Medidas de controle pra economia e os destaques do mês

RESUMO DO MERCADO NO MÊS 

Dólar PTAX R$ 5,1987/ US$ + 15,56%
Taxa DI Fut Jan/25 6,85% + 83 bps
Ibovespa 73.019 pts  – 29,91%
S&P 500 2.584,59 pts  – 12,51%

INVESTIMENTOS

Se janeiro e fevereiro foram desafiadores, o que dizer sobre março? Estamos vivendo uma pandemia, confinados em nossas residências, o número de contaminados já passa da marca de um milhão e milhares de pessoas morreram. Os governos reagiram rapidamente com pacotes emergenciais, mesmo assim, milhões de pessoas perderam seus empregos e uma recessão global se desenha à frente. Os bancos centrais também atuaram prontamente para assegurar o funcionamento do sistema financeiro, todavia, as medidas não foram suficientes para evitar a sequência de circuit breakers.

Os principais índices do mercado de ações global recuaram mais de 10%. O MSCI World cedeu 13,47% e o S&P 500, 12,51%. O Ibovespa degringolou 29,91% e ficou atrás somente do argentino Merval, que desvalorizou 30,28%. As exceções foram o Nasdaq, que caiu 7,66% e os índices das bolsas da China e de Hong Kong, -7,54% e -9,67%, respectivamente.

Para completar, Arábia Saudita e a Rússia desencadearam uma guerra de preço do petróleo que resultou na desvalorização de 50% da commodity, que vinha em queda desde janeiro.

Mas as perdas não ficaram limitadas ao universo das ações. A demanda por liquidez resultou em variações negativas também nos títulos públicos e privados. O IMA geral retrocedeu 1,98%, mas sofreram mesmo os títulos atrelados à inflação com vencimentos mais longos, representados pelo IMA-B 5+, que recuou 10,93%. A busca por porto seguro ejetou o dólar a R$ 5,1987, uma alta de 15,56%.

Esses movimentos intempestivos refletiram nas cotas de muitos fundos multimercado e também de renda fixa, nos fundos de ações, não precisa nem falar.

A falta de clareza do cenário para os próximos meses dificulta as projeções de crescimento econômico global e em especial para o Brasil. Ainda assim, a diversificação de acordo com o perfil do investidor é recomendada, pois o CDI vai continuar bem baixo. Em março, o CDI foi 0,34%, acumulando 1,01% no trimestre.

O Banco Central do Brasil reduziu a Selic para 3,75%. Com a piora do quadro fiscal, novos cortes são improváveis. O câmbio, difícil de estimar, poderá voltar a R$ 4,50-4,60, no melhor cenário. Para o Ibovespa, a projeção foi revisada para 95.000-105.000 para o final do ano.

Mantemos a sugestão para não fazer nenhuma mudança radical na carteira nesse momento, a não ser o rebalanceamento para ajustar o nível de risco ao perfil, principalmente, para os investidores que não estão dormindo.

PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS

GUERRA DE PREÇO DO PETRÓLEO: no dia 05 de março, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) recomendou que seus membros e aliados reduzissem a produção em 1,5 milhão de barris por dia para aliviar o impacto da redução da demanda em virtude da epidemia COVID-19. A Rússia, que coordenava as operações com a OPEP+, não quis cooperar mais com o cartel. A justificativa russa era que a política de preços da OPEP+ beneficiou os EUA que passaram  a ser o maior produtor do mundo com o gás de xisto. No final de semana (07-08 de março) a Arábia Saudita iniciou uma guerra de preços, inundando o mercado de petróleo. A queda do preço do barril foi de mais de 20% em um dia e na segunda-feira, 09 de março, teve início uma sequência de circuit breakers. Foram seis interrupções em apenas oito pregões aqui ano Brasil.

A CLASSIFICAÇÃO COMO PANDEMIA: o fato do contágio ter se disseminado por outras regiões, principalmente Europa, Oriente Médio e agora com o surto nos EUA, elevou o nível de preocupação global e fez com que no dia 11 de março a OMS classificasse a doença como uma pandemia exigindo maior cooperação e atuação dos governos, ministérios e Bancos Centrais.

TAXAS DE JUROS NO MUNDO E NO BRASIL: o Federal Reserve (Fed – Banco Central dos EUA) foi um dos primeiros a agir, cortando duas vezes de surpresa, em menos de 15 dias, a taxa básica. O primeiro corte de 0,5 ponto percentual foi no dia 3 de março, ou seja, antes mesmo da reunião da OPEP e antes da OMS classificar o coronavírus como pandemia. A segunda redução de 1 ponto foi mais inesperada ainda: em um domingo, 15 de março, três dias antes da reunião padrão, a faixa de juros americano passou para entre 0 e 0,25%. No Brasil, o Copom acompanhou esse movimento de expansionista e cortou a meta da taxa Selic de 4,25%  para 3,75%. Os Bancos Centrais da Europa, Inglaterra, China e diversos outros países também seguiram essa linha.

MEDIDAS DE CONTROLE E PACOTES DE ESTÍMULOS: a preocupação em limitar o nível de contaminação, para não sobrecarregar os leitos hospitalares, exige medidas de restrição de movimentação de pessoas como isolamento social e fechamento de fronteiras e essas medidas impactam fortemente a economia. No dia 20 de março, o Senado Federal, que já trabalhava remotamente, aprovou o projeto de decreto legislativo que reconhece o estado de calamidade pública no Brasil em razão da pandemia de coronavírus. Com esse decreto o governo pode expandir os gastos públicos para além da meta fiscal.

Para o alívio econômico, as medidas adotadas pelos países, no geral, giram em torno de prover liquidez de curto prazo para que as empresas consigam capital de giro suficiente para o pagamento de salários evitando, assim, quebradeiras e demissões em massa. Estão sendo destinadas linhas de crédito específicas e adiamento do recolhimento de impostos. Há também projetos de transferência de renda imediata para informais e autônomos, parcela mais vulnerável nessas situações.

No Brasil, vale destacar: o “coronavoucher” de R$ 600,00, a liberação potencial de R$ 1,2 trilhões anunciada pelo BC, isenção de tributos para produtos hospitalares enquanto durar a crise, flexibilização das leis trabalhistas para manter empregos e um pacote de socorro de R$ 88 bilhões para estados e municípios. Essas medidas devem equivaler a um gasto extra de 2,6% do PIB brasileiro.

Nos EUA, um pacote de estímulo estimado em US$ 2 trilhões foi aprovado no Congresso, sendo o maior em volume disponibilizado na história dos EUA.  Donald Trump mudou de tom ao longo do mês em relação à importância e ao impacto do vírus na economia e estendeu até o fim de abril as medidas de isolamento.

Todos os dias são lançados novos projetos de lei, medidas provisórias e resoluções. Para acompanhar o andamento dessas iniciativas, o Ministério da Economia reuniu as informações nesta página. Já para entender as medidas de promoção de liquidez para o bom funcionamento sistema financeiro consulte a seção específica do Banco Central aqui.

INDICADORES ECONÔMICOS

BRASIL

Taxa de juros: Selic em 3,75%.

PIB (Focus 30/03): contração de 0,48% para o PIB em 2020 – dado anterior 23/03: +1,48%.

Desemprego: 11,6% no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2020 – alta de 0,4 pp.

Inflação (IPCA-15):  0,02% – o menor resultado para o mês desde o início do Plano Real. Forte impacto da redução das passagens aéreas.

MUNDO

Taxa de Juros EUA: faixa entre 0 e 0,25%.

Emprego nos EUA: 3,28 milhões de trabalhadores se candidataram para receber o seguro-desemprego nos EUA, interrompendo uma década de contínua abertura de vagas.

PMI da China:  o PMI industrial foi de 52 em março, o que mostra uma expansão do setor. Em fevereiro o indicador foi 35,7.

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