Processo de impeachment contra Trump e destaques da semana

Panorama Semanal de 23 a 27 de setembro*

Os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro protagonizaram a semana. Trump, enfrentando um inquérito para abertura de processo de impeachment no caso envolvendo a Ucrânia. E Bolsonaro, polemizando com um discurso “pouco ortodoxo” na ONU.

A investigação nos EUA vai determinar se Trump cometeu crime que pode resultar em processo de impeachment. Segundo a denúncia, o presidente dos EUA usou o poder de seu cargo para pressionar o presidente da Ucrânia a investigar o opositor Joe Biden e sua família, pensando em obter vantagens pessoais nas eleições americanas de 2020. Dias antes de sua ligação telefônica, em julho, com o líder ucraniano, Trump ordenou a suspensão de US$ 391 milhões de ajuda à Ucrânia.

Trump discursou esta semana na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Afirmou que os Estados Unidos nunca serão um país comunista e fez menções ao Irã (“sede de sangue”) e à China (“abusos” econômicos), entre outros países.

Quanto à China, porém, Trump sinalizou depois a repórteres que um acordo comercial entre os dois países pode estar próximo. A declaração animou os investidores e fez a cotação do dólar ceder no Brasil.  

O presidente Jair Bolsonaro foi quem abriu os debates na ONU. A fala teve um forte tom ideológico, crítico ao socialismo e à esquerda, e em defesa das ditaduras militares da América Latina na década de 1960. Sobre a Amazônia, Bolsonaro não admitiu o aumento das queimadas divulgado pelo Inpe. Segundo ele, o clima favorece esses eventos, provocados inclusive por índios. Para o mandatário brasileiro, o país sofre “ataques sensacionalistas” da “mídia internacional”. Entre várias frases polêmicas, disse que “é uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade”. O discurso não teve a intenção de melhorar o clima com Emmanuel Macron e Angela Merkel. Ao contrário. Chamou certos líderes de “colonialistas”, acirrando os ânimos.

A imprensa internacional repercutiu a fala de Bolsonaro, com destaque para a defesa da soberania da Amazônia e os ataques ao socialismo. Para diplomatas, o discurso – em que também criticou o líder indígena Raoni – foi agressivo. Houve também análises de que foi um discurso eleitoreiro.

Na questão climática, as intervenções da jovem Greta Thumberg também repercutiram. Ela acusou, em tom inflamado, os líderes mundiais de falharem na proteção ambiental, e disse que eles “roubaram seus sonhos e sua infância com palavras vazias”. A ativista sueca foi alvo de ataques por parte de políticos e usuários de redes sociais, onde também, no entanto, foi defendida pelas suas opiniões.  

Ainda no exterior, notícias sobre Brexit e Israel também ganharam a cena no noticiário. No Reino Unido, a Suprema Corte considerou ilegal a decisão de Boris Johnson de ter suspenso o Parlamento, em meio às discussões sobre o Brexit. Em Israel, o premiê Benjamin Netanyahu tem a chance de formar um governo de coalizão, após os resultados das eleições, em que houve um “empate” com o opositor Benny Gantz.

No cenário doméstico, foi destaque o adiamento da votação do parecer da Reforma da Previdência para a semana que vem, no Senado (primeiro na CCJ e depois no plenário). O Congresso focou na Lei de Abuso de Autoridade e derrubou 18 vetos de Bolsonaro, em sessão convocada, após o mandado de busca e apreensão contra o líder do governo, Fernando Bezerra, na semana passada. Ele é investigado por recebimento de propina, e o mandado foi autorizado pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso.

As discussões na área de segurança pública coincidiram com o momento de fortes protestos por conta da morte da menina Ágatha, no Rio de Janeiro, por bala perdida.

No âmbito da Lava Jato, seis dos onze ministros do Supremo votaram, ao analisar o caso de um ex-gerente da Petrobras, a favor da tese que pode anular outras condenações. Está em jogo o prazo para a manifestação conjunta de réus delatores e delatados. A maioria votou pelo direito de réus delatados se manifestarem após os delatores. O julgamento será retomado na próxima quarta-feira, quando deve ser conhecido o alcance da decisão.

Augusto Aras foi confirmado como novo Procurador Geral da República. Em sua sabatina, defendeu alguns ajustes na Lava Jato, onde disse ter visto excessos, e a cooperação com a UIF (Unidade de Inteligência Financeira, antigo Coaf).

Na linha “revelações”, surpreendeu a declaração do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de que chegara a planejar assassinar o ministro do STF Gilmar Mendes, “Ia dar um tiro na cara dele e depois me suicidaria”.   

No horizonte econômico, os juros reais bateram a mínima histórica no Brasil. A ata do Copom sinaliza que devem ocorrer novos cortes na Selic, atualmente em 5,5% ao ano. 

A arrecadação de impostos superou o patamar de R$ 1 trilhão este ano, até agosto, com alta de mais de 2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Por outro lado, porém, a dívida pública registrou alta de 2% em agosto, passando dos R$ 4 trilhões. 

O número do desemprego melhorou um pouco. No trimestre até agosto, a taxa recuou para 11,8%. Eram 12,6 milhões de pessoas desempregadas. No mercado de trabalho formal, também houve sinais favoráveis. Pelo quinto mês consecutivo, houve saldo positivo na criação de vagas. Em agosto, foram 121 mil.

A emenda que destrava os leilões de petróleo no pré-sal foi promulgada pelo Congresso.

Em seu Relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central alterou a previsão do PIB deste ano para cima, de 0,8% para 0,9%. 

No pregão desta quinta-feira, sinais mistos, refletindo guerra comercial com China, ambiente doméstico e, por outro lado, impeachment de Trump. O Ibovespa fechou em alta de 0,8%, a 105.319 pontos. O dólar comercial encerrou cotado a R$ 4,161, alta de 0,17%.

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal.

*Dados atualizados até o dia 27/9, às 8h.

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