Maior desvalorização do Ibovespa desde 1998 e os destaques da semana

Panorama Semanal de 9 a 13 de março*

A semana foi, praticamente, monotemática: coronavírus. A quinta-feira registrou os piores índices da bolsa americana desde a chamada “Black Monday”, de 1987, apesar de ação do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), que anunciou injeção de US$ 1,5 trilhão no sistema financeiro. Os índices americanos caíram mais de 9% no fechamento de quinta-feira, e o Ibovespa recuou quase 15%. Houve acionamento de circuit breaker mais de uma vez no mesmo dia. Bolsas despencaram mais de 10% no mundo todo. No Brasil, o dólar disparou e bateu a casa dos R$ 5; o BC interveio.

O alastramento rápido da doença, com muita desinformação em paralelo, ampliou o temor de recessão global. Foi destaque em diversos países – inclusive no Brasil – o isolamento de pessoas em ambientes de trabalho, estudo e lazer – além de viagens suspensas, como na rota entre EUA e países europeus. Shows de música e eventos esportivos vêm sendo cancelados.

A falta de uma coordenação global, com respostas contra a epidemia, pesou negativamente.

A OMS declarou pandemia do coronavírus. A semana já tinha começado muito tensa nos mercados com os efeitos da queda histórica dos preços do petróleo (30%), após briga entre Arábia Saudita (Opep) e Rússia.

Na Europa, contrariando expectativa de corte, o BCE manteve os juros e ampliou em 120 bi de euros o programa de compra de ativos.

No Brasil, o secretário de Comunicação Fábio Wajngarten, que viajara aos EUA com o presidente Jair Bolsonaro, contraiu o vírus. Ambos estiveram com o presidente americano, Donald Trump. Bolsonaro fez o teste. Já são mais de 100 casos confirmados em diversos estados do país.

O governo vai antecipar parte do décimo terceiro salário dos aposentados e anunciou outras medidas. A previsão de crescimento da economia para 2020 foi reduzida de 2,4% para 2,1%.

A proposta de suspender o teto dos gastos para elevar o combate ao coronavírus causa controvérsia e se somou ao cenário pessimista no mercado. As manifestações pró-governo, marcadas para o dia 15, foram desaconselhadas pelo próprio Bolsonaro, que fez uma live de máscara.

Outros fatores com repercussão na semana foram:

– A derrubada do veto presidencial, no Congresso, ao projeto de lei que amplia a concessão do BPC – benefício concedido a pessoas com deficiência e idosos. A medida impacta os gastos orçamentários.

– O avanço da produção industrial de 0,9% em janeiro.

– A inflação de 0,25%, medida pelo IPCA, em fevereiro.

No pregão da B3 desta quinta-feira, quando houve duas paralisações (circuit breaker), o Ibovespa fechou em 71.766 pontos, queda de 14,78%, a maior desvalorização desde 1998. Durante o pregão, o índice chegou a cair mais de 19%. O dólar avançou 1,41%, cotado a R$ 4,78 no fechamento. Foram quatro leilões do BC no mercado à vista.

 Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal.

*Dados atualizados até o dia 13/3, às 9h.

Um comentário em “Maior desvalorização do Ibovespa desde 1998 e os destaques da semana

  1. Achei muito boa a recomendação de vocês para compra do CDB com 12 porcento ano. Parabéns!

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