Desaceleração na economia doméstica e global e os destaques do mês

RESUMO DO MERCADO NO MÊS

 

Dólar PTAX R$ 4,4987 5,37%
Taxa DI Jan/25 6,02% – 22 bps
S&P 500 3.225,52 pts – 8,41%
Ibovespa 104.172 pts – 8,43%

 

INVESTIMENTOS

Fevereiro foi ainda mais desafiador do que o mês passado. A dispersão do coronavírus para além das fronteiras da China e a falta da harmonia em Brasília explicam a alta de 5,92% do dólar, que foi cotado a R$ 4,50, e a queda de 8,43% do Ibovespa, que chegou a ser negociado abaixo do patamar de 100.000 pontos. Em dólar, o Ibovespa recuou 13,09%. A variação do CDI foi 0,29%.

No exterior, as bolsas também recuaram fortemente. O S&P 500 desvalorizou 8,41%. Na China, a bolsa ficou inoperante por um período prolongado, que se estendeu depois do feriadão do Ano Novo Lunar e, na volta das atividades, o governo chinês proveu liquidez e estímulos para evitar uma queda mais acentuada.

Os movimentos foram muito rápidos e intensos nos mercados. O VIX, índice de volatilidade que sinaliza o nível de tensão dos agentes, chegou a atingir 49 pontos, maior alta desde 2018.

Nossa recomendação para esse momento é não tomar nenhuma decisão impulsionada pela emoção. Porém, pode-se rever o nível de risco da carteira de investimentos e, se for o caso, fazer ajustes pontuais.

É importante lembrar que está em curso, no Brasil, um processo de mudanças com as reformas estruturantes e o cenário para inflação segue benigno. O mercado está atento a esses aspectos, visto que a curva de juros cedeu ainda mais, com o IRF-M registrando alta de 0,65% e o IMA-B, 0,45%. É inegável que uma desaceleração acentuada na economia global é ruim para a recuperação brasileira e isso pode afetar os ativos de risco, como ações e até mesmo alguns de renda fixa. Estaremos de olho para informar mudanças nas projeções ou trazer oportunidades.

Por ora, seguimos com Selic a 4,25%, mas não são descartados novos cortes, diante do movimentos dos bancos centrais ao redor do mundo em reação ao coronavírus. O câmbio se manterá mais depreciado no primeiro trimestre e com muita volatilidade. Para o Ibovespa, mantemos a projeção em 125.000 para o final do ano.

PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS

RUÍDOS POLÍTICOS EM BRASÍLIA: fevereiro foi um mês com muitos pontos polêmicos envolvendo agentes públicos. O ministro Paulo Guedes ficou nos holofotes dos críticos em duas situações. A primeira, quando comparou os funcionários públicos a “parasitas” que matam o hospedeiro. Em um segundo momento, o ministro da Economia afirmou que o novo patamar do dólar é mais alto mesmo, não tendo mais espaço para o câmbio a R$1,80 e que nessa época dos governos PT, havia “empregada doméstica indo pra Disneylândia, uma festa danada”. Essas falas geraram um mal estar na relação do Ministério com o Congresso. Outro ruído foi a substituição do ministro Onyx Lorenzoni, que deixou em definitivo a chefia da Casa Civil. Em seu lugar, tomou posse o general Walter Braga Netto. E para colocar mais instabilidade na relação já conturbada com o Congresso, em um momento que se corre contra o relógio para a aprovação das reformas antes das eleições municipais, o presidente Jair Bolsonaro compartilhou privadamente um vídeo em apoio à manifestação do contra o Congresso e o STF marcada para o dia 15 de março.

COPOM E TAXA DE JUROS: na ata da decisão do Comitê do Banco Central, publicada no dia 11 de fevereiro, o colegiado “vê como adequada a interrupção do processo” de corte nos juros que foram reduzidos para 4,25%. Contudo, perto do fim do mês, com o aumento das incertezas acerca dos impactos do coronavírus na economia global e com os Bancos Centrais do mundo indicando movimentos mais expansionistas, o mercado já começa a considerar novos cortes na Selic no próximo encontro. O Copom se reunirá na Super Quarta, dia 18 de março, no mesmo dia que o Fed nos EUA também decide os rumos de sua política monetária.

IMPEACHMENT DONALD TRUMP: Nos EUA, conforme esperado, o Senado votou pela absolvição do presidente Donald Trump das acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso, encerrando assim o processo de impeachment.

ELEIÇÕES NOS EUA: As primárias do partido Democrata já estão em andamento e podemos observar uma redução drástica na quantidade de pré-candidatos. Nos primeiros debates, em junho e julho do ano passado, subiram ao palco 20 pessoas. e hoje temos 6 ainda na corrida pela indicação do partido. O Senador Bernie Sanders está à frente seguido por Joe Biden e Elizabeth Warren. Pete Buttigieg deixou a disputa. O empresário Michael Bloomberg só vai entrar nas cédulas na “Super Terça” (03 de março), por isso ainda não possui nenhum delegado que tenha declarado apoio a ele.

CORONAVÍRUS: os meios de comunicação no último mês tiveram suas manchetes dominadas pelos desdobramentos do surto de coronavírus. O fim das comemorações Ano Novo Lunar na China, e o não retorno das pessoas para o trabalho, com seus impactos diretos na produção, foram os destaques no início de fevereiro. Essa paralisação em decorrência do isolamento da província de Hubei e da limitação do trânsito de pessoas, conseguiu, de certa forma, conter a proliferação de casos na China. Contudo, a preocupação dos mercados se acentuou quando casos de transmissão interna fora da China começaram a chamar a atenção, especialmente na Itália. Nos últimos dias as bolsas mundiais registraram quedas acentuadas vistas pelo última vez em 2012 no meio da crise da dívida soberana de países europeus. Quase 90 mil casos já foram confirmados no mundo todo, com 3 mil mortes. 80 mil só na China. Coréia do Sul registrou 4.335 casos e Itália seguem em terceiro lugar com 1.694 pessoas confirmadamente com o vírus.

 

INDICADORES ECONÔMICOS

BRASIL

Taxa de juros: Selic em 4,25%.

IBC-Br: +0,89% em 2019 / – 0,27% em dez (série dessazonalizada).

Desemprego: 11,2% no trimestre móvel encerrado em janeiro de 2020.

Inflação: IPCA de janeiro subiu 0,21%, sendo o menor resultado para o mês desde o início do Plano Real.

MUNDO 

Emprego nos EUA:  foram criados 225 mil novos postos de trabalho.

PMI da China:  o PMI industrial foi de 35,7 em fevereiro enquanto o setor de serviços teve um desempenho ainda pior, registrando 29,6 ( número abaixo de 50 indica contração na comparação ao mês anterior).

PMI Global: 47,2

 

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