pago pelo Paraguai pela energia da hidrelétrica binacional de Itaipu gerou um mal-estar diplomático. A concordância do governo paraguaio em pagar mais caro pôs em xeque o mandato do presidente Mario Abdo Benítez. Na quinta-feira, foi cancelada a ata que autorizava o aumento. 

Trump elogiou Bolsonaro, acenando com possíveis parcerias comerciais. No meio da semana, o país ganhou o status de “aliado prioritário extra-Otan”, com acordos na área de Defesa. Um memorando de intenções também foi assinado na área de investimentos em infraestrutura. 

Esta semana, Trump fez ainda menções positivas à indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada nos EUA.

Em julho, a balança comercial brasileira (exportações menos importações do país) registrou superávit de US$ 2,29 bilhões. Apesar de positiva, a cifra é a mais baixa para um mês de julho desde 2014.

Numa temporada de divulgação de resultados trimestrais, destaque para o setor bancário e a Petrobras, que registrou lucro de R$ 18,86 bilhões no segundo tri, um recorde para o período.

Ainda sem uma conclusão, o hackeamento de telefones de autoridades continua gerando debates. A novidade da semana é a determinação pelo ministro Fux, do STF, de que as conversas hackeadas não sejam destruídas. 

O maior escândalo das redes por esses dias foi mesmo a fala de Bolsonaro sobre Santa Cruz. Ao questionar a ação da OAB em relação ao atentado que sofreu no ano passado, em Juiz de Fora, ele afirmou que, se o presidente da OAB quisesse saber sobre a “verdadeira história” do que aconteceu com seu pai na época da ditadura, ele contaria o que ocorreu.

Felipe Santa Cruz foi ao STF, e o ministro Luís Roberto Barroso notificou Bolsonaro a dar explicações sobre suas declarações, se quiser, em 15 dias. Caso não se pronuncie, Bolsonaro pode ser processado por calúnia e injúria.

Outra grande polêmica foi gerada a partir da divulgação de dados sobre desmatamento na Amazônia, com forte repercussão internacional. Bolsonaro questionou a divulgação e criticou os técnicos do INPE, órgão responsável pelo levantamento.

Igualmente “barulhenta” na mídia foi a questão violenta entre índios e garimpeiros no Norte do país, e a declaração de Bolsonaro de que vai estimular mini Serras Peladas na região.  

No Supremo, Bolsonaro foi derrotado com a decisão que deixa a demarcação de terras indígenas a cargo da Fundação Nacional do Índio (Funai). Uma MP de Bolsonaro transferia essa atribuição para o Ministério da Agricultura.

Bolsonaro também se pronunciou, ao longo da semana, sobre a sangrenta rebelião ocorrida no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Sudoeste do Pará, com mais de 50 mortos, alguns decapitados, em meio a uma briga de facções. Perguntado sobre o que achava da tragédia, o presidente respondeu que a pergunta deveria ser direcionada aos parentes das vítimas. 

Apesar do corte na Selic, o Ibovespa – que subia bem no pregão desta quinta-feira – acabou fechando perto da estabilidade, principalmente por causa das novas tarifas impostas à China e de receios quanto à desaceleração global. O índice encerrou em ligeira alta de 0,31%, a 102.125 pontos. Já o dólar fechou em alta de 0,76%, cotado a R$ 3,84. 

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal.

*Dados atualizados até o dia 2/8, às 8h30.

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