Alta do barril de petróleo e os destaques da semana

Panorama Semanal de 30 de março a 3 de abril*

O fim de março e os primeiros dias de abril refletem a extensão da crise provocada pela pandemia de coronavírus, com mais e mais casos registrados pelo mundo e alta no número de mortes. A situação em Nova York preocupa e ganhou espaço no noticiário semanal. No mercado, bastante volatilidade e muitas incertezas sobre a economia global – cuja recessão pode se prolongar para além do esperado. Desemprego americano e alta do petróleo são destaques.

Novas orientações sugerem o uso de máscaras como forte aliado na não-propagação da virose. No Brasil, compras de itens encomendados da China, como as próprias máscaras, foram canceladas após o governo americano mandar aviões para levar estoques desses produtos aos Estados Unidos. De acordo com projeções e especialistas, abril será um decisivo no nosso país, com multiplicação do número de casos.

Aqui, a discussão em torno do lockdown gera ainda elevada tensão política, envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e seu discurso dissonante de outros integrantes do governo federal, governadores e prefeitos. Bolsonaro fez críticas ao ministro da Saúde, Henrique Mandetta, com quem vem se desentendendo sobre a condução da crise. Esta semana, o pronunciamento do presidente em rede nacional teve um tom mais moderado em relação ao isolamento social que critica. No STF, o ministro Barroso suspendeu o slogan da campanha do governo “O Brasil não pode parar”.

Há dificuldade e demora em pôr em prática as medidas de ajuda econômica. Na virada do mês, muitos trabalhadores receberam seus últimos salários, e entram no rol dos desempregados.

Entre as medidas adotadas no Brasil estão, por exemplo, o adiamento do pagamento de tributos, como a extensão do prazo de entrega da declaração do IRPF para 30 de junho, o diferimento do PIS/Cofins e a desoneração do IOF sobre o crédito por 90 dias. No rol de polêmicas está a MP 936, que permite redução da jornada de trabalho e diminuição de até 70% nos salários – com compensação parcial por programa do governo.

Já aprovada, a ajuda emergencial de R$ 600 por um período de 3 meses a trabalhadores informais é um desafio operacional, e o dinheiro ainda não chegou a quem precisa. De acordo com o governo, a partir da próxima semana, os problemas serão solucionados.

A questão dos déficits públicos preocupa. O chamado “orçamento de guerra”, para combate ao surto da pandemia, deve girar em torno de 2,5% do PIB. Os orçamentos estaduais e municipais têm rombos estimados em R$ 30 bilhões. Em fevereiro, antes do impacto do coronavírus, a arrecadação do governo caiu 2,7%. No mesmo mês, a taxa de desemprego subiu para 11,6%, atingindo 12,3 milhões de pessoas.

Nos Estados Unidos, chamou a atenção o dado de pedidos de auxílio-desemprego, que avançou para 6,6 milhões em apenas uma semana. Destaque global foi a alta de 20% no preço do barril de petróleo, após indícios de arrefecimento dos conflitos entre produtores da Opep e também devido à compra de estoque pela China.

No pregão desta quinta-feira, o dólar avançou 0,05%, cotado a R$ 5,265. Devido à alta do petróleo, o Ibovespa encerrou em alta de 1,81%, para 72.253 pontos.

Obrigada, bom fim de semana #EMCASA e até o próximo Panorama Semanal.

*Dados atualizados até o dia 3/4, às 9h30.

 

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