Educação financeira, uma missão maior que as críticas

Por Sandra Blanco

Consultora de investimentos da Órama.

Especialistas se dedicam a fazer estudos e pesquisas para mapear os comportamentos e processos mentais dos indivíduos, com o mesmo objetivo que o meu. Há também escritores, jornalistas e blogueiros disseminando informações e conhecimentos adquiridos para encurtar esse caminho. E existem os gerentes de contas, consultores e assessores que fazem a ponte entre o mundo real e esse universo ainda não desbravado.

Mas, em meio ao processo de disseminar informação e educação financeira, nos deparamos o tempo todo com críticos que acusam os “capitalistas” de só pensarem em dinheiro. Nesses casos, eu costumo devolver com uma pergunta: Afinal, o que fazemos sem dinheiro hoje em dia? Precisamos dele em todos ciclos das nossas vidas. Nascer custa caro, viver bem, nem se fala… E, até no fim, deixamos contas para nossos entes queridos.

Mesmo com a redução de custos que a tecnologia proporciona, o dinheiro é um recurso escasso. Precisamos adotar técnicas e estratégias para fazê-lo render e usá-lo para outros propósitos, que não seja o de pagar contas. Os grandes sonhos só são conquistados por quem tem disciplina e organização com o dinheiro, e esse tipo de crítica não ajuda; ao contrário, prejudica aqueles que podem avançar e crescer na vida.

Desta forma, sigo em frente, batendo na tecla com conceitos fundamentais para a saúde financeira. A renda importa, claro, mas são as escolhas que determinam o futuro financeiro de uma pessoa.

Aquele que ganha alguns poucos salários mínimos e tem uma família para sustentar pode não conseguir guardar dinheiro, mas pode alcançar o bem estar familiar. Financiar bens duráveis ou o imóvel, as chamadas dívidas boas, pode ser uma alternativa, fornecida pelo mercado financeiro.

Por outro lado, uma renda alta nem sempre é sinônimo de riqueza. É comum profissionais bem sucedidos adotarem um alto padrão de gastos e se descuidarem do controle das contas, na esperança que no próximo mês ou no próximo bônus tudo vai se normalizar. E assim se envolvem numa bola de neve, difícil de se desvencilhar e que pode resultar em consequências desastrosas no futuro.

A forma como alguém é criado, o círculo de amigos e os relacionamentos profissionais também influenciam os estilos de vida. Manter um padrão incompatível com a renda é um obstáculo para se alcançar uma situação financeira confortável.

Falar de dinheiro continua sendo considerado um tabu, e isso não é privilégio da cultura brasileira. Diferentemente de sexo, política ou religião, o assunto segue com ar de proibido, reprovável ou polêmico. Quem possui recursos e reservas prefere não se expor, seja por motivos de segurança, seja por não querer ostentar ou se exibir. Para aqueles que vivem de um salário “contado”, não ter dinheiro ou estar endividado gera constrangimento ou vergonha.

Outra razão pela qual o assunto é evitado nas rodas de amigos e até entre familiares é o desconhecimento. Não saber os conceitos e teorias de finanças e investimentos provoca nas pessoas uma sensação de inabilidade para conduzir uma conversa ou para decidir diante de uma oferta duvidosa. Por isso, também, as pessoas não procuram ajuda profissional. No limite, buscam auxílio nos momentos mais difíceis, quando a corda já arrebentou ou a bolha explodiu.

Muitos simplesmente não têm interesse em aprender ou tempo para se educar financeiramente, mas acham importante e querem cuidar bem do dinheiro. Nesse caso, deve-se procurar um especialista. Consultar a rede de relacionamentos e pedir referências é um bom começo. Se houver um pouquinho de interesse ou tempo, há, no mundo virtual, informação, produtos e ferramentas disponíveis, que facilitam esse processo.

Eu e um exército de profissionais tentamos diariamente – cada um fazendo a sua parte – aproximar as pessoas do mercado financeiro, pelas mídias, pelas redes, por eventos e palestras, apresentando as vantagens, os benefícios e como utilizar os produtos disponíveis para ter uma vida financeira equilibrada e alcançar os objetivos. Controlar as contas e investir ainda não fazem parte dos hábitos da maioria dos brasileiros, mas esta realidade pode mudar. Vai mudar.

Coluna originalmente publicada em 20/9 no portal Valor Investe

2 comentários em “Educação financeira, uma missão maior que as críticas

  1. Gostei muito do artigo…realmente, falar sobre dinheiro ainda é um tabu para muita gente. Muitos acham que trabalhar com ele, aplicar , sem ser na poupança, é algo fora da realidade de quem ganha um salário “contado”. Muitas pessoas não se interessam por essa área, infelizmente. Penso que deveria ser um assunto introduzido na escola, de forma bem gradual…

    Eu sou leiga, mas tenho me esforçado para acompanhar esse famoso mercado financeiro e, noto o quão ele é importante, sim, na vida de todo mundo, independente de quanto se tem na conta corrente. O que ocorre nesse mundo de cifras reflete em nossa vida, dessa forma, não podemos ficar alienados.

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